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coisas que se ouvem no café

por M.J., em 11.06.15

o que é preciso é vontade de trabalhar. o pessoal diz que quer trabalhar e depois não quer fazer fins de semana, feriados, trabalhar mais de nove horas por dia. quer tudo ser doutor. uma merda esta gente com a mania dos direitos. como se os direitos enchessem barriga.

 

estou fascinada. ainda há mesmo quem pense assim?

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publicado às 19:00


28 comentários

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De Maria Araújo a 11.06.2015 às 19:08

Antigamente, trabalhava-se sem ser preciso fazer feriados, e fins de semana.~
Com os centros comerciais e os supermercados abertos, a política do trabalho veio complicar a coisa.
Provavelmente, quem diz isso, fazia de conta que trabalhava.
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:26

sim, quem disse isto tem ar de coçar os ditos a maior parte do tempo.
a questão é que trabalhar ao fim de semana desde que se tenha folgas não é problemático. o que me enjoa são a quantidade de horas a mais, sem ser pagas, que os patrões acham normal que os empregados façam, porque eles são muito bonzinhos em dar-lhes trabalho.
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De LadyKina a 11.06.2015 às 19:41

Ainda há quem pense como? Que trabalho e escravatura são uma e a mesma coisa ou que associado ao trabalho existem deveres e direitos?
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De M.J. a 11.06.2015 às 19:44

Que trabalho e escravatura são uma e a mesma coisa
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De LadyKina a 11.06.2015 às 19:48

Sim, existe muita gente a pensar assim, que se orgulha do seu estatuto de explorado e ainda acusa quem se recusa (ou pelo menos tenta) a sê-lo de "ter a mania". Ainda há muita gente que não pensa, o que não inclui, portanto, aqueles que pensam mal.
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:26

e é triste que isso vá demorar muito, muito, muito tempo para deixar de acontecer.
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De blogdocaixote a 11.06.2015 às 19:45

Tanta gente! empregadores e empregados...
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De M.J. a 15.06.2015 às 19:01

tanta gente tão triste.
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De C. a 11.06.2015 às 19:56

Honestamente, eu acho que quando tens que escolher entre o desemprego e isso, mais vale agarrares isso. Não acho justo haverem pessoas desempregadas porque conseguem viver do subsídio e preferem ficar em casa. Quem trabalha e desconta é que paga isso.
Se podes ter oportunidades melhores, é a isso que te agarras. But that's just me
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De M.J. a 11.06.2015 às 20:01

não posso concordar. são situações distintas. o facto de estares no desemprego não significa que estejas a receber qualquer subsidio sobretudo hoje em dia, que cortam o rendimento social de inserção por dá cá aquela palha.
e é a ideia de que o desempregado tem que estar disposto a tudo que não só aumenta o desemprego como ainda leva a que as desigualdades sociais aumentem: patrão pode exigir tudo e quem não quiser que vá para a rua e o empregado deve manter orelha baixa, responder que sim senhor e ser explorado até ao tutano.
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De C. a 11.06.2015 às 20:23

Sim e eu concordo contigo nisso. Eu acho que temos direitos. Vou-te dar um exemplo concreto: a minha mãe trabalha que nem uma cadela. É mesmo assim, não há outra descrição para aquilo. Porque já tem 50 anos, no desemprego recebe menos, na baixa recebe menos e já não encontra trabalho em mais lado nenhum. E ela só faz isto, porque precisa de fazer isto ou deixamos de ter dinheiro para comer. É neste contexto que estou a falar. Porque como ela, milhentas pessoas andam e é triste.
Depois, existe a vizinha do fundo da rua. Que não sei como ela vive, porque ela não trabalha, dá-se ao luxo de recusar trabalho e depois vai a todo o lado e tem bens materiais que não lembram ao diabo.
Depois existo eu, que estou a acabar o curso universitário porque não me quero sujeitar a ser empregada de mesa até ao fim dos meus dias (apesar de gostar de o fazer), porque acho que há vida para além disso.
Percebes o que estou a querer dizer? Não é concordar com a falta de direitos, é concordar que, infelizmente, há quem se tem que sujeitar a eles porque a alternativa é pior.
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:29

entendo o que dizes. no caso da tua mãe era deixar-se explorar ou não comer. não tem nada de errado o que ela faz. tem de errado o que lhe fazem.
o que eu acho é que não podemos apontar o dedo a quem não se sujeita a isso. :)
no meu ultimo trabalho, por exemplo, trabalhava duas horas a mais que as oito (para além de outras coisas que não interessam para aqui). quando decidi que chegava e que me vinha embora foi-me apontado o dedo por o fazer, como uma ingratidão, como que uma estupidez largar um trabalho quando tanta gente está desempregada.
actualmente há estigma contra os desempregados, como malandros e subsidiodepentendes e contra aqueles que estando a trabalhar e se fartam das condições de trabalho decidem vir embora, pois que ingratos.

não estou a dizer que é o que fizeste, atenção, até porque entendo perfeitamente o que disseste.
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De C. a 12.06.2015 às 17:52

Isto às vezes é difícil explicar as coisas x) É que com as histórias que oiço os meus pais contar sobre pessoas que conhecemos e o desemprego... eu sei que a maioria não anda desempregado exactamente porque quer, nem abusa dos direitos que tem. Mas como em todas as situações há quem o faça. Mas mal de mim que não acredita-se no direito de nos despedirmos por não termos as condições mínimas aceitáveis, não chegava a lado nenhum!
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De LadyKina a 11.06.2015 às 20:23

Concordo totalmente. Ainda há a ideia de que quem recebe subsídio de desemprego anda "a mamar" ao Estado e a eles, dizem, que trabalham! Como se esse subsídio não lhes fosse devido, como se não tivessem trabalhado e DESCONTADO para isso! E os centros de emprego tudo fazem Não para resolver os problemas de desemprego das pessoas mas Sim criar-lhe formas de perderem os respectivos direitos! (e quem não andar atento bem se lixa). O dinheiro que se gasta com centros de emprego inoperantes e "formações" da treta, disso parece ninguém ter noção, que sim, que esse dinheiro é "nosso" e muito mal empregue, para encher os olhos a uns e os bolsos a outros.
Tens toda a razão quando dizes, e aproveito para repetir, que é por haver quem pense como a leitora C. e aja em conformidade, que para certas situações nunca vai haver justeza nem justiça.
E com esta me retiro que já pareço o Mário Nogueira! :-)))))))
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De Neurótika Webb a 11.06.2015 às 22:11

Concordo! Até parece que fazem favores aos desempregados e tratam-os como se fossem criminosos, só falta andarem de pulseira electrónica! O estado é apenas o fiel depositário dos nossos descontos, não nos está a fazer nenhum favor!
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:47

ah a formação dos centros de emprego é de ir Às lágrimas! é qualquer coisa mesmo muito, muito mas muito nojenta e pequenina!
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De PedaçosdeSonho a 11.06.2015 às 21:34

Existem sim pessoas que não querem trabalhar (sei por experiência de ter trabalhado em recrutamento).
Mas as pessoas confundem não querer trabalhar, com querer trabalhar dentro da lei e respeitando todos os seus direitos. São coisas completamente diferentes
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:49

existem todo o tipo de pessoas no mundo, não é? ninguém pode pôr isso em causa. agora também não aceito que se generalize e que se use essa desculpa (não é o teu caso, estou só a dar exemplos que ouço) para dizer que quem está desempregado tem de fazer tudo e mais um par de botas, sorriso nos lábios e ainda agradecer muito ao patrãozinho!
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De PedaçosdeSonho a 12.06.2015 às 18:38

Concordo plenamente contigo! Não podemos nem devemos generalizar. Eu estou desempregada há um mês e meio...quero muitooooo voltar a trabalhar o mais rápido possível...mas também não aceito um trabalho de escravatura como infelizmente já tive. Há que lutar pelos nossos direitos
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De Alice Alfazema a 11.06.2015 às 21:40

As desigualdades sociais crescem pelo medo e pela ignorância e nisso somos fartos. Há agora um medo constante, alimentado por aqueles que têm mais tempo de antena. Se no passado tivéssemos sido assim medrosos (ou antes merdosos?) hoje não teríamos esses direitos que alguns pensam que caíram do céu.
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:50

acrescento ainda: que não caíram do céu e que deixamos que nos sejam retirados com sorrisos nos lábios e ainda achando que isso é certo!
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De Cris a 11.06.2015 às 22:08

Ui, é gente às paletes a pensar assim. Mas confesso que, se tivesse bocas para alimentar além da minha, não sei se não me sujeitaria... e é disso que se aproveitam e sempre se aproveitarão...
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:50

pois. é disso que se aproveitam! infelizmente.
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De J.B. a 12.06.2015 às 10:37

Há sim, infelizmente, demasiada gente a pensar assim. Direitos? O que é isso? Trabalhadores são escravinhos.
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:51

ai deus e na verdade, tendo em conta tudo por onde já passei, devia estar mais que familiarizada com a ideia.
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De RC a 12.06.2015 às 13:34

Quanto a este tema estou como dizia a minha avó "filha tu não te baixes, que quanto mais de baixas mais te vêem as cuecas!"
Quanto mais uma pessoa se sujeita, mais lhe é exigido e menos dado em troca. E se por um lado é verdade que há sempre quem não veja a alternativa, por outro é obrigação de todos os que a vêem de lutar para manter todos os direitos adquiridos e que não se esqueçam que não trabalhar aos fins de semana e feriados é um direito conquistado a duras penas e perdido de uma forma muito subtil. (este e outros como este)
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De M.J. a 12.06.2015 às 16:52

perdemos direitos de sorriso nos lábios e ainda criticando quem o contesta.
somos, na verdade, pessoas muito estranhas.
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De RC a 14.06.2015 às 08:36

Eu recuso-me a perder direitos e muito menos de sorriso nos lábios! E ai de quem ache que tem direito a criticar se eu me despedir por já não aguentar mais o emprego que tenho: a minha saúde mental vale mais que qualquer emprego e enquanto poder comer e tiver onde dormir sem ter que perder a minha sanidade mental podes acreditar que escolho a minha sanidade mental sem piscar!

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