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da banda sonora do dia

por M.J., em 18.05.15
 
Porque choras criancinha
Em cima desse rochedo
(o poema começa com uma interrogação, claramente curiosa, acerca do que faz uma criancinha em cima de um rochedo. não numa escarpa, não numa serra, não num abismo, não num parque infantil. sim num rochedo. intrigo-me com a escolha de tal local e arreganho o lábio de excitação.)
 
Quero ir ao cemitério
Mas sozinha tenho medo
(ah bem, estou esclarecida: rochedo rima com medo. lindo)
 
Que vais fazer ao cemitério?
Se lá não mora ninguém?
(sabemos que esta é uma pergunta parva: se é certo que as crianças sozinhas não vão ao cemitério, mais certo é, e toda a gente sabe, que criancinhas em cima de rochedos não fazem mais nada que isso).
 
Mora sim senhor coveiro
Alma de minha mãe
(pronto. agora sinto empatia pela criancinha cuja mãe morreu e a sua alma habita um rés-do-chão no cemitério com vista para as flores de plástico. começo a achar que isto não é música com que se brinque).
 
Se tua mãe já morreu
Deixou-te bem pequenina
(a.cons.ta.tação. sim, que lá por ser criancinha não quer dizer que não fosse desenvolvida, com claros atributos de adolescência. o autor preocupa-se em contextualizar ao pormenor a historia e isso só fica bem.  
portanto, recapitulando, até agora temos: a criancinha (personagem principal), o rochedo (local da trama), o cemitério (local secundário da trama) o coveiro (personagem secundária para ganhar o recorde de "vamos ser os únicos a usar a palavra coveiro numa canção") e a mãe morta. todos a acompanhar o drama?).
 
Meu pai também já morreu
Num desastre de uma mina
(que aumenta senhores, o drama aumenta: o pai também morreu. numa mina. poderia igualmente ter sido num acidente de automóvel mas percebe-se a necessidade latente da utilização da palavra mina para rimar com pequenina.)
 
Tinha também um irmão
Que me servia de pai
(pronto, pronto, alegremo-nos. a catraia tem um irmão mais velho que lhe serve de pai. alguma coisa que se aproveite,)
 
Mas por minha pouca sorte
Ate esse já lá vai
(ah bem, afinal foi-se.)
 
Mas que mundo tão ingrato
Desta vida em que se vai
(repetes duas vezes a palavra vai. não fica bem nem combina com a qualidade literária até aqui).
 
Se tu quiseres criancinha 
Gostaria de ser teu pai
(e agora, perante tamanha atrocidade e mais um drama horroroso, a criancinha atira-se do rochedo).
 
fim. 

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publicado às 09:49


15 comentários

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De Magda L Pais a 18.05.2015 às 09:55

Ahahahahhahah análise extraordinária.
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De M.J. a 18.05.2015 às 12:57

por mim ganhava a vida a fazer isto.
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De Cris a 18.05.2015 às 10:04

Mais uma Saga do Graciano!
Adorei!
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De M.J. a 18.05.2015 às 12:57

é tão bom, não é?
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De Mom Sandra a 18.05.2015 às 12:52

Isto parece-me o enredo de uma novela mexicana...
Jesus!! O drama!! O horror!! A tragédia!!
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De M.J. a 18.05.2015 às 13:00

melhor que a novela. nunca vi nenhuma onde houvesse um coveiro.
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De Mom Sandra a 18.05.2015 às 13:04

Nisso tens razão... O covas dá toda uma outra perspectiva à história!
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De M.J. a 18.05.2015 às 18:02

é fantástico!
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De Mom Sandra a 18.05.2015 às 18:09

Depois de ler este teu post, fiz uma introspectiva (esta coisa sublinha a palavra de vermelho... parece que é um erro ortográfico... vou fingir que não o vejo...) na minha vida e percebi que o que me faz falta é um covas!

Vou ali ao cemitério à procura do Sôr Alfredo (que tem um cu que mete medo!) para saber se, por acaso, me quer adoptar (olha outra palavra sublinhada...)... ou a alguma das minhas filhas... Quem sabe não nos adopta às três...
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De M.J. a 18.05.2015 às 21:17

ahahahahahahahahahah

adoro o teu humor!
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De Mom Sandra a 18.05.2015 às 21:39

aviso:
Está a ligar para um rede que agora pertence à...
Oh! Enganei-me na mensagem... o aviso é o seguinte:
o Sôr Alfredo é uma pessoa real - é o conas cá da aldeia...

Consta que sou uma pessoa com muito humor - soft (para aqueles que não entendem muito bem como é que se processam as coisas neste mundo) e negro (para os verdadeiros habitantes desta selva) - e, ao que parece, os teus textos despoletam essa minha veia humorística...
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De Gaffe a 18.05.2015 às 17:57

O senhor com quem a menina contracenava era pedófilo.
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De M.J. a 18.05.2015 às 18:01

prefiro achar que tinha muito amor para dar.
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De Gaffe a 18.05.2015 às 20:31

Não virá a propósito, mas sabes que sinto que tens andado um bocadinho agressiva comigo?!
:(

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De M.J. a 18.05.2015 às 20:52

desculpa. as palavras escritas não têm, às vezes, a capacidade de transmitir expressões faciais. e eu tinha uma quando escrevi o comentário.
ou pelo menos os comentários que te levaram a sentir.
é que gosto muitíssimo de ti.
(e devias saber. :) )

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