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da constatação

por M.J., em 26.01.15

pior que ser meramente comum, como eu, é ser nada mais do que comum pensando sempre ser extraordinária.

 

andei uma vida toda enganada.

como que coberta por um pedaço normalíssimo de inteligência, a destacar-se num mundo de labregos e particularmente iguais aos outros todos.

julguei, numa ingenuidade triste só concedida aos tolos, que era um pouco mais:

  • um pouco mais sensível.
  • um pouco mais objectiva.
  • um pouco mais inteligente.
  • um pouco mais liberal.
  • um pouco mais culta.

e alimentei isso, como a minha vizinha da frente alimenta os gatos vadios da rua, na procura da sobrevivência.

 

uma merda muito triste.

 

a verdade, que dói como mil putos aos gritos na hora antes da sesta, é que sou banalíssima, sempre fui banalissima e nunca tive motivos para acreditar no contrário.

 

nunca ninguém me mandou um postal de amor.

fui sempre das últimas a ser escolhida nas aulas de educação física.

o meu primeiro amor adolescente trocou-me pela minha melhor amiga.

o namorado que jurou amar-me para sempre mandou-me um valente tacho de óleo a ferver nas trombas quando fiquei doente.

sou completamente obtusa nas relações com pessoas. quer as conheça bem ou mal.

agarro com força gente que gosto até as empurrar vida fora numa espécie de bungee jumping.

tenho vontade, às vezes, de atirar contra paredes miúdos irritantes que guincham aos meus ouvidos em situações inusitadas. ou as suas mamãs.

detesto frases feitas.

detesto livros da treta e vejo reality shows e todo o tipo de tv do mais baixo nível, só para me rir, como uma labrega, a boca toda aberta, da estupidez humana.

não gosto de fazer exercício. não gosto de gente que me manda fazer exercício. ou que inunda o facebook com fotos de exercício.

 

e sei, como sei das merdas todas que escrevi atrás, que estou condenada a acabar aí, num centro social qualquer, depois de resgatada da rua, a dizes caralhadas a todos os filhos da puta que me disserem que estou naquela situação porque decidi não parir, não fazer exercício físico, nem aturar as pessoas que tentaram com força fazer parte da minha vida.

 

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publicado às 17:04


4 comentários

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De (des)Esperança a 27.01.2015 às 14:03

és TUDO menos banal...
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De M.J. a 28.01.2015 às 15:48

achas mesmo?
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De Pseudo a 27.01.2015 às 18:18

Olha, que giro....por algumas das tuas razões, tb acho que vou acabar sozinha, resmungona e com mau hálito, num qualquer lar geriátrico.

Já fizeste inscrição em algum?
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De M.J. a 28.01.2015 às 15:49

já fiz para alguém que não eu... mas para mim ainda não estão a aceitar inscrições.

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