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da importância de desistir

por M.J., em 30.12.14

sempre acreditei que desistir é para os fracos, cobardes, inúteis, falhados. foi-me dito desde sempre. aprendi a acreditar nisso. nas aulas de educação física (insiste, insiste mas não desiste); nas aulas de música, quando ainda que não satisfeita com a porcaria do instrumento que me fora dado, insisti até aquilo se transformar em música; no curso da faculdade, quando no primeiro ano, desiludida, sem perceber um corno, sozinha, assustada, dei a volta ao primeiro semestre e acabei com uma senhora média; nas aulas de condução, quando apesar de ter chumbado no primeiro exame pela coisa mais ridícula (hei-de contar esta história) insisti, comprando mais seis lá quantas aulas e passando à segunda; na primeira dieta; na segunda dieta; nos mil dias em que quis acabar com a vida; no dia em que quase consegui acabar com a vida; no dia em que decidi que ia, de uma vez só, destruir-me e não deixaram; no dia em que decidi que ia erguer-me e aqui cheguei.

sempre assumi que não ia, jamais, desistir de nada a que me propusesse. é certo que desisti de pessoas, relações. muitas até. algumas bem importantes. bem sérias. mas isso é outra história.

posso garantir que esta treta é mais um lugar comum. mas, acreditem ou não, apercebi-me, recentemente, à minha custa mais uma vez, que sou do tipo de só aprender às cabeçadas (e só depois da cabeça estar rachada), que não faz mal nenhum desistirmos de vez em quando. nem nos torna cobardes. fracos. inúteis. acredito piamente, talvez isso mude um dia (de certeza que muda, é só precisar de ter outra argumentação) que faz bem desistir de certas coisas. de certos objectivos a que nos propusemos e que, por alguma circunstância, se tornam diferentes daquilo que pensáramos. um trabalho que não nos realiza; uma relação que não nos faz bem; uma dieta que está a tirar-nos pequenos prazeres; um livro que não interessa; um filme chato.

acreditem. é preciso mais coragem para desistir de uma situação estável mas que não nos satisfaz, do que para manter essa mesma situação, ainda que nos faça sofrer horrores.

em 2015 desistam mais do que não interessa. nem sempre bater com a cabeça em algo que está, inevitavelmente, condenado a tornar-vos infelizes, achando que vai mudar, no próximo dia, na próxima semana, no próximo mês é sinónimo de força.

eu diria, assim no geral, que é mais sinónimo de cobardia e medo de mudança.

 

é isto.

daqui a nada já volto às caralhadas.

 

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publicado às 14:04


6 comentários

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De Petrolina a 30.12.2014 às 17:18

B-R-U-T-A-L!!!!!
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De (des)Esperança a 30.12.2014 às 17:20

obrigado pelo conselho.... que 2015 te dê momentos muito felizes! Porque és capaz de os ter, e porque os mereces como ninguém! mil bjs
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De M.J. a 30.12.2014 às 18:36

Não é só um conselho. É um desejo. Bom ano.
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De Pimenta na Língua a 30.12.2014 às 17:58

Mesmo Top!
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De M.J. a 30.12.2014 às 18:37

Obrigado :-)

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