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da ria

por M.J., em 14.04.14

vi um homem a nadar na ria, no domingo à tarde, quando fui passear a experimentar as sapatilhas novas. não sei qual foi a ideia dele. porque a ria, por mais bonita que seja, tem um cheiro pouco agradável e a água não é das mais limpas. há quem diga que contém cocó da população. as más línguas. eu não sei mas não nadava lá, que com as minhas mil alergias morria.

uma vez vi um documentário de uns fulanos na índia que faziam tudo no rio, porque acreditavam que a água era milagrosa, ou assim. a câmara filmou mesmo um miúdo que bebia pirolitos ao lado de um cagalhão, ali a boiar. o jornalista decidiu mergulhar. se eles podiam, ele também. o resultado foi apanhar uma doença qualquer e ficar com parasitas nas tripas. há gente parva no mundo.

mas lá na ria, mesmo no centro da cidade, onde eu estava sentada a experimentar as sapatilhas, o homem nadava, mergulhava, enfim, um pagode. haviam moliceiros, nos seus passeios, e em cima de um uns fulanos do benfica gritavam em altos berros e batiam com os pés na madeira. desejei ardentemente que aquilo virasse. não pelos senhores do moliceiro, mas por aqueles malucos, barulhentos e loucos que invadiram a cidade aos gritos. de tal forma que por volta da uma da tarde, quando fui perto do estádio comprar umas sapatilhas, já havia uma inundação de pessoas aos gritos. e muitos senhores a vender cachecóis. 

na ria, ao meu lado, onde estava sentada a mostrar as minhas sapatilhas novas, um senhor fazia navegar um barco telecomandado, ladeado por um rapazito, de boné amarelo e camisola vermelha que lhe perguntava coisa incessantes. pensei que fossem amigos, mas percebi depois que não se conheciam de lado nenhum e que o moço era só chato, aborrecido no seu domingo,  a tentar fazer amigos. o geek dos barcos não lhe dava grande atenção.

do meu outro lado, uma miúda fazia um desenho. julguei que fosse alguma aluna da universidade, de artes ou assim. mas quando passei por ela, reparei, enquanto olhava de soslaio, que era um desenho à colegial mesmo, com marcadores, mal pintado, com a ria em tracejado e o meliá com o telhado de uma casa e tudo. ainda assim, a moça dava um ar pitoresco à cena, com o seu vestido amarelo e uma grossa gola branca, ali sentada, com ar imóvel. 

dez minutos depois voltei para casa amuada com a vida, por hoje ser segunda. 

 

no sábado à noite fui à feira de março. depois de muito choradinho. de qualquer das formas foi um fiasco. o pedro abrunhosa estava bêbado, batia nas teclas do piano como se estivesse a bater noutra coisa e as notas saiam sonantes a dar cabo dos ouvidos mais sensíveis, como os meus. impliquei com os moços que me acompanhavam para irmos andar nos carrosséis. dois deles (o meu moço e o Daniel) recusaram-se terminantemente. valeu-me o sandro. fiquei feliz. subi para aquela coisa entusiasmada, sem óculos que havia a possibilidade de eles caírem. só por ai, uma treta. não via nada a não ser borrões. depois aquilo andava em danças e contradanças, de cabeça para baixo e muito à roda. às tantas começou a tremer. lembrei-me da conversa do moço e do daniel, engenheiros ambos, que falavam da inexistência de qualquer segurança daquilo. julguei morrer, que se uma cadeira saísse disparada não havia santo que me salvasse.

ainda assim cheguei ao chão viva. cheia de dor de estômago, é certo, mas viva. não quis repetir mais nada. e nem sequer comi algodão doce ou gelado. 

ontem à noite dei cabo da dieta. perdi quatro quilos durante estes dias (acredito que não acreditem) mas ontem devo ter recuperado no mínimo um. não está com nada passar grande parte da tarde a cozinhar coisas boas para o jantar de amigos à noite e depois comer salada. emborquei as moelas e o porco com laranja. ambas as coisas com gordura infinita. enfim, esta semana compenso, pois que remédio.

para a semana é páscoa. e no 25 de abril, esse magnifico fim de semana, vou em três dias de roteiro pelo douro.

e hoje, pasme-se, ainda está sol.

se neste sitio houvesse uma ria, acho que dava um mergulho para comemorar. 

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publicado às 10:44