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dezembro

por M.J., em 31.12.15

dezembro. mês presente.

do hoje. 

de dezembro destaco apenas e só as banalidades escritas. nem as risadas, nem os bolos, nem o natal, nem a partilha. destaco banalidades porque não se destaca só silêncio no respeito da dor de quem amamos. 

 

dei nome aos dois gatos que a mamã alimenta. creio que são netos ou bisnetos do evaristo, que o deus dos gatos o tenha na paz. bem bonitos. gordos, não muito grandes, ainda adolescentes. a mamã alimenta-os e eles correm de volta dos pés dela. não se deixam tocar mas fazem o favor de pedir comida. são giros. um todo preto, outro todo cinzento. achei que tinham ar respeitável e batizei-os em conformidade: um é o cunha, o outro é o simões. não gosto cá de bolinhas, pelinho ou sininho. isso não são nomes decentes. o cunha e o simões impõem respeito, lado a lado, a exigir que os alimentem. se se chamassem bolinhas e fifi perderiam logo metade da piada. 

fizeram, sobretudo, nestes nomes respeitáveis, rir a avó.

 

* hoje haverá uma espécie de bolo rei ou rainha ou que seja. partilhei fotos com quem aqui vem e me lê com gosto ou sem gosto. não me interessam os que não gostam. ou interessam, que dão dinâmica à coisa. é sobretudo para os que gostam, que se riem, que soltam gargalhadas e esquecem dos dias mais cinzentos. porque também esses vão fazendo parte dos meus rituais dos dias.

não interessa mais nada.

a não ser o bolo que assa.

 

e o fim é tão mais feio, com caras inchadas e flores que não disfarçam o cheiro a morte e olhos fechados que, ainda que estivessem abertos não teriam o brilho de vida que os fazia olhos. o fim é negro e trevas e ácido que queima de desespero. e eu só achava que seriam braços abertos a cortar o céu, num adeus de fim.

pobre ingénua.

 

não suporto cada minuto por aqui e não devemos viver em tortura, apenas porque sim.

além disso, se não fujo de coimbra, coimbra mata-me com as alergias. qualquer dia meus senhores, qualquer dia não tenho nariz.

 

às vezes as dores de ser são tão fortes que olho quase esperançada a varanda. nunca tive a puta de uma varanda alta o suficiente que me fizesse sentir a pacatez do fim num dia especialmente mau. são sempre varandinhas de primeiro, segundo andar, nada de grave a não ser uma perninha partida, um tornozelo deslocado.

grande merda.

 

 

destaco banalidades porque são pedaços da pessoa que escreve M.J.

porque são mais que M.J.

porque são a forma mais real de chegar a mim, eu, e por isso são-no sempre como uma conversa. como um pedaço de mim que espalho ao vento e que espero que alguém apanhe e leia e fique. p

ara ficar comigo.

destaco de mim só banalidades neste mês.

destaco-te a ti, neste mês presente pelo presente que sinto em ti. no duplo sentido.

 

gaffe.png

 

que a compartimentação do tempo que entra agora te faça nascer sardinheiras nos olhos a crescer mais do que as papoilas que neles morrem. 

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publicado às 09:09


5 comentários

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De Gaffe a 31.12.2015 às 14:36

É muito importante para mim que não mostres qualquer insegurança em relação ao que te quero dizer:
Neste terrível, anulado e doloroso Natal, acabas de me entregar um dos mais inacreditáveis e belos presentes de toda a minha vida.
Encheste-me a casa de flores, minha muito, muito,muito querida Amiga.
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De M.J. a 31.12.2015 às 15:09

Gosto de ti. Muito. Sem necessidade de explicação.
E estou.
No presente.

:)
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De O Marciano a 31.12.2015 às 15:08

Após termos entrado com sucesso na atmosfera do planeta azul aqui deixamos os nossos votos de um Bom Ano terrestre 2016 repleto de paz, saúde e excelentes posts.
Saudações Marcianas.
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De M.J. a 04.01.2016 às 15:03

um excelente ano para aí, seja o aí onde for.

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