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dinheiro

por M.J., em 27.07.18

detesto desperdiçar dinheiro.

quando somos criados com a ideia de que ele não cresce nas árvores e que só o obtemos à custa de muito esforço e trabalho, a ideia de simplesmente gastá-lo de forma desordeira acaba por ser contranatura.

e se é verdade que a minha criação e a do rapaz não foi assim tão diferente no que diz respeito ao espaço, às raízes e experiências, temos uma maneira um pouco diferente de encarar o dinheiro:

  • eu acho que deve servir para nos trazer paz de espírito, conseguindo levar o dia a dia com uma certa ligeireza, no sentido de que se precisarmos dele, está lá;
  • ele gosta de sentir essa confiança mas usá-lo sem pensar constantemente se vale ou pena ou não gastá-lo.

e se isso, por norma, não nos traz grande discussão, leva-nos a certos debates em que ganha quem consegue ter mais paciência para a argumentação (por norma eu), a não ser quando um bate o pé (por norma ele) e não há volta a dar.

em resumo:

  • eu sou o que se pode chamar uma sovina preocupada;
  • ele não. 

 

quando começamos a pensar na lista de coisas indispensáveis à criança eu achava que sabia o abuso do preço do tralhedo

afinal não.

e ainda estou siderada com as coisas que vi.

  • famoso trio do ovo, carrinho e alcofa. preço médio: entre quinhentos a setecentos euros. SETECENTOS EUROS? mas tá tudo tolo? o salário mínimo nacional mal sobe acima dos quinhentos e querem impingir-me uma tralha que às vezes não chega a durar um ano por setecentos euros? 
  • banheira com pernas e mudador (é assim que se chama?): entre cento e cinquenta a duzentos euros. (já deve trazer a água incluída para cento e cinquenta banhos, só pode).
  • berço que se acopla à cama: duzentos euros (para cima);
  • cama de grades: de cento e cinquenta para cima sem colchão (e claro que as marcas apelam à nossa consciência para comprar um colchão anti-fungos, anti-bactérias e anti tudo o que se possa imaginar). 
  • e entre tanta coisa que prefiro já nem pensar. 

tive de respirar muito fundo.

juro que não quero ir ao mais barato só porque sim, mas vendo o entusiasmo do rapaz a achar tudo perfeitamente normal tive vontade de me demitir destas funções e não querer saber o preço da coisada toda. 

sempre que vamos fazer uma compra grande tento pensar como seria se os nossos rendimentos fossem somente o salário mínimo nacional.

sei que é um pouco parvo porque, mesmo não ganhando tal quantia, sinto a ansiedade do que seria se ganhasse. mas parece-me perfeitamente lúcido ter um ponto de comparação. e quando me dizem "oh vá lá, são duzentos euros, não é preciso essa histeria toda", não consigo alhear-me da ideia de que duzentos euros é quase metade do salário mínimo e que há gente a trabalhar horrores para o conseguir.

 

discutir dinheiro é uma canseira.

sobretudo quando, segundo ele (e não deixa de ter razão), não há essa necessidade tendo em conta o que nos esfalfamos a trabalhar para que não seja uma preocupação. mas vamos cá convir que duzentos euros por um berço que apenas dura enquanto o puto não se conseguir sentar me parece desapropriado e esbanjador. 

 

não quero ser uma daquelas pessoas sovinas só porque sim.

mas não suporto a ideia do abuso da consciência dos pais que, querendo o melhor para os filhos, açambarcam uma panóplia de coisas que não servem para nada a não ser ocupar espaço.

 

posto isto, chegamos a consenso (ele ganhou desta vez, que eu estava sem paciência) no que diz respeito a coisas básicas. 

mas estou com gana de insultar meia dúzia de fabricantes e marketers eficazes.

é que não há pachorra!

 

(e um conjunto de roupa de cama para bebés de cento e vinte euros? - de certeza que era de seda pura. e uma alcofa de trezentos? - provavelmente tinha airbag incluído).

já agora: quanto custa um saco (ou caixa?) de fraldas da melhor marca?

é que até tenho medo de ir pesquisar. 

 

 

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publicado às 15:40


10 comentários

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De Outra a 27.07.2018 às 15:51

Eu não comprei trio, mas o carro e o ovo custaram juntos 360€.
Banheira com trocador - 60€ na zippy - faz a mesma vez das caras
cama de grades + colchão - 100€ IKEA (a roupa também há lá)
berço que se acopla - não comprei.
conselho - pesquisa bastante antes de comprar e foge de lojas cocós, onde tudo custa uma fortuna
1 pacote de fraldas dodot sensitive (34 unidades) 7€.
(A melhor marca é a que o bebé se adapte. O meu usou dodot no início e depois pingo doce...menos de metade do preço e boas na mesma).
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De Margarida a 27.07.2018 às 16:00

Tal e qual outros dois que eu conheço.
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De M a 27.07.2018 às 16:27

Tal como referi no post anterior, estou grávida e vou comprar muita coisa em 2a mão! Tudo o que dê para ser lavado e seja para usar pouco tempo, vou comprar a metade do preço e depois revender quando já não usar.

Tal como em tudo, tens produtos de gama baixa, média e alta, não tens de ir para a alta só porque te impingem que "é o melhor", há coisas mais baratas que cumprem perfeitamente o seu objectivo.

Por exemplo, já comprei o berço next2me da Chicco (o dream, modelo novo) por 90€ no olx (preço actual em promoção nas lojas é 200€). Só foi usado 6 meses pelos anteriores donos, a parte de tecido é toda retirável e lavável, está óptimo. No final, se estiver bom, ainda o vou revender eu no olx e recupero algum do dinheiro, fica baratíssimo se formos a ver. O mesmo vale para as outras coisas! A banheira shnuggle + suporte custam 75€ novos, mas vou comprar a 35€ no olx. São utensílios de plástico... lavam-se e desinfectam-se bem e estão prontos a usar de novo.

Só vou comprar novo a mobília maior do quarto (porque não consigo transportá-la e mando o IKEA entregar em casa, são coisas que vão ficar lá bastante tempo) e o carrinho + ovo porque encontrei uma marca com excelente relação qualidade-preço e em promoção numa loja (e o carro espero usá-lo uns 3 anos). Escolhe um carro cujo assento recline na totalidade e que, com um redutor, possa ser usado a partir do nascimento e assim compras só duo, dispensas a alcofa.

Há um imenso mercado de coisas em 2a mão para crianças, os pais estão cheios dessas tralhas em casa e querem despachar tudo, fazem-se negócios óptimos. Aconselho-te a pesquisar.
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De Fatia Mor a 27.07.2018 às 17:06

Há tanto a dizer sobre os custos de ter uma criança! Claro que, a primeira vez, constitui o maior investimento (ao terceiro, já não comprei nada. usou tudo das irmãs). E é preciso ter estômago para enfrentar aqueles preços.
Mas olha, há coisas não-bebé que poderão ter a mesma utilidade. Além disso, há sempre quem tenha coisas que nunca usou, que já não precisa. Pede emprestado! Eu que sou uma esquisitinha, digo-te, foi a melhor coisa que fiz.
E não é só o preço... E onde é que depois enfias tudo que já não precisas? Ah pois é... É que, tal como o preço, o tamanho de tudo é inversamente proporcional ao tamanho dos putos!
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De Fátima Bento a 27.07.2018 às 17:44

Não usei alcofa: não dá jeito nenhum a transportar, pelo menos para mim não dava.Usei ovo, e uma cadeia tipo espreguiçadeira que durou mais uns tempo, e que abanava com o pé. Uma cadeira de passeio com redutor. A roupa de cama, era minha de bebé. A cama de grades, comprei na Makro (já foi há uns aninhos, lol) se fosse agora comprava, sem dúvida, na Ikea. Tudo o que a Ikea tivesse, viria de lá. Para o carrinho, a solução é pesquisar...

Um alerta: não compres tudo e mais um par de botas, depois não usamos a maior parte... simplifica nos cuidados de higiene: um gel de lavagem para o corpo e cabelo, água de colónia se gostares... um leite para passar no corpinho. Descomplica o mais que puderes! A sacrossanta chucha, compra duas para recém nascido, diferentes para ver se o bebé pega em alguma (os meus nunca pegaram em chucha).
A sério, não stresses, e pesquisa!
B'jinhos e tudo de bom para vocês três
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De Sofia Marques a 30.07.2018 às 12:27

Antes de comprar procura as promoções :-)
- Comprei o trio por 400€
- Banheira sem tocador, só mesmo a banheira 6€
- Fraldas comecei com as dodot mas depois experimentei as do pingo doce, ele não fez reacção alérgica e nunca mais comprei outras, chegas a apanhar promoções de 3 pacotes a 15€. O preço normal é 6,59€ e o pacote trás 60 fraldas!!
- O berço comprei no IKEA ficou a 75€ já com colchão.

Foge das lojas da moda, são caríssimas!!!
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De Bast a 30.07.2018 às 16:38

Não comprei trio... comprei duo. Ela nasceu na estação fria, poucas saídas iriamos fazer e quando fazíamos ia no ovinho e nunca eram muito longas a ponto de achar que se justificava gastar 300€ por uma alcofa. Não comprei berço que se acopla, mas sim cama de grades que, retirando a grade junto à cama e encostando-a à mesma, cumpre a função e custou 59€ no Ikea. Gastei um pouco mais no colchão sim, mas pareceu-me mais importante isso do que a marca da cama ou um berço que dá até à meia duzia de kgs e que custa p'ra cima de 200€. Quanto à roupa de cama, comprei tecido ao metro em algodão com um estampado bem giro e a avó dedicou-se à maquina e fez dois jogos de cama que ficaram um mimo. Gastei ao todo pouco mais de 8€. Ainda sobrou para fazer a almofada de amamentação que também custa uma fortuna, mas que recomendo muito, já que a usei ainda na gravidez e ainda hoje a pequena a usa (tiras as medidas e moldes no google na boa). Não comprei banheira com suporte e nem acho pratico. As do Ikea de 5.99€ são óptimas, leves e com o tamanho ideal para os primeiros anos. Ponho-a em cima do muda fraldas (que é uma cómoda com o mudador ao lado e dou-lhe lá o banhinho. Não comprei intercomunicador, nem aquecedor de biberons, nem metade da tralha que me tentaram impingir e não me fez falta nenhuma (vivo num apartamento, ela fazia as sestinhas na sala, o intercomunicador pareceu-me desnecessário e não me fez falta nenhuma. à noite dormia no nosso quarto..). O saco do bebé comprei na wells já com os produtos básicos (usando os cartões continente e cupões e essas tretas, ainda o tiras mais em conta e bem mais barato do que comprares só o saco. Cuidado com os produtos de higiene, tentam impingir-nos cremes e creminhos para tudo e na verdade basta o gel lavante e o creme. O halibut para a muda da fralda e pouco mais. Vais perceber que o melhor aliado é mesmo o oleo de amendoas doces e a água morna com compressas de tecido não tecido para a muda da fralda em casa. As toalhitas uso apenas quando saímos. Zero assaduras até hoje). Fraldas, pesquisa as libero na farmácia, mais baratas e muito boas (se bem que aqui, terás que te adaptar ao que o bebé se der melhor). Acredita, fiz um bom enxoval, não precisei de ir comprar nada a correr e gastei muito menos do que possas imaginar :P. Se tiveres alguma duvida, apita :)
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De Just_Smile a 31.07.2018 às 10:03

Eu compreendo-te, mas realmente coisas de criança são um balúrdio, o ideal é arranjares uma amiga que ainda tenha coisas :P
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De Violinista a 01.08.2018 às 18:30

Eu tenho a mesma relação com o dinheiro, e percebo muito bem tudo isto. Pior ainda que as marcas têm muita consciência de que para os filhos se parte uma perna e um braço se necessário.
Ainda assim.
O melhor conselho é não embarcar em tudo, pode ser difícil mas é melhor pensar. Por experiência de mim e do meu irmão, bebés é cada um com a sua mania. Eu nunca quis chuchas nem merdinhas dessas, fazia alergias a fraldas que não fossem Dodot (era cu fino, portanto), o meu irmão teve chuchas e praticamente não mamou, foi só biberão. Nenhum de nós quis dormir no berço, foi sempre na cama dos pais.
Dos trios, comprou-se carrinho e ovo, separados, para o meu irmão, alcofa não se usou. Sim, foi os mais carote que comprámos. Tínhamos o berço e roupa de cama já desde a minha altura, assim como roupas quase tudo em segunda mão de mim e da prima, porta para as escadas (umas em madeira, tipo gradeado para o bebé não ir para as escadas). Não comprámos banheira, tanto eu como o meu irmão tomávamos banho numa selha de plástico até ter idade suficiente para a banheira.
Não é que sejamos pobres, não ganhamos só o salário mínimo; mas momentos houve, e há, em que temos de deitar contas à vida, e para material que vai ter um ou dois anos de uso e depois é posto de lado, daí que haja muito nos mercados paralelos (OLXs e companhias).
Não consigo dizer muito mais, até porque há bastante resposta, e de qualquer das formas soa-me que até têm as coisas mais ou mesmo decididas. É chato, mas sobretudo é não entrar em pânico.

A única coisa que aconselho veemente a comprar é o aspirador para narizes (vende-se em farmácias, acho). Eu não tive, usávamos muito com o meu irmão e ajuda-os muito com constipações, a libertar o nariz; e penso que ele teve menos problemas de saúde que eu à conta disso. Não creio que seja das coisas mais caras (não é preciso ser dos elétricos xpto, era dos da Narhinel)
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De Anónimo a 03.08.2018 às 11:02

Gostava de dar-te a minha opinião em forma de lista, mas... o melhor que consigo dizer-te é para comprares o básico (carrinho, ovo, berço, alguma roupa (não adianta ter n peças que eles crescem demasiado rápido e há sempre quem ofereça), roupa de cama de algodão (há lojas comercio tradicional com roupa de qualidade a preço justo) fraldas, biberão e chupetas, toalhetes e creme muda fraldas, gel de banho...
Quando conheceres a criança vais percebendo o que mais fará falta.

Descobri que depois de termos um filho continuam a existir máquinas (lavar e secar), promoções (fraldas) nos supermercados, farmácias abertas 24 horas e lojas de tudo e mais alguma coisa.

Sem stress e sem gastar rios de dinheiro em coisas que não são de todo essenciais. Essencial é carinho, boa disposição, paciência e miminho.

Isa

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