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do casamento

por M.J., em 12.03.14

uma grande amiga minha vai casar. não é propriamente noiva mas é facto que vai casar. de branco. véu, grinalda, flores, meninas das alianças, padre, igreja, arroz, liga, orquestra, alianças.

tudinho a que tem direito.

incluindo vestido, não sei se já disse.

não encaro, nunca encarei, nem nunca encararei o casamento de ânimo leve. é algo demasiado sério, na minha perspectiva, para ser levado  com dois pontapés numa pedra e vamos lá casar. com o romantismo dos vinte anos (ou dos dezasseis) na vulgar perspectiva de que é para sempre. entendo que é sim um contrato muito sério, muito grande, a envolver demasiada coisa e para o qual se tem de perder muitas noites de vida a ponderar. 

é triste diga-se, porque a magia perde-se nestes fundamentos e sem fundamentos, nesta argumentação e contra argumentação. mas é o necessário para se puder, pelo menos, saber que se pensou muito bem antes de embarcar numa aventura que muda uma vida para sempre.

sempre quis, não nego, vestir um vestido de noiva, escolhê-lo e ter um dia, um dia apenas, em que me sentisse a princesa de um mundo repleto das pessoas que me são importantes. mas isso é apenas um sonho de adolescente que esconde tudo o que está por trás: a responsabilidade de uma vida adulta.

e o caraças da ideia de ter uma vida adulta, adulta à séria, crescida, com contas em conjunto e carros e casa e putos e cão e gato e mesmo um peixe no parapeito da janela, com as exigências e o prestar de contas inerentes, assusta-me como nunca pensei que assustasse.

depois de se entrar numa decisão destas não é, na minha perpectiva, admissivel longas noites de saídas com amigos até ás tantas. nem loucuras desenfreadas de incertezas de vida. não é, no meu entender, admissivel os longos queixumes de que a vida não tem sentido.

o casamento para mim é, talvez aqui sim numa versão romanceada, a visão de duas pessoas seguras, certas, adultas, que sabem o que são, quem são, para onde caminham e o que querem. com segurança. certeza. tranquilidade. sem vacilar. casamento é a decisão suprema de comunhão de vida com alguém. sem dúvidas. nunca. jamais. 

não se toma num momento de amor exacerbado, achando que é para sempre e vai haver muitas rosas.

tal como comprar uma casa e ficar a deve-la sessenta anos ao banco. ou ser fiador num contrato de milhões.

 

ainda que confesse, queria muito um vestido. queria muito flores e banda. e arroz e grinalda.

queria. 

mas também queria muito ganhar o euromilhões e o danado não me sai.

 

(no mesmo dia em que a minha amiga cresce e se torna adulta, anunciando o casamento, a minha cara metade, que recebeu a confirmação da ourivesaria que lá estão as alianças que decidimos usar, diz-me nas trombas que não as vai buscar porque tem mais que fazer.

há sortes e sortes).

 

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publicado às 16:34


2 comentários

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De andreina a 21.03.2014 às 01:11

Não podia concordar mais com a tua opinião relativamente ao casamento! Antes demais quem o faz tem obrigatoriamente que saber o que quer, e jamais pode duvidar dessa escolha, porque depois não é só um, é fazer do outro parte de nós, a todos os níveis.
Revejo-me em ti, tb tenho o sonho do vestido e de "o meu dia" especial. Mas convínhamos todas as responsabilidades posteriores de uma vida conjunta são bastante tramadas. Haja coragem, confiança e amor e tudo de torna mais simples!
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De M.J. a 25.03.2014 às 09:17

a questão é que muita gente pensa assim.
e depois são futuros destruídos.

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