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do dia dos namorados.

por M.J., em 11.02.14

ok. o dia dos namorados está quase aí.

durante anos, muitos, lamentei-me enquanto gorda triste que nunca recebia uma florzinha murcha que fosse neste dia, porque as únicas cartas que recebia, pelo pessoal que na escola se vestia de carteiro e andava de sala em sala a entregar missivas, eram de colegas minhas a dizer que me acahavam muito simpática e inteligente, enquanto eu olhava, com ares babados de adolescente ranhosa, as flores vermelhas que as meninas loiras e bonitas recebiam. (havia sobretudo uma, que eu hoje não suporto apesar de em tempos sermos amigas, que não havia um ano que não recebesse qualquer pendericalho e o esfregasse no meu focinho, com ar de triunfo. e tendo eu um focinho grande era muito esfreganço).

durante muitos anos achei que nunca ia passar este dia com as pirosices que ele tem. que nunca ninguém me ia oferecer um ramo de rosas vermelhas descomunais, ou uma bonequinha de porcelana com olhos translúcidos, ou um porta chaves com um coração nojentinho. achei sim. e sonhei com jantares românticos, iguais aqueles que via nas novelas, com o caralho (ia escrever catano, na esperança que esta porra fosse destacada pelo sapo, mas caralho parece-me mais apropriado) das pétalas de rosas no chão.

porque, por mais que eu seja assim, bruta que nem portas, fria, resmungona, trombuda e séria, antipática mesmo, caralho se não sou uma menininha romântica, no pior sentido da palavra, alimentada durante anos com novelas e séries ranhosas, onde a menina linda beijava longamente um rapazola de olhos verdes e a gorda era sempre a empregada da casa, bondosa, que ficava feliz com o bem estar dos outros. 

enfim. para esconder esta fraqueza (todos nós as temos) dizia a toda a gente que era um dia ridículo. que os casalinhos tinham mesmo ar de parvos, à espera de uma mesa num restaurante, de mãos dadas à colegial. q que, fosse cão, se algum dia o festejaria. 

no fundo, no fundo, tinha uma inveja descomunal.

o primeiro dia de são Valentim (chovam carteiras se o nome é bonito, que não é) que passei com namorado, estava em plena depressão. Mas depressão a sério. Com cortes e coisas feias. Ainda assim estava profundamente "dependentapaixonada" (é um estado de espírito relativamente comum em algumas mulheres) e planeei mil coisas. Escusado será dizer que foi um fiasco. O homem não fez qualquer reserva no restaurante pelo que só encontrámos um que tinha umas velas nojentas na escada e cuja comida era péssima, feita à pressa, rija como os cornos (que eu acho que tinha, mas não sei). Ele bebeu de mais, como sempre e ficou antipático. Adormeceu mal chegamos a casa, com um bafo a alcool.

Chorei toda a noite.

O segundo ano que passei com uma cara metade (a verdadeira cara metade da minha vida) o namorado era diferente. Eu estava muito mais saudável. Também planeei mil coisas bonitas. E esperei muitas surpresas, como mulher tipica. Esperei, caralho se não esperei, um presente, uma surpresa, uma merda qualquer que acalmasse a minha sensação de perda de um dia de são valentim decente. No entanto, o moço não me ofereceu nadinha, porque pensava que eu não era dessas coisas, tendo em conta os sinais que lhe dava e o que dizia.  Amuei e não falamos a noite inteira.

Este ano... bem, estaria a mentir se não dissesse que gostava de qualquer merda. Um bolo em forma de coração. Umas cuecas vermelhas. Uma flor roubada do vizinho. Um peluche dos chineses que me vai fazer alergia.

No entanto, se não receber não choro, nem amuo. Sou demasiado crescida para acreditar em novelas.

 

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publicado às 17:25


1 comentário

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De diana a 12.02.2014 às 22:58

pah...dada a minha falta de sensibilidade para o dia em causa
só tenho uma coisa a dizer...
ADORO a imagem que colocaste..;)

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