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do fim de semana

por M.J., em 10.12.13

Afinal, depois de ter jurado a mim e aos anjos que passava o fim de semana todo na cama, não fui capaz. No Sábado de manhã, quando fui à casa de banho, vi que os raios de sol entravam casa dentro. Não tive coragem de desperdiçar as horas que tenho vagas deitada numa cama e fui para a rua. Tomei o pequeno almoço numa esplanada,  a ver senhoras passearem os cães, e acabei por ir às compras de Natal, onde me encantei com uns legos para o meu afilhado.
Depois, já em casa, e como o sol continuava a bater nas janelas, fui até à praia, beber um sumo de laranja, que apesar de ter custado três euros me soube como champanhe francês.
Fui bom. À noite o irmão e o amigo do moço jantaram lá por casa e ficamos em amena cavaqueira acerca de tudo e de nada, que é como quem diz mulheres. Ah, a filosofia de dois solteirões acima dos trinta anos... Há qualquer coisa de "ah e tal, quero mulher, mas não me quero envolver muito nisso, porque este corpinho ainda não pode sair do mercado" disfarçado de "hum, não consigo confiar em ninguém" e "hum, as mulheres são um bicho estranho".
Fiquei ali, sem lhes puder dar uma opinião sincera e adulta, não só por os não querer escandalizar, como por o tempo em que eu era dona da verdade já ter passado, e neste momento não saber absolutamente nada da vida e das relações humanas.
É verdade. A minha relação é a prova disso. Tenho um namorado giro (está a ficar barrigudo à conta das porcarias que come naquele país maldito), extremamente inteligente, compreensivo, que me ama e não tem qualquer problema em o demonstrar. Sem traumas, nem tristezas, nem fugas em nada. Que confia em mim, que preenche tudo aquilo que procurei sempre. Que me dá estabilidade, serenidade, confiança. Que passa horas da vida a responder às perguntas mais idiotas que lhe faço e para as quais tem resposta. E do outro lado da relação... estou eu. Eu. Euzinha, que vocês devem conhecer de outras andanças. Que me conheço tão bem e tão mal ao mesmo tempo.
Vá-se lá entender isto das relações.

No domingo fui enfardar um belo de um cozido à portuguesa a casa dos papás e passei a tarde a cozinhar sopa. Por volta das cinco, o irmão do moço, que estava sozinho em casa e não queria cozinhar fez um convite disfarçado para ir com ele jantar fora. acabamos por encomendar pizzas (tinha-me esquecido o quão são enjoativas) e ficar no sofá, a ver as tipas no facebook em quem o solteirão anda de olho, a apreciar mamas e rabos, e a tratar gente como montes de carne, vendida ao quilo. Sou uma javarda.


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publicado às 17:52