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dos óculos

por M.J., em 02.02.15

eis a fórmula da desgraça:

esta manhã fui correr.

sem óculos.

a chover.

 

tão lindo!

 

eu tinha decidido ontem ir correr hoje e, apesar de chover quando acordei, fui na mesma, imbuída por um espírito de saúde. optei, no entanto, por deixar os óculos em casa, uma vez que correr com eles na chuva seria sinónimo de:

  •  passar mais tempo a limpá-los do que a correr;
  • tê-los baços (mesmo com tanta limpeza visto que camisola e/ou toalhita ensopadas não resolvem);
  • praguejar alto por estar sempre a parar;
  • não os limpar e não ver um cu furado (ao menos sem ele a visão - ou não visão - é sempre a mesma e não cortada por minúsculas gotas). 

 

acontece que, como bem sabem, sou míope.

e não meus senhores, não estamos a falar de uma miopiazinha qualquer, daquelas que nos queixamos aos onze anos porque todas as nossas amigas usam óculos. a minha não. sou orgulhosamente detentora de uma miopia decente, das gordas, das em grande, das que vale a pena, das que está ao nível de:

  • não conseguir distinguir caras a mais de um metro de distância;
  • ter de chamar alguém para procurar os óculos quando os ponho noutro sítio que não o habitual;
  • encostar o ecrã do pc aos olhos.

mais ou menos isto, mas em pior:

maxresdefault.jpgah, e por que é que não usas lentes MJ?

porque sou uma incapaz!

porque sou uma tola que, perante a perspectiva de tocar nos olhos, faz cara azeda, enjoa, torce o nariz, quase chora, numa repulsa inimaginável.

imagino até que para colocar as ditas iam ser precisas cinco pessoas a segurar-me para que não batesse em ninguém. 

 

(pausa: mais bonito do que isso só mesmo o meu primo que aos cinco anos, ao tomar uma vacina, teve três enfermeiras e os dois pais a segurá-lo, porque tomado de uma raiva ensandecida esbracejava por tudo e apelidava toda a gente de rameiras doentes).

 

enfim, fui correr sem óculos.

e à primeira vista nada de mal.

quer dizer, mais ou menos. é que já na rua, dou de frente com um drama: alguém acenava ao longe e eu era incapaz de distinguir se:

  • era alguém efectivamente a acenar-me;
  • era o vento a bater em qualquer coisa;
  • era um violador a atrair-me para a sua teia.

(vai-se a ver e era o meu vizinho de cima (sim, o do sexo às sete da manhã) gesticulando do outro lado da rua, num pedido de ajuda com sacos e lixo.)

 

depois, a caminho do parque outro problema: os carros não paravam no semáforo.

estive mais de dez minutos a achar que o era uma partida do destino até que, encharcada até aos ossos, um carro parou deixando-me passar, constatando eu depois que o filho de mil pulgas com herpes do sinal estava desligado.

lindo serviço.

 

enfim, toda uma consumição.

no parque passei por cima de poças de água porque as não conseguia ver e franzi mais os olhos do que um chinês ao sol, acabando por desistir, encharcada, cansada e com mais rugas do que começara.

não foi bonito. 

 

agora digam-me lá:

não há mesmo problema nenhuma em usar lentes?

do género, não fico cega e sem olhos?

tipo, não tenho um choque qualquer e morro com um objecto estranho nos olhos?

quer dizer, é mesmo seguro?

 

alguém por aí que sofra do mesmo mal?

 

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publicado às 14:30