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e depois ponho-me a pensar

por M.J., em 04.02.16

o equacionar como seria partilhar a vida com outra pessoa, em específico, para além da pessoa com quem já se partilha a vida, não é já por si uma deslealdade?

o imaginar, ponderar, até fazer planos que não se concretizam; o pensar no sabor dos beijos do outro; o imaginar das conversas e risadas com o outro; o fantasiar planos com o outro não é também, ali, ao mesmo nível com o beijar, o conversar, o rir e o fazer planos com o outro, uma deslealdade?

a deslealdade está só no fazer ou entra no querer fazer?

 

pior que traição meus senhores, é deslealdade.

e estou em crer que esta é uma delas.

partilhá-la com meio mundo que se conhece e não conhece aumenta para o dobro o sabor amargo que provoca. 

creio.

que não percebo nada disto.

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publicado às 10:00


10 comentários

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De Neurótika Webb a 04.02.2016 às 10:25

Só as mulheres é que pensam nesses termos. Enquanto para nós a traição emocional é a pior, para os homens só conta a carnal.
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De Nay a 04.02.2016 às 11:09

Agora disseste tudo!!
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De M.J. a 04.02.2016 às 14:26

pois eu acho que a carnal é a mais fácil de se perdoar.
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De Neurótika Webb a 04.02.2016 às 15:40

É isso mesmo que eu estou a dizer. Para nós não há nada pior que a traição emocional.
O facto de haver uma conecção emocional com outra pessoa é devastador, bem pior do que pensar na parte física.
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De Sarabudja a 04.02.2016 às 10:40

Essas coisas também te apoquentam o espírito?
Tenho uma conhecida que faz observações dentro desse género de fantasias. Acho desleal, mas sobretudo, acho que é uma tremenda falta de respeito para com quem Está com ela porque escolheu.

Sou previsivelmente parola no viver, eu sei, mas se eu escolhi uma pessoa entre tantas que há no mundo, tento não a expor ao ridiculo, aos olhares estranhos dos outros. Talvez isto se chame Amor. Ou só sou mesmo uma pascácia.
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De M.J. a 04.02.2016 às 10:52

eu penso nisso porque ouço. porque leio. porque vejo. porque encontramos nas esquinas quem o diga, quem o escreva, quem o mostre.
fico sempre tremendamente parva com as capacidades de deslealdade do ser humano.
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De Sarabudja a 04.02.2016 às 11:24

Serás tu também uma parola no viver?
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De M.J. a 04.02.2016 às 14:26

sem qualquer dúvida.
diria mais: altamente parola.
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De Sarabudja a 05.02.2016 às 09:42

Acho que a nossa história de vida daria um mau livro e uma péssima novela com elevada audiência: pessoas muito parecidas, nascidas com 10 anos de diferença, que são altamente parolas no viver.
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De Teresa Almeida a 09.02.2016 às 12:13

Ando há uns dias a ler e reler esta publicação, sem saber se deveria contar uma história - eu nem tenho jeitinho nenhum para as escrever e sei tantas...
Decidi-me, as pessoas envolvidas já não pertencem a este mundo e não deixaram «herdeiros» nem quem possa reconhecer os factos.
Por motivos particulares, vi-me envolvida com um grupo de pessoas a quem, durante anos, dei algum apoio. Não estava sozinha, mas nunca soube bem porquê, havia quem não gostasse de falar com a outra moderadora do grupo e me procurasse «fora de horas» para conversar.
Uma das senhoras, pessoa discreta, de poucas falas, um dia contou-me a história dela.Casou cedo, por amor, escolha dela. Cedo também percebeu que o marido, que nos quatro anos de namoro era espectacular, tinha o gosto de a humilhar sempre que possível: em privado, à frente de família, de amigos. Coisas muito subtis, quase como uma piadinha de que muita gente não se apercebia, mas que a foram «arrefecendo» ao longo dos anos.
Pensou várias vezes na separação mas, sem trabalhar fora de casa, sem grandes estudos e num meio pequeno, sabendo que dele não veria um tostão para a sobrevivência dela e dos pequenos, foi ficando, sempre calada.
Um dia, ele quis que o acompanhasse a um almoço de antigos alunos da escola que frequentaram. Reencontrou um «miúdo» de quem já nem se lembrava, tantos anos tinham passado sobre a partida dele para longe. Delicado, educadíssimo, trocaram meia dúzia de palavras, endereço de email para ele lhe enviar umas fotos dos pais e terminou a conversa.
Mas no mesmo dia, mais uma humilhação do marido, à mesa com os amigos, atiraram-na para a fantasia: começou a imaginar como seria viver com o F., que via de longe tratar a companheira com toda a delicadeza. Passou a ‘viver’ com o F., criou, como me disse, uma zona de conforto na cabeça dela, que lhe permitia refugiar-se sempre que havia maus tratos (psicológicos, só), cada vez mais frequentes.
Viu o F. mais duas ou três vezes, de «raspão», como ela dizia. Nunca ele soube que eram «amantes»…Ela viveu e sofreu com a doença dele, com as perdas com que a vida o tramou (e que ela conhecia na pele, por isso estava no tal grupo), sempre de longe.Alegrou-se com o nascimento dos netos dele, quase como se fossem os que ela nunca teria.
Como me disse, aprendeu, sem curso, a ser uma excelente actriz, sem palco e sem público.
Quando me contou esta vida que achei mirabolante, estava finalmente em paz: estava ‘viúva’ dos dois, podia fazer o que queria, ser ela mesma pelo tempo que lhe restasse.

E eu, que até muito tarde na vida, achava inadmissível alguém ter outra pessoa, mesmo que só em pensamentos, quanto mais em palavras e obras, com as vivências das mulheres que me procuravam, deixei de ser tão «preto no branco». Hoje, cada vez mais concordo com a minha Avó, quando me dizia que ‘só quem vive no convento sabe o que lá vai dentro’ ou que o casamento é uma carta fechada que nos reserva muitas surpresas ao longo da vida: umas são boas, outras muito más…

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