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ela

por M.J., em 23.08.15

tu estarás em sorrisos de sol. tu serás parte das curvas e dos labirintos que acabam em gargalhadas. será a tua mão estendida que se colará na minha quando estiver quase a desistir. tu aconchegar-me-ás os lençóis em noites de trevas, num cheiro a bafio e morte que só eu consigo sentir. tu cortarás a tua camisa em pedaços suaves de lenços, macios de nuvens, para socorrer as minhas lágrimas, que não sei de onde nascem.

mas que tu sabes.

 

tu serás, ainda que eu não veja e tu te esforces por mostrar, sempre minha irmã, colada em tardes quentes de verão, que não passámos, a comer pão fresco e chocolate, numa casa que não era minha, mas na qual tu eras tu, integralmente. e onde eu te via, em sorrisos de luz, sem nunca ter visto.

tu terás o nome que eu te dei, que aceitas e através do qual tentas chegar a mim. ainda que te afaste, com a rudeza de espinhos que sou feita, em arbustos bravios de floresta.

tu serás a ideia de determinação e liberdade em caracóis revoltos a correr nas costas.

tu serás tu sem desistir de mim. e eu não tenho nem consigo dar-te nada. nem a mim mesma.

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publicado às 10:04



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