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ela pensa assado, eu penso cozido

por M.J., em 23.07.15

a magda confessa-se gorda na página 40 de viagens, o livro, convidando à reflexão de vários aspectos.

ide lá, sim, para discutirmos a coisa convenientemente?

 

também vou falar sobre isso.

desde sempre que me lembro de ser gorda. a meio do percurso que me trouxe até aqui emagreci uma altura, de uma forma descontrolada e sem acompanhamento que me produziu diversas mazelas e originou uma série de complicações de saúde que só aos poucos me vou livrando. corrijo: contribui, enfim, não originou per si.

o que interessa é que, seja como for, e parecendo eu num bom dia uma vaca somente meia prenha, não concordo quando a maioria das pessoas insiste me dizer que há uma discriminação entre gordos e magros e que o mundo devia ser revisto.

devia, efectivamente ser revisto, mas talvez não na dimensão que a maioria das pessoas fala. 

ser gordo, ter perímetro abdominal, ter umas gordurinhas a mais alimentadas por sedentarismo, açúcar, comida que nos apetece de forma descontrolada, desleixo por gordura a mais ou a menos, não é de louvar da mesma forma que não é de louvar a anorexia e a bulimia.

as pessoas entraram num ciclo oposto e no fundo, como todos os círculos vai dar ao mesmo. de repente o mundo acha que anorexia é um mal tremendo, que é, e que os meios de comunicação e as pessoas são responsáveis pela magreza em extremo e pela doença. para combater isso pega-se em gente obesa, numa obesidade quase mórbida em capa de revista e diz-se que é bonito, que é bom, que é alternativo.

lindo serviço. deixamos de apregoar as virtualidades de uma doença para apregoar as virtualidades de uma outra.

não falo de gente que tem dois ou três quilos a mais do peso. de gente que tendo peso a mais tem uma alimentação cuidada. de gente que sendo gorda faz por mudar isso com desporto, alimentação saudável. falo de gente que desistiu completamente, como eu o fiz em tempos, se pesa cinquenta, oitenta, cem ou duzentos. de gente que simplesmente entrou na rotina de comer tudo o que lhe vem à cabeça, tudo o que apetece porque não vale a pena esforçar-se visto que enfim, é gordo e é, portanto que se foda.

pegar nessa gente e desculpar, desculpar a própria preguiça de quem desiste de ser saudável é tão grave como dizer a alguém em magreza extrema que não devia comer pão mas enfrascar-se de alface, porque está gorda. são duas faces do mesmo problema.

mas é sempre mais fácil entrarmos no facilitismo, né?

pois é. por isso vamos todos partilhar umas batatinhas fritas, sim?

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publicado às 11:37


18 comentários

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De (des)Esperança a 23.07.2015 às 12:21

o mais "grave" são aqueles (como eu) que durante (40) anos são magros, giraços e jeitosos, e passam à categoria de baleias andantes num ápice....
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De M.J. a 23.07.2015 às 14:19

define esse ápice.
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De (des)Esperança a 23.07.2015 às 16:48

ápice de gerar, parir e amamentar um puto... bota lá 3 anos...
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De anacb a 23.07.2015 às 12:44

a questão essencial dos muitos quilos a mais ou a menos está essencialmente, quanto a mim, nos problemas de saúde que isso acarreta, sobretudo com o passar do tempo. pela experiência de alguém que me é muito próximo, o excesso (mas excesso mesmo, não são oito ou dez quilos a mais) de peso tem a longo prazo graves (muito graves) repercussões na saúde, principalmente na altura em que ela nos começa a faltar mais, e pode impedir que se tenha uma boa qualidade de vida quando se atinge a terceira idade. quanto aos muitos quilos a menos, esses afectam a saúde sempre, e sei de quem tenha ficado com sequelas para o resto da vida. tudo o que é em exagero, não é bom. tirando estes casos extremos, acho que cada um deve ser tão magro/gordo quanto se sentir melhor na sua pele...
e umas batatinhas fritas de vez em quando, se forem boas, não matam ninguém... :-)))
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De M.J. a 23.07.2015 às 14:21

acho que cada um deve ser tão magro/gordo quanto se sentir melhor na sua pele...

lá está, esta afirmação só serve contextualizando com tudo o que disseste atrás. mas o que acho é que muita gente, por se sentir bem com a gordura em excesso não faz nada por não a ver como uma doença.
era ai que eu queria chegar. e desculparmo-nos a nós mesmos com essa desculpa é triste.
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De anacb a 23.07.2015 às 16:55

É verdade, concordo inteiramente contigo. Como disse, tenho uma pessoa muito próxima que toda a vida teve excesso de peso e sempre usou toda a espécie de desculpas para nunca achar que o problema estava nos seus hábitos alimentares. E ainda por cima trabalhando na área da saúde...
Quando falo em tão magra ou tão gorda é precisamente como disseste, dentro do contexto do saudável - ter meia dúzia de quilos a mais ou a menos não é propriamente grave, desde que isso não afecte a saúde da pessoa. Há quem se sinta melhor com um pouco de peso a mais, e há quem (como eu!) ranja os dentes de raiva quando a balança marca mais meio quilo... O importante é não cair no exagero.
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De Magda L Pais a 23.07.2015 às 13:08

Não digo que também não tenhas razão. Mas repara. Algumas pessoas são gordas por doença. E essas também são descriminadas. Inclusivamente em hospitais que se dizem de ponta e que se consideram pioneiros no tratamento da obesidade.
Outras são por serem altas... o Miguel, por exemplo, se considerarmos apenas que tem 1.93m de altura, não cabe nas macas de hospital. Se considerarmos que, além do excesso de altura, tem excesso de peso, não consegue fazer uma boa parte de exames médicos...
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De M.J. a 23.07.2015 às 14:23

o miguel é, com verdade, alto. bastante alto. e tu também és bastante alta. logo o peso aumenta consoante a altura. e é verdade que todas as coisas, sejam nos hospitais, sejam em coisinhas banais do dia a dia estão feitas para gente mais baixa e mais magra. talvez esse conceito devesse ser mudado sim. concordo plenamente. nem é preciso estar acima do peso para uma pessoa mais alta ter dificuldades em encontrar certas roupas ou enquadrar-se em certas coisas. mas isso só por si é uma coisa. já diferente é o peso em excesso, sem fazer nada para o combater, com a desculpa que não vale a pena.
era aí que eu queria chegar minha linda.
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De Maria Araújo a 23.07.2015 às 14:58

O facilitismo é grave.
Como diz o ditado,"nem tanto ao mar, nem tanto à terra".
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De M.J. a 26.07.2015 às 16:03

eu não resumiria melhor.
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De marrocoseodestino a 23.07.2015 às 20:55

Estou a ver que tenho de acabar rapidamente o livro que ando a ler para passar ao livro da Magda. Chegou esta semana(autografado) e por mais vontade que tenha de o ler tenho de acabar o outro. sim porque aqui a menina atrofia o cérebro lendo dois ao mesmo tempo.
Quanto ao pessoa a mais ou a menos, trabalhei numa loja de produtos diatéticos, especialmente para emagrecimento e com consultas e digo-te que tínhamos todo o tipo de pessoas. Umas esforçavam-se para perder peso, outras queria resultados milagrosos, outras apenas andavam lá porque as amigas também andavam. Mas de todas há uma que jamais esqueço, era magra, mas bastante e queria emagrecer ainda mais. a mulher insistia que tinha peso a mais e nem os produtos para tratar a ansiedade e o acompanhamento resultavam. A nutricionista fez de tudo para a ajudar e a mulher só queria ver a balança descer.
Umas batatinhas fritas? Pois, foi o meu jantar a acompanhar uma carne de porco à alentejana.
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De M.J. a 26.07.2015 às 16:03

agora até enfardava o porco e as batatas. mas estou tão descomunalmente gorda quémelhor não.
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De Isa a 24.07.2015 às 01:11

Tenho dois casos próximos, em ambos os extremos da questão.. e não me parecem muito interessados em seguir a via do saudável :/
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De M.J. a 26.07.2015 às 16:02

nunca estão.
é mais fácil não o fazer, pressuponho.
pelo menos... custa menos.
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De Cris a 30.07.2015 às 18:34

Olha, eu tento.
Mas eu só queria dizer que as batatas fritas provocam-me caganeira e hemorróidas! (tenho a certeza que com este meu testemunho já consegui que uma data de pessoas não coma mais batatas fritas...


...ou que não leia mais os meus comentários)
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De M.J. a 30.07.2015 às 22:56

hemorroidas e caganeira?
juras?
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De Cris a 30.07.2015 às 23:14

Não queres o comprovativo, pois não?
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De M.J. a 30.07.2015 às 23:20

ahahhahahah
n, merci. dispenso bem.

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