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jurei que ia entrar em 2017 muito mais contida no vernáculo.

faz parte do crescimento. uma pessoa deita-se e acorda e deita-se e acorda e, se não cresce, tanto deitar e acordar só serve para gastar colchões.

 

ainda assim há coisas que prontos (com s), me enervam a pontos de não perceber muito bem qual a reacção a adoptar, tanto mais que, enfim, uma pessoa não pode começar aos gritos com o ecrã prometendo porrada e caralhadas só porque, seja, não entende o mundo.

a notícia que agora vos deixo foi lida - creio - no fim de semana.

ontem a filipa falou sobre ela (e disse grande parte do que eu queria dizer) e após ler os comentários fiquei ainda com mais ânsias porque, mesmo sendo abordado, não me foram esclarecidas uma série de interrogações que me apoquentam.

e do que falas M.J., diz lá.

de um protesto por parte da federação portuguesa de cicloturismo devido a... rufem os tambores: 

"Em causa, está a obrigatoriedade do uso do capacete pelos ciclistas, considerando os organizadores do protesto "um evidente desincentivo ao uso da bicicleta para curtas deslocações e a baixa velocidade".

portanto, vamos lá dissecar a coisa:

* as pessoas gostam de andar de bicicleta.

* há pessoas que gostam tanto que circulam no meio da estrada - têm direito, pois têm - a par com outros - têm direito, pois têm - encalacrando o trânsito todo (tal como o ti manel lá da aldeia, no seu papas reformas) - têm direito, pois têm.

* as pessoas atrás enunciadas sabem que existe uma grande "mortandade" na prática do seu passatempo, derivado de (sim, hoje estou para escrever mal) pessoas que conduzem carros, camiões, motas e motinhas - esses vilões - andarem no meio da estrada, em vez de circularem nas pistas que lhes são devidas. 

* as pessoas atrás enunciadas estão tão obcecadas com os seus direitos e com os vilões que conduzem coisas com motor, que preferem essa mortandade a ser minimamente equiparados a veículos motorizados, no que a deveres diz respeito.

é isso?

é isso?

 

vamos lá ter calma, que não pode ser isso.

pedalar causa a ideia, em quem o faz, que têm um crânio de aço?

o facto de terem umas coxas amplamente musculadas e o ritmo cardíaco de um jogador de futebol transforma-os numa espécie de deuses a desdenhar objetos que lhes aumentam a segurança?

mesmo conduzindo com duas rodinhas entenderão que se caírem a cabeçorra vai manter-se imaculada?

 

e depois passando à argumentação, a segurança pode desmotivar a pessoa a andar de bicicleta? e isso é mau?

oh meus amigos! se alguém quer andar de bicicleta sem segurança é bom que se desmotive se for obrigado a tê-la, não acham? não deviam dar vivas por isso, ou na vossa obsessão de pôr as pessoas a fazer exercício físico chegaram a uma espécie de demanda que antes morto que sem pedais?

 

há aqui qualquer coisa - como há em todas as coisas extremas - que escapa à percepção do comum mortal.

não entendo o que pensará um desportista que prefere pôr em causa a sua segurança e a dos outros, apenas e só porque é chato. o que dirá alguém que defende isto se vir alguém a correr, de noite escura, no meio da estrada sem sinalização?

ah, ainda bem que está assim, que o que interessa é correr e se pôr o colete desmotiva ao exercício... antes morto que no sofá. 

 

não consigo perceber. juro que não, e nem é por maldade ou por não querer fazê-lo.

já me custa entender que um grupo de homens feitos - que conduzem possivelmente todos os dias - se arrisquem a circular de bicicleta aos pares, em estradas de curva e contracurva no meio da serra (com a ciclovia ao lado), sem visibilidade alguma.

agora que a federação destes senhores seja contra o uso de capacete - que lhes dá segurança a eles - é coisa que não me entra na mioleira.

 

oh loira, tu que percebes disto, anda cá, ajuda-me: afinal o que vai na mente do pessoal que pedala, no que diz respeito a isto?

 

 

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publicado às 11:31


42 comentários

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De Maria a 11.01.2017 às 12:44

És brilhante!
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:27

sou nada.
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De Gaffe a 11.01.2017 às 13:17

Vais apanhar tau-tau...
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:27

ia dizer que não, que ninguém me dava atenção para tanto, mas afinal tinhas razão. há sempre uma alminha.
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De Lady Kina a 11.01.2017 às 14:19

Eu, enquanto peão e utente de transportes públicos, fico ansiosamente a aguardar que me obriguem a usar capacete: é que atravesso estradas, nem sempre com/nas passadeiras, e se por algum infortúnio me calha ser atropelada, considero que o uso do capacete teria óbvias vantagens (nem que não as atravesse, o povo sabe que às vezes os veículos galgam os passeios). Nos autocarros, comboios e metro, idêntica situação ocorre. A pessoa está ali sossegada, a olhar pela janela e, às tantas, dá-se o acidente, ou até uma árvore que cai, com o vento, e lá está, toda a gente estaria muitíssimo mais protegida se usasse um capacete. Vendo bem as coisas, até, espero que haja alguém com o bom senso e coragem suficientes para decretar o uso obrigatório de capacete, assim, sem mais, em todo e qualquer lugar, sob qualquer circunstância, sendo que aquelas pessoas irresponsáveis que optem por não rapar o cabelo, só o poderão tirar para lavar a cabeça em banho de imersão e sentados em cima de um tapete antiderrapante, no duche não podem porque é evidentemente perigoso. Fico cega dos nervos sempre que penso que existem mães que saem da maternidade, após parir, sem o capacete enfiado nas frágeis moleirinhas dos seus bebés, são pessoas muito más que deviam ser proibidas de ter filhos, eu cá acho. Enfim, para mim, é isto.


(acaso optes por não publicar o meu comentário, faz-me um favor e não te ponhas a responder-me, pode ser?)
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:24

olha lá kina, por que motivo insistesem perder tempo a ler e comentar o que escrevo se te abespinhas tanto? (é que isto já vem de há anos).

é uma daquelas coisas que me apoquentam a alma. lá ter alguém que não goste das minhas opiniões aceito bem. ter alguém que nunca gosta delas e continua a lê-las entra num nível de masoquismo que nem a gaja das cinquenta sombras do outro consegue suportar.
gostarás tu de chicotes e vendas e porradinha no lombo?
é que repara, este blog nem é dos famosos...

quanto ao que dizes: quando for permitido aos peõs caminharem a par no meio de uma estrada, não se desviando para passar os carros, então fará sentido. até lá... é só mais do mesmo: embirração (que eu entendo, é recíproca).
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De Lady Kina a 11.01.2017 às 14:50

Há coisas com as quais embirro, sim, e tu não és uma delas. Já com o que se segue, pode dizer-se que embirro um bocadinho, embora também dependa dos dias:

"agora que a federação destes senhores seja contra o uso de capacete" -

aquilo que aqui afirmas é falso, pura e simplesmente, porque o que está em causa é serem contra o uso obrigatório do capacete em toda e qualquer circunstância (o que legitimamente pode ser considerado ridículo, não obstante haver igualmente argumentos a favor dessa obrigatoriedade) e não serem contra o uso do capacete, situação (imaginária) que vens a ridicularizar. Embirro um bocadinho com falácias, é verdade, contra ti nada.

(de resto, hei-de continuar a cá vir, mesmo sem capacete, se isso não te causar grande transtorno, caso contrário, estou certa de que encontraremos uma solução)

(e deixa-te lá de merdas que já não te vinha chatear há muito tempo, caramba, vá, agora só volto na primavera)
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:58

ok. dou a mão à palmatória quanto a isso de não chateares há algum tempo. tens razão. mea culpa.

quanto ao resto, também entendo, ainda que não na totalidade (sobretudo a parte da falácia).
é que vejamos, o uso de capacete em qualquer situação, em cima de uma bicicleta, é ridiculo? depende. é que em qualquer situação (mesmo em baixa velocidade, mesmo indo ali ao lado, mesmo numa reta) é possível acontecer um acidente. e é possível que esse acidente seja mortal. e é possível que quem causar esse acidente nem tenha grande culpa. e é possivel que tenha de andar com um processo crime às costas durante anos. mesmo sem culpa. e é possível que tudo fosse evitado com um capacete nas trombas.
entre ser ridiculo mas seguro acho que é preferível a segunda opção.

além disso, se o objetivo da federação é que se incentive a prática de desporto, esse incentivo nunca pode ser feito à custa da segurança.
que algumas pessoas assim pensem é compreensível. mas que a própria federação também, com tal argumento... é um nadinha estranho.
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De A Loira a 11.01.2017 às 15:02

"o que está em causa é serem contra o uso obrigatório do capacete em toda e qualquer circunstância"

Lady Kina, eu sou ciclista, um dia destes fui pedalar para a pista aqui da cidade, onde só circulam ciclistas e passei por um senhor que se desequilibrou por pura distracção, bateu com a cabeça no chão e... não sei como hei-de explicar, mas imagina uma pequena mangueira a deitar sangue, a cabeça dele era isso, ele estava inconsciente e da cabeça saía um rio de sangue, saía não, aquilo parecia uma torneira. Não sei como ele ficou, só sei que eu preferia não ter visto aquilo e que se ele levasse capacete, apesar de ter ido dar só uma voltinha e não ter pedais de encaixe, nem licras fluorescentes, nem luvas, nem óculos xpto, nem uma bicicleta de carbono que lhe custou milhares de euros, talvez tivesse ficado muito melhor da pequena queda por distracção.
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De M.J. a 11.01.2017 às 15:09

eu acho que é tudo uma questão de bom senso. e não entendo porque custa, a determinadas pessoas - neste caso alguns dos ciclistas - ter esse mesmo bom senso.
o desincentivo ao desporto não cola. será uma questão de estilo? de despentear cabelos? ou é o preço dos capacetes? nem sei quanto custam... será por isso?
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De A Loira a 11.01.2017 às 15:14

Um bom capacete é caro, mas também os há acessíveis. Em relação aos cabelos, não sei, eu já fui à cabeleireira de manhã e de tarde capacete e BTT, sei lá, gosto de ter oportunidade de voltar a cortar o cabelo sempre. E como te disse, na minha última queda, por exemplo, voei e caí de cabeça nas pedras. O capacete partiu, se não estivesse lá eu não ia ficar muito bem.
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De Ricardo_A a 11.01.2017 às 18:23

O argumento de que preferias não ter visto esse senhor a jorrar sangue, sentimento que eu compreendo porque não deve ser agradável, também pode ser usado para inúmeras coisas.

Porque não obrigar que nos saltos de trampolim os ginastas tenham de ir vestidos com fatos almofadados e capacete ? Não é nada agradável ver um desgraçado qualquer com a perna ao contrário ou com a cabeça aberta.

Há inúmeras coisas em que se arranjam "bons motivos" como este para limitar a liberdade individual quando o principal interessado em, alegadamente, se proteger é mesmo o próprio.
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De Anónimo a 11.01.2017 às 14:52

"gostarás tu de chicotes e vendas e porradinha no lombo? "

quanto a isto, ai amiga, sabes lá tu, sabes lá!...
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De M.J. a 11.01.2017 às 15:08

ahahahahahaah
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De Lady Kina a 11.01.2017 às 15:09

:DDDDDDDDDDDDDDDDDDDD
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De A Loira a 11.01.2017 às 14:50

Sobre este assunto só escrevi uma vez e continuo a manter a minha posição:
http://tambmqueroumblog.blogspot.pt/2015/12/loira-defensora-dos-ciclistas-parece.html

E se em relação às regras de trânsito e aos direitos e deveres eu até consigo compreender ambas as partes, apesar de me doer mais na pele quando um carro passa por mim a fazer uma tangente e me põe a vida em risco, mesmo eu tentando cumprir sempre as regras de trânsito, do que quando vou a conduzir e tenho de esperar que os gajos se desviem ou que o trânsito me ajude a conseguir ultrapassar as licras.

Em relação ao capacete e a um eventual seguro obrigatório a minha opinião já não é tão flexível assim, para mim sim, o uso do capacete, assim como o seguro que protege ciclista e terceiros deveria estar na lei como obrigatoriedade. O que passa na cabeça desta gente que protesta, desta associação e das pessoas que se acham muito inteligentes por não querer usar capacete não sei, só sei que não conseguiria pedalar se não me sentisse protegida e olha que o capacete já me salvou a vida.

Portanto, o que tenho a dizer é que como em tudo na vida, não gosto de generalizar, os homens não são todos iguais, as mulheres não são sempre a mesma coisa, os ciganos não têm de ser ladrões, os funcionários públicos não têm de não fazer um caralho todo o dia e os ciclistas, além de não serem todos bem dispostos e compreensivos (falando da caixa de comentários da Pipinha aquando do primeiro post dela sobre o assunto) também podem ser burros, burros que nem umas portas, diga-se.
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:59

pronto, esclarecida, concordo em pleno.

obrigada por aqui vires, nesta estreia!
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De Ricardo_A a 11.01.2017 às 14:58

Eu quase não ando de bicicleta mas quando o faço é com capacete, sem que seja preciso uma lei obrigar-me. Ainda assim discordo totalmente que seja o estado a determinar algo que diz respeito apenas à segurança do próprio.

MJ, porque é que no texto dizes "não entendo o que pensará um desportista que prefere pôr em causa a sua segurança e a dos outros, apenas e só porque é chato." ?

No caso do capacete não vejo como pode colocar a segurança dos outros em risco. Vejo-a apenas como uma protecção individual. Fiquei curioso sobre este ponto em concreto.
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De M.J. a 11.01.2017 às 15:05

tens razão e talvez não tenha sido a melhor maneira de me exprimir. ainda que aconteça, sobretudo em pais responsáveis pelos menores: se não exigirem que ponham capacete põem em causa a segurança daqueles.

quanto ao resto podem causar uma série de sarilhos a outros, que vai desde traumas, a processos crimes, a culpas, a enfim... (parece mesquinho perante a morte, por exemplo, mas as coisas são o que são).

Por fim, não concordo em pleno quanto ao que referes do estado. é obrigação do estado - também - regular algumas das opções dos particulares, mesmo aquelas que - supostamente - só a eles lhe dizem respeito. porque nunca só a eles lhe dizem respeito quando inseridos numa comunidade. (exemplos? alcool, tabaco, obesidade, licenças... enfim).
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De Ricardo_A a 11.01.2017 às 18:03

A minha objecção não era relativamente a menores (penso até, sem certeza, que o uso de capacete já é obrigatório em menores). Eu nos menores concedo que o estado tenha de se imiscuir na vida privada para defender alguém que ainda não possui a capacidade de decisão e liberdade necessária.
A minha questão era apenas sobre a obrigatoriedade (esta e muitas outras) sobre pessoas adultos.

Em relação à questão de "que é obrigação do estado regular opções individuais" eu sigo um principio razoavelmente simples que é questionar-me se poderá haver vitimas inocentes.A resposta a essa pergunta determina se o estado deve, via lei, condicionar a liberdade individual.
E, sim, isto faria com que muita da tralha legislativa simplesmente desaparecesse por ser inútil, na minha opinião, além de extremamente atentatória à liberdade individual.

Em relação ao caso concreto do capacete, o argumento sobre os problemas que "podem causar uma série de sarilhos a outros, que vai desde traumas, a processos crimes, a culpas, a enfim... (parece mesquinho perante a morte, por exemplo, mas as coisas são o que são).", há duas situações para quem manda uma porrada no ciclista: o condutor do veiculo ou tem culpa ou não tem culpa (e isso não depende da outra ter ou não o capacete).

As consequências podem ser diferentes, sim, mas isso aplica-se a inúmeras situações na via pública.

Devemos também proibir as pessoas de vestir de preto à noite, uma vez que se torna mais difícil a sua visualização por parte de um condutor ? (não é uma pergunta irónica).
Se toda a gente se vestir, por exemplo, de branco também evitamos alguns acidentes, feridos, mortos, traumas, indemnizações, chatices legais, etc.
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De Lady Kina a 11.01.2017 às 15:02

"Os menores são, em conjunto com os idosos, os dois grupos etários mais atingidos pelos atropelamentos por veículos motorizados, ocorrendo a grande parte e vitimando crianças nas proximidades de escolas. Exige-se que as autoridades portuguesas actuem urgentemente sobre este inaceitável flagelo"

lá está - capacete com eles!!!!

(a primavera ainda não chegou, calma, estamos ainda a falar do mesmo assunto, e como vês, o assunto não és tu!)
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De M.J. a 11.01.2017 às 15:07

espera, deixa ver se entendo:
estás só a ser irónica porque sim ou não consegues mesmo ver o meu ponto de vista?
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De Gaffe a 11.01.2017 às 15:51

Eu sou contra o uso do capacete, dos calções de lycra, das camisolas a condizer, dos óculos, das coisas que trazem nos pés, do saquinho à cinta, das meias pequerruchas, das cotoveleiras, das joelheiras e, se pensar um niquinho, das bicicletas. Umas maroconices que não protegem nada.
Sou contra.
Pedalem nus com o pirilau a bater na roda da frente ou com o selim enfiado no pipi. A liberdade exige.

E não vale a pena desancarem no que disse que eu vou de carro e já não ouço nada.
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De M.J. a 11.01.2017 às 15:54

ahahahahahahahahahaha

eu sou a favor dos calções de lycra. com o pirilau a bater no guiador, dependendo do pirilau e do guiador, era menina para ter de vir a sentar o rabo no mocho (sabes o que significa esta expressão?) depois de uma distração fatal.
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De Gaffe a 11.01.2017 às 16:02

Sei!
:)
Mas eles não usam um colchão enfiado nos calções para proteger as miudezas?!
O pirilau não bate no guiador se usarem calções. Pode no máximo enfiar-se no rabo.

... mas que distrai muito, isso não nego ...
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De Rui Pereira a 11.01.2017 às 16:24

Olá M.J.

Sou a favor da utilização do capacete e até acho o seu uso recomendável, mas sou contra a obrigatoriedade!

Atenção que é preciso distinguir a bicicleta como utensílio desportivo e como meio de transporte, são ambientes e circunstâncias completamente distintas!

De resto a minha opinião está patente neste texto:
«Capacete obrigatório? Não, obrigado!»
http://bikeazores.blogs.sapo.pt/capacete-obrigatorio-nao-obrigado-32494
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De Fatia Mor a 11.01.2017 às 21:17

Isto recorda-me duas situações particulares em Portugal: quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório em todas as deslocações e quando o capacete passou a ser obrigatório para motociclistas.
Não sei se se recordam (estarei já assim tão velha!?) mas houve manifestações quer numa situação, quer noutra. Na questão do capacete recordo-me ainda que os motociclistas alegavam que a lei não especificava onde é que tinham que utilizar o capacete... então protestaram ao andar de moto, com o capacete colocado no braço.
Passaram-se uma montanha de anos e hoje em dia, para qualquer um de nós, é um gesto automático o colocar o cinto. Imagino que para os motociclistas seja hoje impensável fazer um trajecto curto, mesmo que devagar, sem capacete.
Há quem ande sem cinto e sem capacete, há, claro! Mas a maior parte das pessoas concordará que estão a colocar a vida em risco.
Parece-me que esse risco terá, necessariamente que ser estimado. A utilização de fatos de protecção contra choques poderia ser algo desejável a qualquer um de nós, mas o risco de lesão por andarmos na rua talvez não compense a introdução de uma medida tão proteccionista, sendo que há comportamentos que nos permitem reduzir o risco (como por exemplo, atravessar uma estrada na passadeira, ter atenção quando circulamos no passeio para não cairmos num buraco ou tropeçarmos numa pedra elevada).
Já o andar de bicicleta, que requer de nós ainda mais atenção, coordenação motora, e o facto de poderem circular na estrada como qualquer outro veiculo, tendo direito à regra da prioridade, então, parece-me lógico que a introdução do capacete se faça obrigatória.
Se incomoda ter que usar um capacete para ir ali ao café, a 2 minutos de distância? Talvez. Mas daqui a uns anos já ninguém vai pôr em causa que o capacete é uma medida de segurança como é olhar nas duas direcções antes de atravessar uma estrada.
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De Ricardo_A a 11.01.2017 às 22:08

Se bem percebi, para que as pessoas ganhem consciência sobre a importância de determinado acto, ao ponto deste se tornar um hábito, temos inicialmente de tornar esse acto obrigatório, mesmo que apenas diga respeito ao próprio.

Esse acto obrigatório é, contudo, um constrangimento da liberdade individual.

Qual a justificação para tal ? O facto de campanhas de sensibilização não funcionarem e, portanto, a proibição (ou a obrigação, como lhe queiramos chamar) é o único caminho para que o acto se torne um hábito.

Ora, isto é um principio de intromissão na vida pessoal que pode ser levado muito mais longe.

Convinha que as pessoas não fumassem, então vamos proibir o tabaco porque as campanhas não funcionam.

Convinha que as pessoas comessem menos enchidos, então vamos banir os enchidos porque as campanhas não funcionam.

Convinha que as pessoas não se embebedassem, então vamos proibir o álcool porque as campanhas não funcionam.

As pessoas não usam capacetes nas bicicletas, então vamos proibir que possam andar na rua sem capacete.

Eu não estou a ser irónico, estou apenas a mostrar que estamos a aceitar que o o estado se meta na nossa vida, em coisas que só a nós nos diz respeito, e que o argumento usado pode dar para muitas outras coisas com as quais já não concordaremos.

A liberdade de uma sociedade depende da liberdade dos seus cidadãos perante o estado e eu serei sempre contra qualquer intromissão quando apenas a mim me diz respeito.
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De M.J. a 11.01.2017 às 22:48

Desculpa mas por essa logica tens de ser contra proibição da droga, obrigação do cinto, obrigação de vacinas, obrigação do ensino obrigatório, obrigação de andar vestido, obrigação de ter um cartão de cidadão, internamento compulsivo... Há a liberdade individual e há o viver em comunidade. Se os ciclistas que não usarem capacete se obrigarem a pagar do seu bolso os tratamentos médicos que advierem diretamente desse facto é na boa por mim
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De Ricardo_A a 12.01.2017 às 09:51

Sim, sou obviamente contra a proibição da droga e contra a obrigação do cinto. É uma opção pessoal que apenas ao próprio diz respeito (mais à frente já vou complementar este raciocínio porque sei qual é a objecção a isto).

Não sou contra a obrigação de actos em menores pela razão que já apontei (não atingiram uma idade, nem têm a liberdade, para decidir individualmente e em consciência). Fica, portanto, coberta a obrigatoriedade de vacinas e ensino obrigatório. Note-se que a minha luta contra as obrigações e proibições é em adultos.

A obrigação de internamento compulsivo concordo porque causa vitimas em terceiros (não é o caso dos capacetes e cinto que é um risco para o próprio e só a este diz respeito).

A obrigatoriedade de ter cartão de cidadão em adultos é discutível. O estado pode colocar como condição para usar os seus serviços o ter um documento de identificação. A pessoa aí tinha duas opções, ou optava por não ter cartão e não recorria a esses serviços (vive numa caverna se quiser) ou opta por ter e pode aceder aos serviços. Seria sempre uma escolha individual.

A obrigação de andar vestido dava pano para mangas... Porque é que ver uma pessoa nua é mais chocante do que um tipo de sandálias e camisola de alças, que tem piercings enormes desde as sobrancelhas à ponta dos pés. Isto também pode impressionar... Deve ser proibido ? Enfim... isto do despido levava a uma longa discussão.

Voltando às drogas, ao cinto e ao capacete, o argumento mais usado é conhecido: em caso de acidente somos todos que pagamos os cuidados de saúde.

É verdade, sim. Mas é verdade para milhares de outras coisas como deixar os putos subir às árvores, fazer paraquedismo amador, fazer escalada, permitir que se bebam refrigerantes, autorizar o álcool e muitas outras coisas que fazem mal e/ou são potencialmente perigosas quando em excesso ou quando há acidentes.
Não faz sentido proibir todas estas coisas. Porquê o capacete ou o cinto ?
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De Fatia Mor a 12.01.2017 às 00:50

Não me parece que o estado se intrometa na liberdade pessoal ao proibir ou obrigar algo. Acho que se prende com a ideia de que tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. Eu posso continuar a não utilizar um capacete. Acho que é comparável a não conduzir a mais de 120km/h numa autoestrada. Porque não hei-de o fazer, se sou boa condutora, se tenho um carro em condições, se tenho bons reflexos, se nunca tive um acidente e por aí a fora?
Parece-me que a obrigatoriedade de circular a 120km/h deve-se a estudos que mostram que a partir dessa velocidade os danos são exponencialmente maiores, quanto maior for a velocidade, tendo em conta o condutor médio, a viatura média, a estrada, etc.
Ora, eu circular a 120km/h protege-me não apenas da minha acção, mas da acção dos outros em mim.
Digo-lhe agora, na primeira pessoa, que tenho um amigo que atropelou um ciclista. Ou melhor, uma pessoa que circulava numa bicicleta, numa estrada equiparada (onde não deveria estar, claramente). Infelizmente o sr. morreu, apesar de ele circular a uma velocidade baixa. A escolha de não levar capacete era da pessoa que seguia na bicicleta. Se calhar, ia apenas ali de um monte ao outro, por um atalho que cruza uma estrada equiparada... 5 minutos e estava em casa. Mas infelizmente, à noite, foi atropelado porque se desviou de um buraco na berma por onde circulava e foi colhido. Se o capacete lhe teria salvo a vida? Não sei. Talvez sim, talvez não. Acredito que pudesse ter ajudado a que o desfecho não fosse tão trágico, que o meu amigo não fosse o único indiciado numa situação sobre a qual não tinha controlo algum, e talvez a pessoa fosse responsabilizada por um acto que se deveu, também, a uma acção sua. Acho por isso, que a obrigatoriedade de usar capacete também nos protege a nós, que não circulamos em duas rodas. É não apenas para um bem individual, mas para um bem colectivo.

Com isto, quero dizer que cada um terá a sua opinião. Quando ando de bicicleta uso sempre capacete, seja num percurso grande ou numa voltinha com as miúdas aqui atrás. Não terei problemas em seguir a lei. E acredito que, se realmente chegar a ser obrigatório, em poucos anos não levantará tanto celeuma como agora. Acho que é o processo natural da mudança, a criar resistência, como sempre.

Dizia Evelyn Beatrice Hall, posso não concordar com as suas palavras, mas defenderei até à morte o direito das dizer, portanto, nestes assuntos, mais vale concordar em discordar :)
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De Ricardo_A a 12.01.2017 às 10:18

Para a Fatia Mor

"Não me parece que o estado se intrometa na liberdade pessoal ao proibir ou obrigar algo."

Quando o estado me proíbe ou me obriga a algo é uma intromissão na minha liberdade pessoal. Eu deixei de ser livre para decidir sobre algo, sem me sujeitar à coerção do estado.

Claro que a partir do momento em que o estado obriga ao capacete eu posso continuar a não o usar. Mas isso é como todas as proibições. O estado também não me proíbe de matar alguém. Apenas me condena.

Portanto parece-me claro que obrigar ou proibir limita alguma liberdade individual. O que faz falta é apurar se se justifica.

A questão que levantas dos 120Kms nas AE é bastante relevante porque ilustra um ponto que tenho defendido.
Uma coisa é quando há vitimas inocentes. Outra é quando é apenas o próprio.
Ora, andar a 200 coloca em risco a vida dos outros. Andar de mota ou bicicleta sem capacete coloca em risco a vida do próprio.
E sobre a questão dos cuidados de saúde pagos por todos já respondi à MJ. Se esse argumento é usado têm de se proibir milhares de coisas.

Esse senhor que morreu, apesar de lamentável, sofreu as consequências da sua escolha individual, quer pela não utilização do capacete (assumindo que não morreria) e de transitar por uma estrada onde não devia (ou percebi mal ?).

Em relação ao teu amigo não percebi se teve culpa ou não teve mas não vejo a ligação entre o proibir ou não o capacete. Se teve culpa, esta existiria sempre com ou sem capacete. Se não teve culpa, então voltamos ao ponto em que quem sofreu as consequências foi quem tomou a opção de não usar o capacete. A sociedade não tem de se meter no assunto, em minha opinião.

Em relação a não teres problemas em seguir a lei, eu tenho sempre o mesmo principio: sempre que vejo uma limitação na minha liberdade eu não encolho os ombros. Hoje esta não me afecta mas amanhã outra irá afectar-me.

Como já disse lá para trás, uso sempre de capacete nas poucas vezes que ando de bicicleta. Porquê, então, ser tão veemente neste meu combate ? Precisamente porque isto é muito mais do que um simples capacete. É ver o estado a meter-se, mais uma vez, na vida dos cidadãos em actos que apenas a eles dizem respeito.
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De Fatia Mor a 12.01.2017 às 11:43

Vou tentar apenas esclarecer a ligação entre o usar o capacete e a segurança dos outros. No caso que expus - que foi arquivado - ficaram danos psicológicos graves. Ele continua a culpabilizar-se por ter morto uma pessoa, mesmo passados mais de 6 anos sobre a situação. Os danos não têm que ser sempre físicos. Uma das coisas que ele mais refere é que ele ia devagar. Que se a pessoa tivesse o capacete, talvez, mas só talvez, ao embater no vidro do carro, não tivesse feito o traumatismo cranioencefálico que o vitimou. A situação ficou resolvida mais depressa porque foi o meu amigo que chamou o 112 e como tinha curso de primeiros socorros, prestou os primeiros cuidados.
Acho que os danos não têm que ser apenas físicos para justificar medidas...
Eu continuo a dizer que a legislação de uso de capacete de forma obrigatória não é uma intromissão na minha liberdade pessoal. Eu conservo-a sempre. Mas aceito viver em sociedade e cumprir um conjunto de regras que permitem a convivência desde tempos (muito) idos. Talvez, quando a sociedade evoluir bastante (leia-se, a humanidade), não seja necessário proibir ou obrigar a coisas para o bem geral e comum. Mas até lá, parece-me necessário e sinto-me mais segura que aconteça. Sou conformista, talvez... Mas Solomon Asch que estudou o papel que o conformismo tem nos processos grupais concluiu que este não é, necessariamente, mau. Acredito num bem maior e na necessidade de, por vezes, nos ajustarmos ao mesmo, até quando há necessidade de mudarmos hábitos ou formas de estar.
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De Ricardo_A a 12.01.2017 às 12:52

Vou deixar os danos psicológicos para o final.

Eu compreendo que digas que a legislação de uso de capacete de forma obrigatória não é uma intromissão na tua liberdade pessoal. Presumo que seja porque andas sempre de capacete e consideras, portanto, que nada vai mudar para ti. Mas não concordo. Eu também ando mas não é por a lei não me afectar que não existe limitação da liberdade individual na sociedade.

Eu, tu ou outra pessoa qualquer deixa de ter a liberdade, se assim entender, de andar sem capacete sem sofrer a coerção do estado. Isso é uma perda de liberdade pessoal na sociedade. É um facto objectivo.

Argumentas que te conformas em cumprir regras que permitem a convivência. Eu também. Mas só aceito regras que que restrinjam a liberdade quando existam ou possam existir vitimas inocentes. No capacete da bicicleta não é o caso. Diz apenas respeito ao próprio.

Finalmente, em relação ao teu amigo e aos danos psicológicos, sim, matou uma pessoa, mesmo não tendo culpa. Não consigo imaginar o que será carregar esse fardo para o resto da vida toda. Mas isso, por muito triste que seja, é motivo para obrigar a usar capacete ?

Existem milhares e milhares de situações em que há esse risco e, contudo, não têm proibições ou obrigações associadas.

Alguém vai à caça e mata outro involuntariamente e é arquivado. Fica com remorsos. Repare-se que aqui nem sequer a licença serve de nada. Deve ser proibida a caça ? (esqueçamos aqui a parte dos animais, isso era outro tema).

Um pai deixa o puto fazer rappel, a corda parte-se e o miúdo morre. O pai não tem culpa mas fica com remorsos. O seguro não serve de nada. Deve ser proibido o rappel ?

Um tipo bebe demais, atravessa-se à frente de um carro e morre. O condutor fica traumatizado, mesmo não tendo culpa. Deve ser proibido o álcool ?

Uma pessoa constrói uma piscina e o puto do vizinho salta o muro e afoga-se. O dono não tem culpa mas fica com remorsos. Devem-se proibir as piscinas particulares ?

Ou seja, está a ser usado um argumento para o capacete da bicicleta que, usado noutras situações, tornava a nossa vida repleta de proibições e obrigações, muitas mais do que as que já temos.
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De M.J. a 12.01.2017 às 12:58

* Deve ser proibida a caça? não. mas é imposta uma licença.
* Deve ser proibido o álcool? não. mas é proibida a venda a quem estiver manifestamente embrigado, a menores, e é proibida a condução por quem estiver bêbado.
* Devem-se proibir as piscinas particulares ? não. mas os pais têm obrigação de vigilância e a lei isso o impõe.

a questão é que de acordo com os teus exemplos parece que alguém está a proibir o uso de bicicleta: NÃO ESTÁ! estão a obrigar a algumas precauções:
* tal como obrigaram licenças de caça e de uso e porte de arma.
* tal como legislaram acerca do alcool.
* tal como legislaram acerca do superior interesse do menor e o que deve ser feito para o respeitar.

posto isto: a tua posição é radical. e entendo. mas uma vez que não chegamos a consenso concordemos em discordar.
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De Ricardo_A a 12.01.2017 às 15:37

É imposta uma licença na caça mas isso não impede que alguém mate outro por negligência e fique com o trauma ou que todos tenhamos de pagar os cuidados de saúde (eram esses os argumentos !).

Repara, contudo, como uma simples licença (um papel), já muda a tua opinião em relação à caça. Apesar da caça constituir um perigo para outros (caso que não acontece com o não uso do capacete) tu aceitas perfeitamente a caça. E a razão é unicamente um papel (uma licença).

Seria o equivalente a dizermos que, afinal, já não é preciso capacete para a bicicleta, desde que exista uma licença para circular na mesma.

O álcool tem restrições à venda ? Sim. Nos menores justifica-se, como já expliquei, nos condutores também (vitimas inocentes) e no caso de pessoas visivelmente alcoolizadas também, uma vez que constituem um perigo para elas e para os outros. Não é o caso dos capacetes das bicicletas. Apenas constitui um perigo para eles próprios.

Eu vou fugir aos menores e dar exemplos apenas de adultos.

Há praias não vigiadas onde se afogam pessoas, com traumas ou custos para a saúde. Devemos proibir os banhos em praias não vigiadas ?
Devemos proibir o surf ?
O BTT ?
A escalada ?
As caminhadas nas levadas da Madeira ?
Os percursos pelo Gerês ?
As subidas periclitantes nos castelos ?

Tudo isto apenas diz respeito aos próprios (tal como o capacete), mas podem provocar traumas de culpa em terceiros, sem terem culpa. Ou custos de saúde para todos nós.

A vida esta cheia de coisas em que há riscos e em que ninguém concebe proibir ou obrigar. Não percebo o porquê de se aceitar tão facilmente essa do capacete.

É curioso como defender a liberdade individual, numa coisa que apenas diz respeito ao próprio, é considerada uma opinião radical. Não sinto isso como ofensa, claro, mas antes com tristeza por saber que reflecte um país em que escrutinamos muito pouco a intromissão do estado na nossa liberdade individual. Isso tem reflexos, depois,bastante mais profundos em matéria económica e política mas dava para discussões de páginas e páginas.
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De M.J. a 12.01.2017 às 15:44

é radical do ponto de vista em que se recusa a assumir a minima razão em argumentos perfeitamente válidos. a diferença é que, apesar de não concordar com os seus argumentos, entendo onde quer chegar. simplesmente não os aceito porque entendo o sacrificio imposto é menor comparativamente aos beneficios. é esse o ponto. o sacrificio, em comparação com os beneficios é minimo.
além disso nunca concordo com argumentos de "se isto é assim, aquilo também devia ser", que é o que tem dito até agora. se os capacetes são obrigatórios devia ser proibido isto e aquilo. e aqui é que está. não se quer proibir o uso de nada, apenas impor limitações que são para beneficio do próprio e podem ser benéficos para toda a sociedade.
a vida em sociedade, num estado de direito democrático prevé isso mesmo: o sacrificio de algumas liberdades em função de outras. ninguém lhe vai cortar a cabeça se não usar capacete. poderá pagar uma coima e pronto. é a única consequência que daí advém.


quanto à caça, limitei-me a seguir o exemplo que dava. eu sou CONTRA a caça desportiva unicamente por que entendo que o sacrificio que impõe a seres sentivos é maior do que o beneficio que advém para o caçador. mas isso são outros quinhentos.

podemos concordar agora em discordar?
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De M.J. a 12.01.2017 às 15:47

*e caramba, desculpe lá os erros. escrever sem reler dá nisto.
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De Ricardo_A a 12.01.2017 às 16:23

Os argumentos que chamas de perfeitamente válidos são os traumas para outros e custos de saúde para todos. Isto para mim são argumentos válidos para muitas outras situações, com expliquei.

Ora, se não aceitaria que me obrigassem ao uso de capacete para fazer surf ou para fazer escalada ou que me impeçam de tomar banho em praias não vigiadas, por entender que isso apenas a mim me diz respeito, porque razão é iria aceitar o capacete na bicicleta sem discordar ?

Não é “se isto é assim, aquilo também devia ser” é antes “se aceito isto então também teria de aceitar aquilo, aquilo e aquilo”.
E isso muda completamente a perspectiva daquilo com que estou disposto a concordar. Torna-me mais crítico perante estas intromissões do estado na minha liberdade individual.

Em resumo, limitações para beneficio do próprio são completamente inaceitáveis (a não ser em menores e inimputáveis).
Limitações por haver vitimas inocentes são aceitáveis.
Limitações para benefício da sociedade são aceitáveis, mas provavelmente em muito menor escala do que se pensa (estas últimas têm de ser discutidas em concreto, porque não se consegue ter uma discussão genérica.

Em relação ao sacrifício de algumas (muitas) liberdades em função de outras, eu estou plenamente de acordo.
Eu não posso fazer barulho que incomode o meu vizinho. É uma restrição à minha liberdade ? É ? Justifica-se ? Sim, porque há uma vitima.

Mas, voltamos ao mesmo, entendo que no caso dos capacetes o prejudicado é o próprio.

Eu acho que temos mesmo de concordar em discordar. Tentei mostrar o meu ponto de vista libertário (e estou longe de o ser), da forma mais cordial e educada que consegui. Espero não ter ofendido ninguém.
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De Paulo Almeida a 12.01.2017 às 16:09

Antes de mais convém relembrar que é permitida a circulação de bicicletas nas estradas nacionais, à excepção de alguns IP's e, como é evidente, nas AE's. O reforço do estatuto do peão e do utilizador de bicicleta é uma das linhas fundamentais da última revisão do Código da Estrada (Janeiro 2014). Através da introdução do conceito “utilizador vulnerável”, cujo âmbito abrange peões e utilizadores de bicicletas, impõe-se um cuidado adicional e especial por parte dos condutores de veículos a motor em relação a todos os utilizadores da via pública, especialmente com os utilizadores vulneráveis. Com as alterações introduzidas promove-se a mobilidade sustentável, reconhecendo-se os benefícios da mesma para a saúde e para o meio ambiente, alterando o regime de circulação dos velocípedes:
- Os veículos motorizados quando efectuam uma ultrapassagem a um velocípede devem guardar deste uma distância lateral mínima de um metro e meio;
- Os utilizadores de bicicletas passam a poder circular a par desde que não perturbem o fluxo do tráfego;
- Os utilizadores de bicicletas passam a poder circular nas bermas desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões que nelas circulem;
- Os condutores devem ceder prioridade e a passagem aos velocípedes nas passagens assinaladas.

Para além destas alterações convém também reforçar as obrigações do ciclista previstas no CE: Cumprir as regras do código; Iluminação da bicicleta à noite; Não é permitido pedalar nos passeios, excepção feita a crianças até os 10 anos de idade, etc.

O aumento do número de utilizadores de bicicleta na via pública terá de ser acompanhado, em qualquer circunstância, pela alteração dos comportamentos, tanto por parte dos utilizadores de bicicletas, mas também, e em especial, por parte dos condutores de veículos a motor. Mais importante do que obrigar um ciclista a usar um capacete, é reforçar o ónus da segurança ao automobilista com a divulgação das regras em vigor.
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De Paulo Almeida a 12.01.2017 às 11:41

O não tema do capacete obrigatório para os ciclistas surge depois da noticia um tanto ao quanto sensacionalista, que quase pareceu concertado e como tal acabou bem conseguida por parte do editor em causa, pretendendo denunciar a FPCUB como promovendo uma manifestação contra o capacete! Diga-se que a notícia pôs todos a falar do que pouco ou nada sabe. Ora, a federação ao promover o seu passeio anual “Inicie o Ano a Pedalar - Manifestação em Defesa da Bicicleta” apenas está contra a obrigatoriedade do uso do capacete No cerne da questão está o Documento PENSE2020 da autoria da ANSR, que pode ser resumido como sendo uma proposta de criação de uma estratégia para a segurança rodoviária, indo ao encontro de metas de redução de sinistros, onde, entre outras tantas resoluções e sugestões, se pode ler o seguinte: “A15.67. Estudar a obrigatoriedade de utilização do capacete pelos utilizadores de velocípedes”

É absolutamente inegável de que o capacete é uma peça de protecção do ciclista em caso de queda, no entanto transpor a obrigação moral para a obrigação legal não é de todo do interesse da comunidade velocipédica.
Não existe na Lei qualquer parágrafo que obrigue o utilizador de velocípedes a utilizar capacete. A ser assim, Portugal seria o primeiro país europeu a ter tal lei.
Nos últimos anos o ciclismo cresceu exponencialmente como se de um feliz contagio tivesse acontecido. No caso dos ciclistas desportivos, de licra, o que seja, rara é a vez que nos cruzamos com alguém sem capacete, e não foi preciso lei alguma para que isso se tornasse um hábito neste tipo de praticante.
O ciclismo desportivo jamais poderá ser comparado com o ciclismo de mobilidade urbana, no entanto todos são caracterizados como “ciclistas”, todos eles intervêm na sociedade de uma forma muito positiva e construtiva, mas devem ser vistos como diferentes utilizadores da bicicleta.
A finalidade com que se usa a bicicleta não elimina o risco, que está sempre inerente à sua utilização. Repito, o capacete é um objecto fundamental na protecção da integridade física do utilizador da bicicleta, mas obrigar ao uso do capacete na generalidade seria castrar a mobilidade urbana e a promoção do uso da bicicleta em geral.
Numa analise a dados fornecidos pelo PENSE2020, e comparando o número de vitimas mortais de acordo com o modo de deslocação, sendo que os peões representam mais de 25% do que os peões, acha que se deveria obrigar os peões também a usar capacete, tendo um tão elevado número de vitimas mortais?
Para mim, toda a gente deveria utilizar capacete em cima de uma bicicleta, mas tenho a convicção, de que esse acto deve acontecer por educação, sensibilização e consciencialização. JAMAIS por obrigação.
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De M.J. a 12.01.2017 às 13:00

concordo em pleno.
ou melhor, não em pleno: é que a educação, sensibilização e consciencialização nem sempre resultam. nem existem em alguns casos. e cabe ao estado impor nos casos em que a mesma não existe.
além de que, se as pessoas que têm estas caracteristicas já usam capacete, a imposição não serve para elas.

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