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então e tu M.J.?

por M.J., em 09.05.16

não tens nada a dizer disto do público-privado ai e tal?

 

tenho!

toda a minha formação académica foi feita no ensino público. 

aos sete anos caminhava um quilómetro, com três colegas, para ir para a escola primária.

incluindo quando chovia. 

dos dez aos dezoito andava de autocarro, todos os dias, durante quarenta e cinco minutos para ir para a escola. excepto quando ele avariava. ou nevava e a estrada era cortada.

nunca tive explicações. 

nunca os meus papás se sentaram ao meu lado para me obrigar a fazer os trabalhos de casa. 

nunca um táxi me veio buscar para ir à escola.

a não ser que a mota do avô se possa incluir nisso quando furei um pé, de um lado ao outro, num ancinho enquanto fazia castelos de terra.

 

há dez anos atrás entrei na faculdade de direito da universidade de coimbra com a média de dezassete valores.

tenho muito pena que em dez anos as coisas tenham mudado tanto que as criancinhas sejam incapazes de aprender no ensino público. 

mas tenho mais pena ainda que os meus impostos sejam fodidos a seco em serviços de táxis para as criancinhas irem para a escolinha privada.

cada um escolhe o que quer. 

desde que pague. 

os desgraçados que eu parir vão para o público. como a mãe e o pai foram.

espero que não fiquem com uma hérnia por não irem de táxi. 

se ficarem espero que o nosso sistema de saúde continue vivo para os curar.

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publicado às 15:50


11 comentários

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De sal a 09.05.2016 às 16:41

Era uma coisa tão imoral, mas tão imoral. O desgraçado que eu já pari há dezanove anos foi criado ao pontapé, como eu costumo dizer em comparando com os outros meninos, filhos dos meus amigos. Andou sempre no ensino público e lá anda, numa faculdade pública também, onde os outros, os tais meninos filhos dos meus amigos, gente a quem eu paguei uma parte dos colégios imenso bem, nunca chegaram ou chegarão. A partir do 10° Ano, coitados, não deram para mais porque ter de fazer a média de acesso ao ensino superior, no público, foi um problema
Oxalá ninguém me fale neste assunto nos próximos dias que eu tenho umas coisas para dizer...
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De M.J. a 09.05.2016 às 17:45

então somos duas.
fervo um bocadinho sempre que vejo aquilo.
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De marta-omeucanto a 09.05.2016 às 16:41

Tal e qual!
Também sempre andei no ensino público e terminei com média de 17.
Apesar de morar a 10 minutos da escola, ia e vinha sempre a pé, chovesse ou fizesse sol.
A minha filha está no ensino público. Os meus sobrinhos, idem. E, mesmo assim, já temos que pagar por muita coisa.
Acho bem que entidades privadas queiram oferecer um outro tipo de serviço e melhor ensino. Mas que quem o queira pague por isso.
Se o ensino público funciona a 100%? Não. Se deveria haver uma mudança? Sim.
Mas, se é para o Estado investir, então que invista em mudanças no ensino público, para que o ensino de todos nós seja mais eficiente, e não no privado,porque meia dúzia de pais acham os filhos importantes demais para frequentar uma escola pública.
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De M.J. a 09.05.2016 às 17:46

ora aí está. que se invista para a igualdade e não para uma pseudo-elite.
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De Pseudo a 09.05.2016 às 16:43

"cada um escolhe o que quer.

desde que pague. "

^^^^ exactamente a minha posição. Sou assumidamente contra o estado pagar / subsidiar / ajudar quem frequenta o privado. O meu filho frequenta uma privada, pago por mim e pelo MQT, sem qualquer subsídio. Felizmente podemos.
O argumento "liberdade de escolha" afinal já não serve quando há 3 ou 4 escolas públicas na área geográfica duma escola privada? Se o privado é melhor - que é, em muitas áreas geográficas - então desvie-se as ajudas / os subsídios dessas privadas para as escolas públicas que circundam instituições privadas. Como é o caso aqui na cidade de Braga. Os professores e assistentes operacionais do privado ficarão desempregados? Alguns sim, é certo. Permitam às escolas públicas, via autarquias, a contratação de mais funcionários, que bem necessários são. "ah e tal, estamos num país democrático", pois estamos. Onde estava esse conceito quando se decidiu fechar escolas primárias públicas em certas zonas? Ou agrupá-las com outras, formando os malditos megaagrupamentos onde as pesssoas, sem excepção, são vistas como números e não como indivíduos? Pois é...
Estudem-se todos os casos das privadas caso a caso, analisem a sua posição geográfica e depois, só depois, venham com os devidos alarmismos para a comunicação social.
Para mim é claro como a água.
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De M.J. a 09.05.2016 às 17:51

sabes acho tudo triste. muito triste.
sobretudo esta ideia de que o ensino público não funciona. a minha formação académica foi no público. mas o maior exemplo que tenho de como funciona é do meu namorado e de um grande amigo. ambos entraram na faculdade com média de dezanove, numa área de engenharia, tendo ambos tirado vinte no exame de matemática. os dois do interior (se considerarmos que a tua terra é do interior), com as dificuldades económicas de classe baixa. apenas pela capacidade e esforço deles próprios.
fico enojada até aos ossos quando me dizem que o ensino público não presta.
não tenho absolutamente nada contra quem recorre ao privado mas creio que é uma decisão de cada um para a qual os meus impostos não devem ser tidos em consideração.
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De Anónimo a 09.05.2016 às 17:53

Mas o ensino público funciona, nuns casos melhor do que noutros, dependente de inúmeras variantes. As pessoas, principalmente quem está de fora, é que emprenham muito pelos ouvidos e formam opiniões, muitas vezes mal fundamentadas e desconhecedoras de realidades, à conta do que lêem na comunicação social. Que é muito, mas muito manipuladora das massas. E os títulos gordos são mais fáceis de ler do que um artigo integral, pronto....
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De ana a 09.05.2016 às 17:18

É que é mesmo isso. Querem estudar no privado, paguem.
Que os meus impostos não sirvam para andarem a brincar aos ricos.
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De M.J. a 09.05.2016 às 17:53

infelizmente servem. e vão servir sempre, de uma forma ou de outra.
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De Just_Smile a 09.05.2016 às 18:12

Nem acrescento um ponto a esse texto. Aliás, até aplaudo!
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De Maria Araújo a 09.05.2016 às 18:44


Seis filhos que os meus pais tiveram, todos estudaram no ensino público.
De 11 sobrinhos que tenho, três ainda estudam, à excepção do mais novo, com 12 anos, que frequenta um colégio público-privado, os outros seguiram o ensino público, as universidades e institutos do estado.
Uns foram estudantes-trabalhadores (eu e um dos meus irmãos e dois sobrinhos)
Nunca nos queixámos.
A minha sobrinha mais velha, mãe de dois rapazes(vive no Rio de Janeiro) já disse que, vindo para Portugal, os filhos vão para o ensino público.
Quanto a essa história dos táxis, quantas e quantas vezes me deu cá uma volta às tripas quando vi os táxis entrarem na escola somente com uma criança. Quando se tratava de um criança com deficiência grave, tudo bem, o pior era aqueles que tinham algumas, poucas, necessidades educativas e lá ia o táxi levá-la à escola.
E não era o mesmo táxi.
Resmunguei tantas vezes!


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