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dos filhos

por M.J., em 12.03.15

se soubessem o que já vi em relação a esta matéria ficariam pasmos. os adultos frustrados, tristes, o ciclo vicioso que se propagava à conta de decisões irreflectidas.

 

e ainda assim, porra, todos os dias continuo a ver a idiotice a propagar-se, como um vírus para o qual não há qualquer vacina:

 

  • pessoas que namoram há cinco meses mas decidem ter filhos porque estão a passar da idade. porque acham que "estão a passar do prazo".
  • pessoas que têm filhos porque a outra pessoa da relação está com dúvidas no relacionamento.
  • pessoas que têm filhos, sem emprego estabilizado ou casa, ou mais de cinquenta euros na conta, corpo ainda a cheirar a leite, sem uma branca na cabeça, mas sentem o relógio biológico.
  • pessoas que têm filhos porque, apesar de receberem o rendimento social de inserção, gostam muito de crianças e sempre quiseram uma família grande.
  • pessoas que trabalham doze horas por dia, que priorizam a carreira mas sim, têm filhos, porque o parceiro não se cala e há que fazer alguma coisa para o satisfazer.

 

e depois, meus senhores, vejo os resultados:

 

  • vejo filhos sentados numa cadeira de escritório enquanto ouvem na sala, dentro, pais aos gritos em frente a desconhecidos.
  • filhos a ter de pedir a um tribunal que o pai ou a mãe lhes ajude a estudar porque o progenitor há muito se desvinculou dessa função.
  • filhos de cinco anos cujos pais dizem que eles não gostam deles porque não lhe ligam (claro, os miúdos têm todos telemóveis atracados ao rabo).
  • filhos a chorar em frente a um juiz, acne na cara, avançando que desde os três anos o pai nunca lhes telefonou, nem no natal.
  • pais que usam os filhos para fazer ciumes ex parceiro.
  • pais que desistem de ter uma vida própria para atafulhar o filho numa rotina doentia e numa exigência estúpida e que depois ainda têm a lata de dizer que se anularam para o bem dos filhos.
  • pais que não têm tomates para tomar decisões estruturais na vida, que apanham porrada do parceiro, mas que não se divorciam para "bem dos filhos".

 

oh gente o que já vi dava para escrever dez blogues, sem faltar material nenhum dia.

e ainda assim, pasme-se, ultimamente todo o mundo ao meu redor decide que está na hora de produzir.

sem pensar duas vezes que, segundo se consta "se se pensar muito nunca se decide".


fico enjoada até à alma com gente destas.

e não consigo encontrar palavras suficientes para demonstrar o desprezo que lhes sinto.

 

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publicado às 18:50


5 comentários

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De Pingos de Chuva a 12.03.2015 às 23:59

Assino em baixo!
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De soumaiseu a 13.03.2015 às 12:35

A irresponsabilidade parece ser contagiosa...é-o de certo, senão não haveria tanta gentinha assim. Bom fim de semana!

São
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De M.J. a 14.03.2015 às 22:23

é quase como um vírus. com consequências tremendas. infelizmente.

bom resto de fim de semana :)
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De A Miúda a 15.03.2015 às 00:46

O meu filho não foi planeado. Com aquela idade nunca seria, engravidei com 16 anos, tinha um plano para o meu futuro em que os filhos só entravam a partir dos 25 anos e era se tivesse vida (financeira e amorosa) estável para isso. Nunca pensei sequer em ter filhos com aquela idade e muito menos com o tal rapaz, sabia perfeitamente que aquilo era um namoro de adolescentes e que quando ele saisse da escola ao passarmos menos tempo juntos tudo acabaria. Mas aconteceu.
Há quem veja o que passo diariamente por causa do pai dele, se é que se pode chamar pai a uma pessoa que só faz o papel de pai quando convém, mas não conseguem sentir o que eu sinto. Não o desejo a ninguém. Sei bem o que é alguém usar o filho como um brinquedo para atingir o outro, sei o que é alguém só querer o filho no natal ou nos dias de festas de aniversarios para mostrar, sei o que é alguém recusar a pagar seja o que for ao filho "porque se for a pagar fica sem dinheiro para ele" e depois anda por ai a viajar e com iphones.
Sei isso tudo e não é pelo papel de filho, é pelo papel de mãe!
Sei o que é ser mãe e ser pai, o que é ter de compensar a ausência do outro que não sei se dirá que está vivo amanha ou daqui a 2 meses.

Também me faz confusão como é que pessoas planeam ter filhos seja porque razão for sem terem condições para isso.
Mais tarde arrependem-se.
Eu não me arrependo de ter tido o meu filho, arrependo-me de ter começado a namorar com o pai dele!
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De M.J. a 15.03.2015 às 17:25

obrigado pelo teu comentário. o texto não era, não podia ser, dirigido a pessoas que, como tu, engravidaram sem planear. eu sei o que faria na tua situação, na tua idade. a tua opção foi mais corajosa.
é triste que tenhas de saber de tanta coisa que eu sei, porque assisto, porque lido, quase todos os dias. as pessoas são extremamente cruéis e não, muitas delas não estão nem nunca estarão preparadas para ser pais. pior que isso, não merecem os filhos que têm. o pai do teu filho parece-me um claro exemplo disso. mas não te esqueças que podes recorrer à justiça. ele pode ameaçar fazê-lo mas isso não significa que consiga seja o que for. o acordo é sempre o melhor mas quando não é possível podes fazê-lo sem sequer recorrer a advogado. não deixes que te calque, que fuja às obrigações ou que não trate o menino como devia. luta. recorre a todos os meios. não mostres fraqueza. a primeira fraqueza que demonstres é usada até à exaustão.

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