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era uma vez uma história triste #7

por M.J., em 17.05.17

a rapariga, gorducha, feiinha, casada aos vinte, com quatro filhos aos vinte e cinco, está desempregada desde que estudou.

é o marido, balofo de álcool e gordura, cara imensa, que a mantém, e à prole, trabalhando fora do país, que dentro, dizem, não há dinheiro para um só manter cinco.

a rapariga entra numa espécie de depressão que alimenta no facebook com concentração.

espeta em fotografia de perfil as trombas maquilhadas do dia de casamento e em destaque a fotografia da prole, os putos todos, alinhados, muito direitos.

todos os dias escreve qualquer coisa:

que a vida é uma merda;

que tem saudades do marido;

que lhe apetece morrer.

em cada comentário destes alguém vem perguntar - por vezes a família, por vezes um conhecido - muito solícito e com palavras de amizade "pk coisa?" e "k s passa coisa?", "precisas de alguma coisa, coisa?"

na tentativa de saber, ver, bisbilhotar e contar que os anos passam mas os adros das igrejas permanecem. 

 

todo um rol de queixas:

que o país é feio;

que o marido está longe;

que tem de, sozinha, tomar conta de quatro crianças.

assim, ali exposto no facebook para os quinhentos e dez amigos.

para quê ler um drama ou ir ao cinema quando basta abrir o pc? 

a mulher prossegue e todos os dias é esta dor.

 

enfim, o marido volta a casa, depois de tanta queixa, tanta ânsia, tanta tristeza e decide levá-la com ele, juntamente com a criançada toda.

respiramos de alívio.

deixará de haver ameaças de morte, pensamos, frases de tristeza, concluímos, e citações brasileiras de saudade, suspiramos.

tudo está bem quando acaba bem.

 

mas não.

na última semana a senhora, cansada da rotina, dos dias claros, da ausência de comentários e actividade no facebook, decidiu retomar a ladainha:

tem saudades de casa,

não gosta de onde está,

que lá não se faz nada,

quer voltar para portugal.

retomam as ameaças de morte, concluímos, as frases de tristeza, constatamos, e as citações brasileiras de saudade, percebemos. 

 

 

tudo sempre com as trombas de casamento e a prole alinhada em fotografia de fundo.

 

tudo assim, ali escrito, com muitos ks e pks e estados e imagens de nossa senhora de fátima, rogai por nós, amem.

 

e toda a gente a perguntar, muito natural e inevitavelmente, um retomo ao habitual e normal, season dois, olha que saudades:

"pk coisa?" e "k s passa coisa?", "precisas de alguma coisa, coisa?"

 

não consigo evitar: fez-me lembrar aquela comparação do papel higiénico.

sabeis qual é?

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publicado às 10:00


8 comentários

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De Rooibos a 17.05.2017 às 11:47

Também conheço alguns que usam o facebook para chamar a atenção, realçando o que de negativo se passa na sua vida.
Normalmente não respondo. Se for pontual, é uma coisa. Se é regular, acho melhor não valorizar, para não alimentar.
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De Happy a 17.05.2017 às 12:05

Longe, quero distância dessa gente. Isso pode-se pegar, esse negativismo todo... Há quem nunca esteja satisfeita.
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De Um quarto para as nove a 17.05.2017 às 15:03

Não sei a cena do papel p'a rabo. Mas isto é malta com valentes pancadonas e profundas necessidades de atenção.
Há sempre casos assim, e olha que não é preciso ter filhos e estar desempregada. Há sempre alguma coisa...
Sabes que te digo

#nãohápachorra!
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De Pequeno caso sério a 17.05.2017 às 18:13

O problema não está no local porque isso é só geografia. O problema é mais profundo do que isso é o pior cego é o que não quer ver.
Pergunto - me como é que uma mulher com quatro filhos tem tempo e vontade para alimentar o facebook ...

Tenho perto de mim alguém que vive nesse registo de constante insatisfação . Já lhe disse que o António Variações tem uma música feita a pensar nela. Acho que não percebeu.

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De Margarida a 17.05.2017 às 20:44

Que grande carga de trabalhos que para ali vai... mas infelizmente conheço muitos assim! Resta-nos levar a coisa com bom humor e esperar que, um dia, mudem de ladainha para uma menos deprimente!
Margarida
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De Aninhas a 17.05.2017 às 21:11

Eu acho k há ali uma grande depressão! Está a precisar de ajuda, psicológica, ou psiquiátrica! Mas tb casar aos 20, aos 25 ter 4 filhos! Não saberá k existe pílula? Consultas de planeamento familiar? Em k mundo vive essa pessoa? Bolas! Eu casei com 24 aos 25 tive uma filha, ponto! Entendi k não queria mais! Depois andam-se a lamentar!
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De A rapariga do autocarro a 18.05.2017 às 11:48

Pois, essa do papel higiénico não conheço, mas de gente dessa eu quero é distância! É que estão sempre mal, se não é do cu, é das calças! Gentinha com falta de cabeça!
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De Joana B. a 19.05.2017 às 17:44

São pessoas que gostam de drama e gostam de ser as coitadinhas.
Isso é o que me faz mais confusão, nunca serei uma coitadinha nem permitirei que me vejam como uma coitadinha.

p.s.- não conheço a do papel higiénico (isso é que é o verdadeiro drama )

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