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não aconselhado a virgens ofendidas nem aos outros, que não sendo virgens, são ofendidos. 

 

li isto por aí, ou ouvi, sei lá, às vezes confundo, mas dizia eu que tomei conhecimento da seguinte pergunta, feita por alguém: nos casais homossexuais como é que se decide qual faz de homem e de mulher? é que nas lésbicas há dildos e vibradores e dedos e podem ser as duas as duas coisas. mas e nos homens...?

foi. li ou ouvi isto, assim ou por outras palavras em algum lado que não recordo. numa curiosidade muito pueril. num querer saber da logística da coisa. numa tentativa de perceber, como nas novelas, qual deles é o feminino.

o que lava a loiça.

o que usa o avental.

o que fica por baixo.

o que tem dor de cabeça.

o que tem os tiques todos.

o bicha.

quer-se saber qual é o bicha, na relação, através das preferências e posições sexuais. através do acto sexual em si:

se apanha é bicha.

se dá é quase macho e podia ser heterossexual. escolheu, coitado, ser da outra equipa, mas podia ser desta se quisesse.

isto assim, sem tirar nem pôr.

 

li isto ou ouvi há uns tempos e não tenho palavras para descrever o nojo da pergunta numa curiosidade nada pueril. só nojenta. será, eventualmente, o mesmo tipo de pessoa que pergunta à amiga se gosta de apanhar por trás ou se se sente bem de quatro. o tipo de pessoa que quer saber se a outra engole ou cospe. o tipo de pessoa que se dá ao trabalho de dizer que não vê pornografia mas, possivelmente, lê livros de alta literatura onde as gajas são amarradas e enfiadas com coisas de todo o tamanho num romantismo de perseguição.

não é curiosidade.

é ignorância.

da pequenina.

da baixinha.

da que nos faz quem somos: atrasados. 

 

não gosto de escrever sobre sexo. não gosto de usar estes termos. sinto-me nojenta, de uma brejeirice muito primitiva, muito lá para trás. nunca fui pessoa de partilhar com amigas pormenores e novidades, em risinhos histéricos, comparando performances e tamanhos, enquanto pintava as unhas. nunca assumi como só minha a sexualidade que era e é dos dois, a ponto de pegar nela e a atirar toda à cara de pessoas que conheço. e nunca quis saber como vivem a sua sexualidade aqueles que me rodeiam. há quem me ache retrógrada, por isso. quem me assuma como atrasada, cheia de assuntos tabu na cabeça por não conseguir contar, com um sorriso, uma parte natural da vida.

assumo que sou. não me importa.

é bem pior o desrespeito total e absoluto pelos outros. por aqueles com quem partilhamos essa parte intima da vida e que expomos sem pejo e pelos outros, que mesmo não partilhando, assumimos natural querer qual deles gosta de apanhar e de dar para a seguir os catalogar de macho e fêmea.

 

concluo como diria alguém que admiro imensamente: "há gente que devia apanhar uma pancada no focinho". 

 

(e ainda há gente que se dá ao trabalho, meus senhores, ao trabalho de insultar um casal que ganhou um concurso da TAP por ser homossexual. serão os mesmos que dizem que há dildos que satisfazem as duas ao mesmo tempo?). 

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publicado às 10:00


40 comentários

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De Magda L Pais a 16.02.2016 às 10:06

e é isto!
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De M.J. a 16.02.2016 às 10:55

haveria mais a dizer.
que dirias tu, se escrevesses sobre o tema?
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De Magda L Pais a 16.02.2016 às 11:08

Bom... se me autorizares vou debruçar-me sobre o assunto e farei um post
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De M.J. a 16.02.2016 às 11:13

ora aí está uma excelente ideia.
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De Kikas a 16.02.2016 às 10:15

Tudo dito e bem dito!
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De Neurótika Webb a 16.02.2016 às 10:28

Não gostares de falar de sexo, nem com as amigas, não é ser retrógrada, é teres respeito pela pessoa com quem estás, pela vossa intimidade e por ti própria.
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De M.J. a 16.02.2016 às 10:55

nem mais.
há quem ache que sou apenas da serra e não assumo como natural uma parte normal da vida.
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De Gaffe a 16.02.2016 às 10:28

Não sei se me vai matar, mas arrisco:

" - a moça que acha que “para os homens (…) não há nada que faça haver igualdade no momento”.
A rasteira noção de igualdade é tão errada como o conceito do Outro como entidade díspar do Eu.
Há gente que devia apanhar uma pancada no focinho."

Leste o último post?!
Não o achaste comovente?
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De M.J. a 16.02.2016 às 10:34

li.
e achei sim.
de uma fragilidade tão comovente que poderia partir-me a alma.

às vezes sinto vontade de chorar só de ler as palavras que encontra para escrever o que sinto e nem sei.

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De anacb a 16.02.2016 às 10:52

tanta coisa me apetecia dizer sobre este teu post, mas depois nunca mais parava e não há caracteres que cheguem...
portanto vou só dizer isto: há pessoas que não têm nada em que pensar; ou não têm vida própria; ou as duas coisas
se calhar uma pancada no focinho era pouco
infelizmente, conheço várias :(
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De M.J. a 16.02.2016 às 10:55

devias dizer mais. gosto sempre de ler mais. :)
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De Maria Lopes a 16.02.2016 às 11:37

Primeiro respirei fundo, depois reli, depois esbocei um sorriso e finalmente cresceu em mim um pequeno Pol Pot.
Mas “óspois” lembrei-me que gente que pensa assim, seria incapaz de descobrir o fogo, a roda, a matemática, a filosofia.
Não me surpreende. Não se deixe surpreender. Há tanta, mas tanta gente desse calibre, que por eles, a terra é plana. Tal como afirma aquele artista norte-americano, qualquer coisa que não fixei.
É gente que só vê um palmo à frente e com dificuldade.
Mas sempre que os oiço tenho ganas de ser um Pol Pot. Só que não me deixam.

Maria Lopes
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De M.J. a 16.02.2016 às 17:26

gosto.

confesso que tive de ir pesquisar quem era esse.
acredito que a maria seja bem mais bonito :D
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De Joana B. a 16.02.2016 às 11:59

Não sou de falar sobre a minha vida sexual assim aos quatro ventos.
Só a mim e à pessoa que está comigo é que diz respeito o que fazemos ou não fazemos.
Muitas vezes essas pessoas que falam com as outras com esse histerismo e a fazer de conta que são muito entendidas no assunto não falam em casa com o companheiro ou companheira sobre a vida sexual do casal e não dizem o que gostam ou não de fazer na intimidade.
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De M.J. a 16.02.2016 às 17:27

essa é outra perspectiva.
eu acredito na ignorância. ignorância na maioria das vezes.
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De Just_Smile a 16.02.2016 às 13:41

Concordo tanto com isso! A vida sexual de cada um a mais ninguém diz respeito, uma coisa é pedir conselhos se necessário, agora pormenores e fazer quem faz o quê e como? É de uma ignorância e mesquice tamanha!
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De M.J. a 16.02.2016 às 17:39

sim, não confundir a partilha de dúvidas, medos inseguranças com curiosidade e intriga.
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De Just_Smile a 16.02.2016 às 17:57

Precisamente :D
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De Ana Rita 🌼 a 16.02.2016 às 13:42

É realmente ridículo estarem a "imaginar" quem é o quê numa relação.
O que é que as pessoas teem a ver com isso?

Eu também não sou de andar a espalhar a minha vida sexual seja com quem for... é minha e do meu marido ponto final paragrafo.
Querem saber mais... metam-se nas suas vidas!!
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De M.J. a 16.02.2016 às 17:40

às vezes não há vidas onde se possam meter.
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De Ana Rita 🌼 a 16.02.2016 às 18:24

Pois também há por aí muita gente que tem um problema grave de falta de vida e falta do que fazer.
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De Anónimo a 16.02.2016 às 15:11

Mas não eras tu também uma gaja que não via com bons olhos as bichas (assumido por ti) que eras uma ignorante. Como tu mudasti!!! Ice tea?!!!
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De M.J. a 16.02.2016 às 15:14

era eu sim, meu caríssimo anónimo, que no preconceito dos dias "as não via com bons olhos". e que apregoava a não adopção por casais homossexuais. e que me consumia de preconceitos.
era eu sim senhora.
e sou eu que assumo a pequenez do que era.
e sou eu que me vanglorio por mudar. e por querer mudar sempre para melhor.
sem ice tea que agora, ao contrário de antes, também tento não exagerar no açúcar.
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De Cristina a 16.02.2016 às 20:01

Dos comentários, respostas aos mesmos e o post o próprio, foram estas tuas palavras que me fizeram iniciar sessão para comentar. Tiro o chapéu a quem muda de ideias E assume que mudou de ideias. Vou repetir assim só a parte mais importante: E assume que mudou de ideias. Vai daqui um :-)

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