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estúpido, estúpido

por M.J., em 03.02.16

é esta pessoa aqui julgar gente pelos seus gostos literários.

como se as pessoas fossem o que lêem.

como se as pessoas não fossem muito mais do que isso.

 

(a única coisa que pode demonstrar é feitios irremediavelmente incompatíveis e a certeza de não brincarmos juntos no recreio).

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publicado às 11:01


22 comentários

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De Pandora a 03.02.2016 às 11:40

Já me olharam como uma bruxa herege que merece a fogueira quando afirmei (e afirmo) que não gosto de Saramago.
Já não brincamos mais?!
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De M.J. a 03.02.2016 às 11:42

brincamos pois.
mas éramos capazes de andar à porrada se dissesses que o eça era um presunçoso idiota e que o livro que mais detestaste foi os maias por ser muito grande.
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De Pandora a 03.02.2016 às 11:46

Ahhhhhh, isso nunca acontecerá porque: adoro Eça de Queirós, adoro Os Maias, e digo, na minha humilde opinião de alguém que até percebe de literatura, que as histórias de Saramago escritas por Eça seriam incomparavelmente mais interessantes.
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De M.J. a 03.02.2016 às 12:21

ai, ai.
seria a stalker do eça se o homem fosse vivo.
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De Pandora a 03.02.2016 às 12:47

Deixa lá. Eu seria a de Pessoa.
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De Gaffe a 03.02.2016 às 11:50

Não sei se concordo completamente contigo.
É verdade que não se pode catalogar uma pessoa pelo que ela lê, mas há escolhas de leituras que se associam a gente que francamente não gosto.
Acredito que temos tendência para pegar em determinado livro e não no que está ao lado, porque fomos crescendo dentro de específicos comprometimentos, vivências, experiências e atitudes e escolhas culturais que também moldam a nossa personalidade. O que escolhemos para ler, sobretudo o que gostamos de ler, é portanto também reflexo do que somos. Claro que somos mais do que isso, mas também somos isso.
Não brinco no recreio com Margarida Rebelo Pinto. Não consigo. Acabamos sempre muitíssimo zangadas.
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De M.J. a 03.02.2016 às 12:23

é isso mesmo que na maioria das vezes sinto.
há autores, livros que não concebo. e olho de lado, não consigo não olhar, para quem lhes apregoa virtualidades.
sei que a partir daí será difícil voltarmos a jogar ao elástico sem o meu julgamento de sobranceria.

depois, fico sem saber se isso não é ser um nadinha pequeno da minha parte.
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De Gaffe a 03.02.2016 às 13:07

Se for um "nadinha pequeno" da tua parte, minha querida, eu sou anã.
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De Sarabudja a 03.02.2016 às 11:54

Se não fosse o Alquimista de Paulo Coelho teria demorado muito mais tempo a gostar de ler e de encontrar um bom abrigo nas palavras (na adolescência).

A que horas vamos andar à porrada? Vale pontapés?
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De M.J. a 03.02.2016 às 12:24

só não vale arrancar olhos.
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De Violinista a 03.02.2016 às 12:00

Não gosto de ser julgada pelos meus gostos.
Mas seria difícil: infantil-macabra-depravada-intelectalóide-crítica-... uns tantos. E algum corresponderia? Talvez.

Eu já não julgo... a não ser que seja gente a gostar da Guidinha, Paulo Coelho e 50 Cenas. Aí não brinco.
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De M.J. a 03.02.2016 às 12:25

mas era mesmo desses últimos que me referia.
repara: se tens alguém que diz que o romance da sua vida é uma mulher apanhar no lombo não consegues dissociar a imagem com que ficas desse mesmo alguém...
não são muitos os autores que abomino.
mas alguns, os que acho sobretudo perigosos... esses não consigo não o fazer.
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De Me, myself and I a 03.02.2016 às 12:14

Nem gostos literários nem gostos musicais! Não temos que gostar do mesmo! No que respeita às amizades costumo dizer...somos amigos...não siameses!!!!
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De M.J. a 03.02.2016 às 12:26

certo.
mas não sei se consigo ser amiga de alguém que diga que o romance da sua vida é de uma mulher a apanhar porrada no lombo e a ser introduzida com todo o tipo de coisas no corpanzil.
sobretudo se esse alguém passar essa bonita imagem para os filhos.
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De Joana B. a 03.02.2016 às 12:53

Eu nessas coisas sou um bocado estranha. não tenho um estilo literário definido, leio um bocado de tudo. não tenho um estilo musical preferido, oiço de tudo.
Se me perguntarem qual é o livro da minha vida ou a música da minha vida, não sei responder porque gosto de várias coisas e às vezes tão diferentes. Não consigo escolher só um livro ou só uma música.
Já não brincamos no recreio?
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De Magda L Pais a 03.02.2016 às 13:22

Tal como não julgo um livro pela capa, também não julgo uma pessoa pelo livro que lê (ou pelo que não lê). Se assim fosse... teria de me separar do marido que não lê coisa alguma, do filho que é como o pai ou da minha irmã que adorou as 50 palmadas. Também não as julgo pelo que comem, pelo que ouvem de música ou pelo que vêem na televisão. Eu julgo as pessoas pelo que elas são comigo e/ou com os meus (e leia-se, nos meus, as minhas pessoas - a minha família, a minha seita do arroz, as minha pistosgas e os amigos e amigas). Se me tratarem bem e os tratarem bem, até podem ler Almeida Garrett, Paulo Coelho ou Margarida Rebelo Pinto que eu quero lá saber. Se me tratarem mal ou os tratarem mal... até podem ter lido mais livros que eu da Anne Bishop, da Juliet Marrilier ou de Jonh Grissmam. Aliás, podem ser os próprios que eu vou po-los de lado e odiá-los com todas as forças
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De M.J. a 03.02.2016 às 13:32

Hei-de vir cá com mais tempo responder que agora não posso. Mas adianto que acho que é melhor não ler que ler certas coisas (acho até que já discutimos isso) e que sim, olho sempre de lado para quem me diz que o seu livro favorito é aquele onde se introduzem coisas numa senhora depois de lhe mandarem chicotadas no lombo. Não consigo desligar-me disso. Mas eu sempre me assumi como anormalmente social.
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De Gaffe a 03.02.2016 às 14:33

Mas Magda!
O que se come, o que se ouve ou que se vê na televisão, são também reflexos do que somos! Não podes isolar e ignorar estes dados como se não fizessem parte da personalidade de cada um, valorizando outros tantos como exclusivos e responsáveis únicos pela forma como tratam aquilo que os rodeia.

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De Magda L Pais a 03.02.2016 às 14:42

Percebo-te, claro que sim. Mas eu valorizo mais as atitudes das pessoas do que aquilo que lêem/ouvem ou comem.
Não direi que é a atitude mais certa mas a mim parece-me que sim. Até porque as pessoas não são todas iguais e se todos tivéssemos os mesmos gostos seria tão, mas tão aborrecido
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De M.J. a 03.02.2016 às 14:59

certo. concordo por ai. mas há gostos e gostos.
vou dar um exemplo disparatado. se uma pessoa tiver como gosto matar cãezinhos, só porque sim? olha-la da mesma forma?
é um exemplo parvo, bem sei, mas era isso que queria dizer.
evidentemente que se conheço a pessoa, se for minha familia ou amigo, não vou deixar de gostar da pessoa por um livro que ela lê (a não ser que me diga que o seu livro favorito é um que ensina como propagar um vírus mortal pela sociedade). mas se for alguém que eu conheço mal, um colega, dificilmente vou conseguir olhar da mesma forma. acho até que dificilmente dou abertura a mais conhecimento. se esse alguém me diz que não leu os maias porque é muito grande dá-me logo uma coisa. são parvoeiras, bem sei. mas para mim, são pequenas coisas, às vezes inconscientes, que me fazem aproximar ou "desaproximar" de uma pessoa em processo de formação de relação.
não sei se me estou a fazer entender.
os gostos de alguém são também reflexo do que é.
eu não gosto de crianças. se houver alguém que goste muito de crianças eu até compreendo que não só não goste das porcarias que escrevo acerca delas como também não goste de mim. porque os meus gostos reflectem também quem sou. e é legitimo que alguém que adore crianças não consiga ver mais em mim do que esse meu anti-gosto e não queira nada comigo.
se é um pouco redutor? pode ser. mas nós na nossa maioria, somos grandemente redutores.
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De Magda L Pais a 03.02.2016 às 15:09

Repara - matar cãezinhos é uma atitude e, como eu disse, eu avalio as pessoas pelas suas atitudes.
Eu gosto imenso de crianças, tenho até duas em casa (ia dizer três mas depois, enfim, o marido podia ler :p) mas não deixo de gostar de ti. Porque as tuas atitudes valem mais que mil palavras.
Ler sobre um vírus que pode matar uma sociedade não significa que o vá fazer. dou-te um exemplo... vou ler o Mein Kapft (não me apetece ir ver se está bem escrito, estou com preguiça). Isso não faz de mim nazi nem me faz ter vontade de matar pessoas (não falemos aqui do que eu ia fazer nas finanças hoje, tá bem?).
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De Mula a 03.02.2016 às 14:00

Acho que os gostos literários vão sempre de encontro às vivências de cada um - não todos, mas alguns.

Por exemplo, se calhar uma mulher que não tem sorte no amor, que só se relaciona com homens parvos e acaba sempre abandonada, acaba por se identificar, e muito, com as histórias da MRP - repetidas ao expoente loucura -, porque facilmente se colocam no papel da personagem principal e vivem e revivem tudo aquilo que já passaram com alguém. No fundo para essas mulheres ler um livro - qualquer que seja, não diferem muito - dessa autora, é como pegar naquela caixinha de recordações que têm debaixo da cama, molhada de lágrimas e gosma, só que lhe permite manter um certo distanciamento porque existe uma personagem, fora dela...

Eu não consigo julgar alguém pelo livro que lê... a minha mãe por exemplo só lê livros da Sabrina e do Harlequim, e eu amo-a! (embora não consiga ler um desses livrinhos que tanto a apaixona)

Acho que há espaço neste mundo para todo o tipo de livros e todo o tipo de leitores, ou então teria de me separar - mesmo antes de me casar - porque o moço lá de casa só lê artigos sobre economia, aviação, autocarros, comboios e barcos... e um ou outro sobre saúde, mas tem de envolver qualquer coisa nojenta como "decomposição de um cadáver"! É um enjoo e irrita-me que não se sente, uma única vez na vida no sofá a ler um livro, com capa... com folhas, com número de página!...

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