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fim de semana.

por M.J., em 23.11.16

no fim de semana fomos dar uma voltinha.

sou uma burguesa pobre, vinda do povo, que dá grande importância à voltinha do domingo à tarde nem que isso signifique vestir a melhor roupa para dar dois passos na calçada escorregadia, voltando para casa com ar de dever cumprido.

nem tudo se entende e há coisas em mim que mais vale nem explicar.

assim como assim, perdidos numa vida em que andamos em passeio muito menos do que era suposto, e na combinação do almoço semestral com a seita, abancámos em peninche no sábado e almoçamos na nazaré no domingo.

peniche em mim o sentimento primitivo do mar. explico: menina e moça nascida e criada na serra vi o mar no seu esplendor, sem taças de arroz na mala, gente aos gritos no areal ou atenção à bandeira verde/vermelha, aos doze anos numa visita de estudo (que nunca estudávamos) num dia de outono. e não consigo, por mais que queira porque a memória extrapolou o sentir, descrever o primeiro impacto com o cheiro a sal, o vento no cabelo, a imensidão de água, de um verde azulado que me parecia maior do que qualquer céu que havia na serra.

em peniche "uma península meninos, olhem que vai sair no teste" estava-se rodeado de água e parecia-me imensamente mais livre do que na serra, rodeada de árvores. foi nessa altura que jurei viver ao lado do mar, algo que aconteceu até ter encontrado amor maior,

"uma península meninos, não é uma ilha!",

mas bem que há ilhas de amor.

 

 

Sábado é dia de passeio #Peniche

A photo posted by Maria João (@emedjay) on

 

almoçamos não o peixe que eu planeara mas uma espécie de, enrolada em arroz: um sushi manhoso. que a culpa foi minha embrenhada a sentir não percebi que o rapaz escarafunchava a net na procura de um restaurante recomendado aparecendo em fundo uma sugestão de sushi: nada bem feito, muito mal conseguido e, ainda assim, a abarrotar de gente que comer tudo o que se puder por dez euros não é para desperdiçar nos dias que correm.

 

no forte de peniche cheirava a sal e liberdade. li os relatos de quem fugiu e percebi que seria mais cobarde que dois moluscos meios mortos, perante actos como os descritos. no resto da tarde caminhamos pelas rochas, que havia sol e mar e vento e liberdade.

 

 

#Peniche

A photo posted by Maria João (@emedjay) on

 

 

de volta ao hotel, vista para o mar, a chuva a bater no vidro percebi os dois grandes inconvenientes que não vira nos comentários do booking:

i) as paredes eram de papel e ouvia tudo o que os vizinhos faziam (desde abrir a braguilha, a virar-se na cama ou a assoar o nariz).

ii) as almofadas eram um monte de esponja encarquilhada do tempo da minha avó. 

por melhor que seja a vista, a não ser que tenham um pescoço de aço e uns ouvidos disfuncionais não recomendo.

 

no domingo houve arroz. houve mar e vento e chuva. houve abraços, sorrisos, agitação e conversa. houve amizade numa mesa larga, num restaurante do mar.

no domingo houve uma parte de mim absolutamente completa.

P_20161121_145238.jpg

 

há dias de fins de semana.

e há fins de semana de absoluta vida. 

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publicado às 09:57


4 comentários

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De anacb a 23.11.2016 às 11:00

Sair do nosso ambiente de todos os dias, da nossa rotina, é só por si excitante. Se for para um sítio que nos enche os sentidos, melhor ainda. E se estivermos com quem nos enche o coração e alimenta a alma, então não há nada melhor.
Já dizia a minha avó que passear é uma das melhores coisas que se leva desta vida :)))
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De Maria das Palavras a 23.11.2016 às 11:25



De vez em quando passeia-se. De vez em quando, encontra-se. De vez em quando, é-se feliz (mesmo debaixo do vento e da chuva)
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De Joana B. a 23.11.2016 às 16:28

que capa tão bonita
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De Cristina a 23.11.2016 às 18:14

que bom, MJ!

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