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gordices*

por M.J., em 29.07.16

das aulas de ginástica pré casamento não ficou grande coisa. no stress e na desculpa do enlace, deixei de aparecer e estive quase dois meses sem fazer exercício.

em cabo verde comi como uma lontra ainda que a comida não fosse o forte do hotel. lá quantidade havia mas a qualidade deixava a desejar. ainda assim, um gordo mesmo que em recuperação nunca perde oportunidade de dar ao dente, sobretudo se já pagou para o efeito.

depois, um dia destes, quando retomei a balança que me chamava em lamentos do seu canto, percebi que tinha engordado dois quilos. dois! um gordo engordar dois quilos é como uma vaca ficar prenha: mal se nota ao início, a roupa cabe toda sem grandes diferenças e nem se assemelha a algo muito grave.

a não ser que conheçamos a história de ginjeira, como conheço, ao longo destes anos de vida em iô-iô e percebamos que, a continuar desta forma, sem exercício físico e a enfardar gelados ao fim de semana e às quartas à tarde vamos voltar a parecer o fernando mendes sem suspensórios.

um dos meus problemas é que posso inserir-me numa data de dietas e ir usando as mesmas a meu favor. por exemplo, nesta demanda de um ano e meio de "re-educação alimentar" comecei por contar calorias diárias e registar as ditas num site. houve dias que ingeri pouco mais de mil calorias e tudo ia bem no reino da banha até que percebi que nem todas as calorias são absorvidas da mesma forma e aquilo era um pouco idiota.

procurei portanto, outra coisa, e li algo que me deixava comer proteína na quantidade média, alguns legumes à fartazana e ainda pão de manhã. foi um ver se te avias. cortei nos hidratos (não todos, não sou louca e não há nem um rei que me obrigue a deixar a fruta) e dei-lhe nos vegetais folhudos e proteínas com direito a um dia de asneira. foi o meu momento fit, com grupos de meninas e enfardar mais proteína numa tarde do que eu numa semana.

depois de emagrecer uns dez quilos dei de caras com a dieta do paleolítico. gordura com força, carne com força e frutos secos (vá, a coisa é muito mais mas eu estou numa de resumos). ora então, pensei eu, posso comer bacon e banha de porco? porque é que ninguém me disse antes? mas isso é o paraíso do gordo!

acabei por nunca seguir esse regime, começando antes por adequar a proteína com hidratos e vegetais. adaptei-me a comer de tudo um pouco (excepto açúcar mais refinado) e os resultados continuaram até ao início do nosso post: o casório e o descambar de tudo.

pois bem, depois disso, como todo um bom gordo que se preze, comecei a entrar em medidas desesperadas e enganos a mim própria:

* não tem mal comer esta tira de chocolate porque de manhã bebi água com limão (?);

* posso comer este gelado porque hoje é dia de asneira. mesmo que ontem também tenha sido porque ontem acabou uma semana e hoje começa outra (?);

* posso comer pão com fiambre ao pequeno almoço porque se enquadra na dieta dos trinta e um dias, bacon com carne ao almoço porque entra na dieta do paleolítico e frango com quark ao jantar porque é fit (?).

fui, num rol de desculpas interiores - sabendo perfeitamente que eram desculpas mas acalmando os cavalos ao ego - entrando numa espiral de desleixo. é evidente que não comecei a comer doces todos dias, snifando açúcar, ou a aumentar as quantidades de massa integral, mas todo o desleixo tem consequências e o meu foram dois quilos!

ontem, portanto, fui caminhar depois de traçar um plano de ataque que envolve comer decentemente, sem dietas associadas, sem manias de exagero mas com aquilo que sei ser saudável.

caminhei um sete quilómetros em conversa com uma das meninas que ficou da ginástica, talvez a única, e cheguei a casa a transpirar em todo o lado, num calor que se prolongou durante a noite.

hoje estou aqui como uma entrevadinha gorda que usou pela primeira vez as próprias pernas, toda partidinha.

e mal humorada.

 

às vezes penso como gostaria de nascer no tempo futuro em que, sendo permitido comer tudo o que quisermos, um aparelhómetro no estômago remove instantaneamente para pó, todo o excesso (é uma ideia de milhões, eu sei).

há quem debique comida, com ar de nojo, apregoando comer para viver, sem necessidade de mais. 

eu sou uma pequenina debulhadora, que usa a comida como consolo em dias mais negros. só não preencho os requisitos daqueles gordos que se sentam no sofá a chorar em cima das batatas fritas e do litro de gelado porque há um ano e meio que não como batata frita de pacote e os gelados estão proibidos de entrar cá em casa. 

deus!

 

*acho que agora, que a palavra caiu em desuso, já posso usar. 

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publicado às 10:30


10 comentários

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De Fatia Mor a 29.07.2016 às 11:17

E eu à espera de ver, na sequência do asterisco, este post foi escrito em parceria com...
Eu que venho de uma longa linhagem de mulheres que levam a vida em dieta, mesmo sem motivo para tal, digo-te: gostar de comer é uma maleita para a vida. Como eu gostava de não gostar de tudo o que é bom e sabe bem! A muito esforço eduquei-me para não comer um chocolate por dia, ou um gelado de litro por dia, a seguir a uma lasanha, uma pizza ou pão com manteiga até cair de rabo.
Adorei a tua ideia de milhões. Se algum, alguém desenvolver isso, serei das primeiras a comprar!
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De M.J. a 29.07.2016 às 18:10

só falta arranjar investidores e inventores:) a ideia já existe e muitas vezes é o mais dificil :D
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De Olívia a 29.07.2016 às 11:31

Confesso, estou muito orgulhosa pelo teu esforço. Sete quilómetros, é muito.
Eu tenho vergonha de me pesar. Não me peso desde há cerca de seis meses, altura em que consegui ter um peso minimamente aceitável (10 kg a menos do que antes de engravidar).
E sei que tenho de enfrentar mais esse monstro em breve. Só não tenho é coragem.
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De M.J. a 29.07.2016 às 18:12

entendo.
durante semanas não me pesei. depois pensei que se não consigo enfrentar as minhas próprias consequências sou mais cobarde do que pensei.
excesso de peso é quase doença por opção.
às vezes há mesmo que começar no exato momento.
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De sarabudja a 29.07.2016 às 12:59

Há uns tempos ouvi e, confesso que concordo, que para se emagrecer é preciso alguma maturidade para nos contrariarmos. Trocar a frustração do e no imediato pelo resultado a longo prazo.
Conseguisse eu ser mais madura e manteria o peso sem problemas...
(Comeste cuscus ao pequeno almoço em Cabo Verde?)
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De M.J. a 29.07.2016 às 18:12

ora aí está: o meu problema é (também) falta de maturidade.
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De Mula a 29.07.2016 às 14:31

Acho que só quem tem verdadeiramente prazer a comer é que compreende o sacrifício que é fazer dieta. Dizem que querer é poder, mas não é verdade, porque não se desliga simplesmente um botão e se diz "pronto a partir daqui vou ser saudável e vou só comer alface!" há toda uma rotina social que se altera... porque uma coisa é comer alface enquanto se chora sozinha em frente à televisão, outra coisa completamente diferente é comer alface enquanto os amigos à nossa frente enfardaram bolos atrás de bolos como se o mundo fosse acabar amanhã... comer é muito mais que comer, existe todo um ritual social em volta...
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De M.J. a 29.07.2016 às 18:14

e existem hábitos, maneiras de encarar a comida.
comida sempre foi para mim conforto, ajuda para ultrapassar momentos menos bons.
é institintivo, quase primitico.
constrariar anos desses hábitos exige trabalho, força de vontade, voltar atrás, muitas falhas...
e não tem, sobretudo, resultados rápidos, o que frusta.
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De Cristina a 29.07.2016 às 18:31

isso da dieta paleo é que seria de evitar, MJ... conheço alguém que, e trata-se de pessoa inaturável, to say the least. "visitar" um nutricionista e ter um bom plano de atividade física? hum? bom fim de semana
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De Pandora a 31.07.2016 às 09:51

O melhor para essa reeducação alimentar é ter apoio profissional e especializado. Marca lá consulta com a nutricionista que te indiquei.

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