Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




há pais desse lado

por M.J., em 23.09.15

que queiram conversar não vendo nas minhas palavras um ataque, mas uma tentativa clara de compreensão?

se sim, expliquem aqui a uma pessoa com capacidade de amar mas fortes bloqueios à ideia de ter filhos, o que vos levou a querer parir.

(estranho, estranho é que mesmo gente que leva nos cornos dos rebentos, anos mais tarde, nunca diga estar arrependido de os ter tido: pressão da sociedade ou anormalidade mental?)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:17


36 comentários

Imagem de perfil

De (des)Esperança a 23.09.2015 às 11:48

pura biologia...
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 14:56

ah, essa...
Imagem de perfil

De lady_m a 23.09.2015 às 12:08

Não sei se sou capaz de te explicar, foi uma coisa que para mim sempre fez sentido. Embora muitos dias me passe da marmitinha com ele e ralhe e me zangue e tenha agora mais preocupações e trabalho do que quando não o tinha não me arrependo, existem outras coisas que acabam por compensar tudo. Eu sei que parece cliché mas a verdade é esta, o amor por um filho é em tudo diferente ao amor por uma qualquer outra pessoa, não melhor, não pior, diferente apenas, mais incondicional acho eu.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 14:56

mas ter um filho não é uma decisão prática na vida como qualquer outra?
Imagem de perfil

De lady_m a 23.09.2015 às 15:28

Não me parece que consiga ser uma coisa muito racional e prática. Acho que a maior parte das pessoas te vai falar em coisas do coração e não da razão.

Podes tentar racionalizar a coisa, é aumentar a família, deixar descendência, ter esperança que um dia mais tarde tenhas quem cuide de ti na velhice... sei lá... mas no fundo, no fundo acho que é mais uma coisa de coração e vontade.

Até porque nada é absoluto e eu até podia ter razões e planos para querer um filho e no fim sair tudo furado.

Se eu perguntar a alguém que não quer ter filhos para enumerar as suas razões e me responderem que não gostam de crianças, que não querem passar noites em branco e etc... eu posso sempre contra argumentar que as outras crianças não são as nossas, é diferente, que sim há crianças que dormem noites inteiras (11h cá por casa) e etc...mas não é isso que vai demover ninguém. Porquê? porque no fundo as razões são mais do coração do que da própria razão.

Não sei de me fiz entender ou não, que isto de por por escrito nem sempre é fácil.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:52

fizeste. dizes que essa é uma decisão puramente emocional e contrariamente às outras decisões da vida, em que é recomendado seguirmos a razão, neste caso não só podemos como devemos seguir razões puramente emocionais. é isso? a decisão mais importante de uma vida deve ser tomada com o coração.
talvez tenhas razão. só o amor pode levar a grandes sacrifícios. ainda assim faz-me urticária tomar uma decisão por motivos puramente emocionais. ou neste caso, hormonais.
Imagem de perfil

De lady_m a 23.09.2015 às 16:20

Mas tem que ser mesmo por amor. Porque esta é uma decisão que não podes reverter mais tarde. Com já li por aí há ex-marido, ex-namorado, ex-sogros, mas não ex-filhos.

Claro que há coisas racionais a ter em conta, mas que acabam sempre por ser mais relacionados com o quando do que com o ter ou não, por ex. condições financeiras. Eu por exemplo adorava ter pelo menos mais um, mas tenho noção de que não iria ter condições para ter os dois com a mesma qualidade de vida que tenho neste momento. Claro que para algumas pessoas isso não seria impedimento porque seguem a velha máxima, onde comem 3 comem 4, mas isso para mim não faria sentido.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 22:56

também há quem diga como escudo de batalha que se estás à espera das condições ideais para ter filhos nunca os vais ter.

depois queixam-se que não têm dinheiro para comer e o estado não apoia como devia.

mas isso já são outras histórias. quanto ao resto: entendo o que dizes.
Imagem de perfil

De meandmyboy a 23.09.2015 às 13:56

Então, eu resolvi engravidar um ano e alguns meses depois de me ter juntado. Se fosse por vontade do meu falecido eu teria engravidado dois meses depois, enfim. Achei que estava certo do passo que ía dar. Sempre adorei crianças e quando tive o meu fiquei radiante. Não tive grandes dramas levei tudo com calma. Agora, é difícil criar um filho. Tentar fazer o certo nem sempre é compensador o esforço.Mas tudo na vida tem prós e contras. E se não queres ser mãe tu é que sabes.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:15

quais eram os motivos do teu marido à época para querer ser pai com tanta rapidez, explicou-te?
Imagem de perfil

De meandmyboy a 23.09.2015 às 15:19

Porque achava que com 28 estava a ficar velho para ser pai.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:24

teve mais filhos entretanto?
Imagem de perfil

De meandmyboy a 23.09.2015 às 15:54

Não por enquanto não,talvez por não ter condições e a namorada ter uma filha de outro relacionamento.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:59

bastou-lhe um para acalmar a piriquita. sim senhores, ao menos não se tornou irresponsável e pôs-se a tentar povoar o mundo.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.09.2015 às 18:22

"bastou-lhe um para acalmar a piriquita", ahahahahaha!
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 22:55

Às vezes não meço o que digo, bolas. Oh Tânia tu num te zangues mulher.
Imagem de perfil

De meandmyboy a 24.09.2015 às 09:34

Eu não me zango mulher. Adoro ler as coisas que tu escreves ,por vezes com sarcasmo, adoro . Bastou-me dizer-te o "falecido" e tu entendeste. Gosto disso.
Imagem de perfil

De M.J. a 24.09.2015 às 14:59

ora ainda bem que gostas que às vezes uma pessoa não pensa bem no que escreve.
Sem imagem de perfil

De Dama de espadas a 23.09.2015 às 14:15

Ora caraças a maternidade...
Não sei se falo ou não... Hoje tou com os azeites
Eu fui mãe por acidente. Engravidei sem planear.
Eu a dona senhora que gosta de planear tudo pimbas truflas...
Se tenho saudades de não ser mãe? Não.
Tenho saudades de dormir até não puder mais, tenho saudades de chegar a casa e estender me no sofá e jantar café com leite, tenho saudades de ir para a praia as 9h da manhã e sair de lá as 19h...
Tenho saudades dessas liberdades que agora não tenho porque tenho um ser que depende de mim.
Se gosto de ser mãe? Adoro.
Se é difícil? É! Para mim é a coisa mais difícil do mundo, tentar educar um ser, incutir lhe moral e valores neste mundo de merda....
Se me passo da marmita? Siiiiiim! Ainda há uns tempos peguei nas chaves e deixei a descendência em casa com o pai e fui apanhar ar no focinho.
Se vale a pena? Sim. Porque há coisas que só aprendes e sentes com a vinda de um filho.
Não sei se nasci para ser mãe. Não sou a melhor mãe do mundo. Grito. As x sai uma palmada. Tb faço birras e perco a paciência.
Mas sou mãe. E tento fazer o melhor que sei por aquela pessoinha.
Eu que sou uma desprendida uma solitária tenho um amor desmedido por aquele ser e deixo que ele me prenda. Se tenho amarras, se tenho coragem de leão é por ela.

Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:16

li tudo. absorvi tudo como sempre faço quando há uma transparência e genuinidade nas palavras. mas continuo sem resposta: quais as vantagens de ser mãe?
Sem imagem de perfil

De Dama de espadas a 23.09.2015 às 20:16

Vantagens?
Não há.
Tal como não há desvantagens
Porque não sabes como vai ser.
Como alguém disse aí em cima ter filhos é uma decisão do coração e não da razão e para o músculo do peito não há vantagens ou desvantagens. Há escolhas.
No meu caso se tiver de falar em vantagens então serão as amarras que eu tanto precisava para não querer ir para onde o vento me leva. Outra vantagem é eu ter na minha filha a minha obra. Não sou mulher para grandes feitos, para deixar a minha marca no mundo.... Excepto ela. Ela vai ser o que vai restar de mim. Quem me vai lembrar quando eu cá não estiver. outra vantagem é poder experimentar o que é criar algo uma vez que eu criei aquele ser. E experimentar o tal amor diferente que tanto falam.
E pronto acho que é isto
Sem imagem de perfil

De Dama de espadas a 24.09.2015 às 13:12

Porquê que hoje após mais uma noite sem dormir eu acho que escrevo escrevo mas não digo nada?!
Entendeste? Mesmo? Ou foi para me falar? Se foi para me calar não faz mal... As x preciso mesmo de um stop
Imagem de perfil

De M.J. a 24.09.2015 às 15:08

não, não disse entendo para te calar. disse entendo porque percebo o que dizes. sou uma pessoa com capacidade de amar. percebo que alguém queira criar um ser para amar.
mas não entendo, por mais que me critiquem, como se pode querer amar algo que não existe. o que eu acho, muito sinceramente, é que quem decide ser pai ou mãe (as pessoas que não o fazem porque é assim que os outros fazem) fa-lo porque está a amar a ideia que se tem de pai e mãe. e não há mal nisso. não há mal em se amar a ideia de uma coisa. o que não consigo concordar é que se decida ser pai e mãe unicamente com base numa ideia. unicamente com base numa escolha que toda a gente, até agora, disse ser irracional. ninguém me conseguiu ainda dizer o motivo porque quis ser mãe, racionalmente. toda a gente falou em escolhas, em decisões emocionais, em lugares abertos com espaço para serem preenchidos. mas ninguém disse razões objectivas, claras, que as que alguém que nunca foi mãe pode avaliar sensatamente:
- porque não quero estar sozinha;
- porque os meus pais tiveram-me e eu gostei de ser filha e quero fazer o mesmo.
- porque tenho o poder de criar uma vida e isso assemelha-me a deus.
- porque posso ficar de licença de maternidade em casa.
- porque talvez um dia, se tudo correr bem, alguém me apoie na velhice.
- porque um imperativo biológico assim o manda.
- porque não sei mas o meu corpo pede e eu não vejo razões para contrariar o meu corpo.

tirando uma ou duas excepções ninguém apresentou motivos como aqueles. toda a gente falou em decisões que se sentem, em uma coisa que sempre quiseram. mas, mais uma vez, salvo raras excepções, ninguém disse porque tenho esta ou aquela vantagem.
e das duas três: ou não há vantagens; ou há vantagens mas ninguém quer ver a coisa por esse prisma porque parece mal falar em vantagens ou as vantagens não são descritíveis por palavras.

mas ainda assim, entendo o que disseste. não apreendo mas entendo perfeitamente.
Sem imagem de perfil

De Alexandra a 24.09.2015 às 17:00

Tentei ligar o botão do pragmatismo, tão ausente nestas coisas do "prazer de ser mãe", e lembrei-me agora de uma razão objetiva na decisão de ser mãe uma segunda vez: queria que a minha filha tivesse um irmão.

Tenho um irmão e acho que a minha vida é muito mais fácil por ele existir. Queria que ela tivesse essa mesma sorte.

Fui altamente criticada por quase todos os que me rodeavam e coisas que eu ouvi ....... "Não se pode tomar uma decisão destas por um motivo desses, mas porque se quer.....", e eu queria, mas era por isso!

A decisão foi bastante objetiva na minha cabeça, mas tudo o resto, a seguir, foi tão subjetivo como da primeira vez. Hoje não tenho a minha filha e o seu irmão, tenho os meus filhos (será que com favorito?! Não ;-).
Imagem de perfil

De M.J. a 25.09.2015 às 14:01

adorei esta resposta. obrigada alexandra.
se eu decidir filhos também lhe darei um irmão. não suporto a ideia de fazer a uma criança o que me fizeram a mim. os filhos únicos são claramente... diferentes.
Sem imagem de perfil

De Sarabudja a 23.09.2015 às 14:22

E lá há explicação para essa vontade? Ou se tem ou não se tem. Ou se quer ou não se quer.

Eu cresci a pensar que era a Mafalda, do Quino, mas percebi que tinha um lado Susaninha muito muito acentuado.

Era legítimo poder e querer ter um filho. Claro que podia viver só com o meu namorado, mas um bebé que cresce e se faz menino, e por aí em diante, cabia no meu mundo. Mais tarde, fez sentido e havia espaço, disponibilidade, desejo de ter mais um.
Gosto desta coisa de os acompanhar no crescimento. Gosto muito disso que tu abominas: achar que os meus filhos são muito meus. Mas sabes, são tão, mas tão meus, que todos os dias, a cada segundo os faço do mundo, permito que o mundo seja o sítio deles, sem nunca os deixar esquecer, que têm o meu Amor, onde quer que estejam, com quer que estejam. Sem também não os deixar esquecer que também eu corro neste mundo, que Vivo, que respiro como mulher. E só assim posso Ser a melhor mãe que tenho conseguido ser.

Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 15:24

vamos concordar em discordar. nada na vida é preto ou branco. antes de se querer ou não se querer há que saber-se por que se quer e por que não se quer. não acredito em vontades sem um qualquer lado prático. ou melhor, acredito em vontades mas não tenho assim muita consideração quem seguindo essas vontades não pondera antes vantagens e desvantagens.
Sem imagem de perfil

De Sarabudja a 23.09.2015 às 16:11

Nisto do Amor não se medem vantagens ou desvantagens. Não é comprar um cão, um carro com maior ou menor cilindrada, mudar de casa ou fazer uma viagem depois de nos despedirmos do emprego que nos permitia pagar contas.
Ou há espaço na nossa vida e esse espaço é ocupado para sempre, sem possibilidade de troca, de entrega em sede, despedimento por justa causa.

Ter um filho não passa por uma folha de excell, um estudo cientifico. É o que é, e se complicar muito na altura de pensar neles, não há lugar para mais uma pessoa. Porque é isso que eles são: mais uma pessoa no nosso mundo, que o vai habitar para sempre, que mudará a paisagem, que exigirá tempo.

As vantagens?! Nenhumas se não conseguires perceber o vínculo.
As desvantagens? Nenhumas se o entenderes como um filho.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 16:15

lá está. o que queres dizer, se percebi, é que a decisão mais importante de uma vida deve ser tomada de forma puramente emocional e hormonal. que não há uma única razão racional (passe o pleonasmo) para o fazer.
e é isso que não entendo. "ter um filho é o que é". e o que é?

estou a pôr-me deliberadamente de fora para tentar perceber,

(no fundo, estou só a arranjar motivo de conversa. ou também.)
Sem imagem de perfil

De Sarabudja a 23.09.2015 às 16:41

Por que decidiste namorar? Traz vantagens? Analisaste francamente? Mais vantagens ou desvantagens? E gostar dele? É coisa que passa pela razão?
Ou havia espaço na tua vida para o teu namorado e as tuas hormonas e sentimentos deixaram que a história acontecesse?

Sabes que tiras piadas aos sentimentos se os reduzires a uma lista de vantagens e desvantagens.
A decisão de ter um filho passa pelo racional quando se tem em conta um sem número de aspectos frios, economicistas, mas muito necessários e que se deve acautelar. De resto é só mesmo vontade de ocupar espaços, que não estando vazios, também podem ser ocupados.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 22:54

decidi namorar porque o rapaz se inclui na minha vida. veio ter comigo e eu apaixonei-me. mas eu não decidi criá-lo, se é que me faço entender. eu não decidi dar-lhe vida.
ainda que, pensando bem na coisa, decidi dar-lhe espaço na minha vida.

entendo.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.09.2015 às 16:22

Durante anos não quis ser mãe. Nem sequer me conseguia imaginar mãe de alguém, não sentia nenhum apelo e a maioria das "cenas de mãe" davam-me um enjoo (isso não mudou)... E depois de 9 anos de vida em comum, de repente, não sei porquê, passámos os dois a querer.

Costumo dizer que na "fila dos bebés que estão para nascer", me enviaram estes por acharem que eu só conseguiria se fosse fácil... ou se calhar eles foram fáceis porque tudo, quando cada um deles nasceu, tinha lógica (se tivesse sido antes, de certeza que eu não estaria "no ponto").
Não "mudou tudo" (odeio essa expressão), mudou o que nós quisemos que mudasse, de forma simples e sem sacrifícios.

E não, os cocós não cheiravam bem, os casacos com manchas de bolsado eram um nojo (mas não são sempre bebés, certo?), quando estão doente é uma m***** e quando as coisas correm mal não é simples. Mas somos mais felizes com eles. Porquê? Não sei, só sei que sim.

Agora, se me pedissem que para acreditar neste discurso há uns anos atrás, esquece... eu não acreditaria e nem nunca me passaria pela cabeça que alguma vez EU ia dizer isto.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 22:55

Agora, se me pedissem que para acreditar neste discurso há uns anos atrás, esquece... eu não acreditaria e nem nunca me passaria pela cabeça que alguma vez EU ia dizer isto.

ah como eu acho que vou passar pelo mesmo, minha anunciação de jesus.

(obrigado).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.09.2015 às 23:00

Cá estarei para te ler!
Imagem de perfil

De M.J. a 23.09.2015 às 23:00

e eu cá estarei para assumir. :)

Comentar post



foto do autor