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acabei um curso superior, tive um bom trabalho e planeei a minha vida profissional como algo certo e transparente. arrependi-me do curso superior, despedi-me do trabalho e reorganizei a vida de trabalho depois de a colocar num turbilhão. fiz amigos. de infância, de adolescência, de juventude e já adulta. perdi amigos. de infância, de adolescência, de juventude e, estranhamente mantive os de adulta mesmo que às vezes questione se é recíproco. conheci uma irmã que não sendo de sangue é de coração. ansiei muito por me rodear de pessoas e por me abandonar de pessoas até perceber qual a medida que resulta comigo. quis fugir do sitio onde nasci e depois voltar quando percebi que era o meu refúgio. quase morri fisicamente e estive morta emocionalmente. desisti muito e fugi ainda mais vezes. ganhei arrogância. perdi arrogância. entendi o quem ao mais alto sobe, a galinha da vizinha, mais vale uma pomba, quem escorrega e todos os outros, por os viver na pele. li muito, parei de ler, voltei a ler com intensidade. engordei, emagreci, voltei a engordar. escrevi um livro. editei um livro.  abri um blog, fechei um blog, abri outro blog. conheci pessoas através do blog. do primeiro, do segundo e do terceiro. mudei de casa. de várias casas. pensei nunca encontrar ninguém com quem partilhar a vida. pensei ter encontrado alguém com quem partilhar a vida. recebi um valente pontapé no rabo de quem pensara que podia partilhar a vida. sofri por amor e sobretudo por desamor. recusei-me a perceber as pessoas e as suas fragilidades e ergui a minha dor como uma bandeira, clamando a sua importância acima das outras. senti-me superior mesmo sendo muito pequena e quando reparei na minha pequenez apreendi um pouco acerca de humildade. eduquei-me em deus, perdi deus e desacreditei da religião. convenci-me que o mundo era do tamanho do que via até concluir que o mundo será sempre do tamanho do que não vivo. aprendi a amar. a amar muito. sem comparações e sem diminuições. pus-me no lugar certo da relação, na aprendizagem do que ficara lá atrás. descobri-me em mim pelo amor de outrem. casei. deixei de dar valor às coisas grandiosas e percebi a beleza das pequenas. redescobri o sabor de cevada e pão com manteiga. assumi como traumas os traumas, como medos os medos, como fragilidades as fragilidades, eu como eu. elenquei os defeitos e percebi os que não podia mudar aceitando-os e combatendo-os. viajei menos do que queria e mais do que pensei. vi demasiada tv de lixo e ri-me javardamente do que não era para rir, mesmo que desse vontade. caí em situações estranhas, tomei medicação estranha e senti coisas estranhas. fiz coisas que jurara não fazer e reorganizei prioridades. traí, fui traída. abandonei, fui abandonada. levei-me demasiado a sério e dei-me um valor infinitamente menor do que o que tenho. ganhei ideais e ri-me dos ideais. pus em causa valores, abandonei convicções e aprendi a duvidar. de tudo. ou quase tudo. aprendi a conhecer-me mesmo desconhecendo-me. fui eu mesmo não sabendo quem era.

 

e vivi até aos trinta depois de me convencer que não passaria dos vinte. 

e estou aqui. 

 

e que benção é estar aqui.

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oh vai ver ali:

publicado às 00:00


12 comentários

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De outra a 20.05.2017 às 00:15

Parabéns parabéns!!!beijinho
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De Cristina a 20.05.2017 às 01:09

que bom! muitos Parabéns, MJ! dia Feliz :-)
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De Quarentona a 20.05.2017 às 01:46

Muitos parabéns! Fazes anos no mesmo dia de um grande amigo meu, nunca mais me vou esquecer. Ah, ele também faz 30 :))))
Os teus 30 são muito mais cheios do que os meus 43, mas acredita que vais no caminho certo ;))))
Beijoca grande 😘
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De Margarida a 20.05.2017 às 06:06

Parabéns! E que venham, pelo menos mais triste... com muita qualidade! *
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De Fatia Mor a 20.05.2017 às 09:00

Caraças que já dei mil voltas para comentar isto aqui... Tudo porque estou no telemóvel. Bem isso não interessa.

Muitos parabéns, pelos 30 e não só! Que contes muitos! Especialmente com essa capacidade de análise. O nosso carácter define-se pelo esforço em nos melhorarmos continuamente. E se já fizeste isso tudo até aos 30... Que venham mais 30 e depois outros tantos, sempre com a capacidade de aproveitar as pequenas coisas da vida!
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De C.S. a 20.05.2017 às 09:02

Muitos parabéns, pelos 30 e por este texto maravilhoso. Adorei. Beijocas
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De Dona Pavlova a 20.05.2017 às 09:11

Parabéns ;)
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De merceariamagina a 20.05.2017 às 10:59

Ao longo destes 30 anos demonstraste ter uma força e maturidade que muitas pessoas de 60 não têm. São todos esses momentos, os bons e os maus, que nos moldam e nos transformam na pessoa que somos e que queremos ser. Muitos Parabéns, que tenhas um dia e uma vida feliz!
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De Maria a 20.05.2017 às 19:19

Muitos PARABÉNS! Pelos 30 (que saudades) mas acima de tudo por teres tirado lições de tudo o que a vida te trouxe.
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De José da Xã a 20.05.2017 às 23:20

Belíssimo texto.
Num dia de aniversário nada melhor que... fazer um balanço.
A vida é como o mar... umas vezes é "mar chão" outras "malagueiro".
O que conta mesmo é que saibamos viver nesse mar.
Não comento aqui muito, é certo. Mas leio o que escreves amiúde.
Deste homem de fé desejo-te que daqui a dez anos ainda por aqui andes... com juniores à mistura, faxavor.
Não imagino o que seria minha vida sem filhos: neste momento direi que tenho três, o M. precisamente um mês mais velho que tu, o D. mais novo dois anos e a escrita muuuuuuuito mais velha.
A vida nunca é fácil. Temos de aprender a aceitar.
Espero que tenhas passado um fantástico dia.
A gente lê-se por aí!

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