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isto é a sério: hoje passo-me.

por M.J., em 15.03.17

desde há uns meses, quando comecei a trabalhar fora do conforto do meu escritório de casa, que descobri pessoas estranhas.

nos últimos tempos a coisa acentuou-se de tal modo que deixei de perceber se sou eu que estou mais estranha do que o habitual (ao género de quem vai em contra-mão na autoestrada sem perceber) ou se tive a peculiaridade oferecida pela vida de conviver com gente mais inábil do que eu nisto da relação pontual com o outro.

 

já vi de tudo:

  • desde o senhor que esperava a esposa, dias inteiros, na recepção, para perceber se ela convivia com entes do sexo masculino;
  • a pessoas que se sentam nas mesas de convívio de olhos fixos em quem passa, não baixando nunca as vistinhas;
  • a gente que partilha os mesmos espaços de trabalho sem dizer água vai, entrando de novo e nem um bom dia;
  • a gente que nunca responde aos meus bem educados cumprimentos matinais;
  • a gente que se encosta a mim na fila do café e que coloca dinheiro na máquina quando a minha água choca ainda está a descer para o copo de plástico;
  • a gente que passa à frente de toda a gente para o café;
  • a gente que marca o wc com os seus dejectos (deve ser para mostrar que tem os intestinos saudáveis, sei lá);
  • a enfim, gente.

por coincidência (ou por ser a melhor hora) tenho feito a minha pausa matinal ao mesmo tempo em que, pelos vistos, meio edifício vai à rua.

a escolha do timming não é inócua, uma vez que corresponde exactamente a metade do tempo da jornada matinal e, na minha necessidade de esticar as costas e dar dois gestinhos às pernas, junto-me à multidão e faço parte do rebanho que inunda a casa de banho, empanca as filas do café e se amontoa à porta - independentemente das suas funções, necessidades e motivos para ali estar - de cigarro na mão, beatas no chão, copos de café e plásticos de comida rápida que sai de umas das máquinas.

 

então e qual é o problema M.J., sua snob?

 

é que no meio desse amontoado de gente tenho visto, todos os dias, um fulano.

ah, um fulano, que drama!

pois é!

é que o dito, cheiinho até às orelhas de uns olhos de carneiro mal morto, olha-me descaradamente, cima a baixo, e não desvia a vistinha nem quando o confronto. 

é constrangedor em demasia uma vez que:

  • o moço não está a dizer um howudoin;
  • o moço não está a mirar as minhas trombas por serem bonitas uma vez que, a não ser a minha mãe por motivos óbvios e o rapaz que teve a infeliz ideia de se casar comigo, ninguém consegue ver um pingo de beleza nelas. (nem eu).

 

pior! tenho a certeza absoluta que o moço está claramente a:

  • contar as borbulhas;
  • avaliar o tamanho de olheiras;
  • dimensionar os pelos que restam;
  • percepcionar o cieiro nos lábios;
  • enumerar as brancas no cabelo; ou, em última instância,
  • a descortinar uma braguilha aberta.

digo-vos: é altamente desconfortável e faz-me sentir como nas aulas de educação física, quando tinha de saltar barreiras e acabava por cair com elas em cima, numa embrulhada de pés e ferro.  ou como uma porca antes de ir para o matadouro com os presuntos indevidamente firmes. ou como uma gorda que bebe um café de caramelo quando devia estar a beber água da fonte.

 

 

é ridículo e tenho-me contido,  de uma forma monumental, para não lhe deitar a língua de fora. 

 

até hoje!

hoje meus senhores, se o encontrar com olhos de carneiro mal morto, solto-lhe dos dedos do meio. 

os dois.

durante cinco minutos.

 

maluca por maluca não devo destoar muito no meio disto tudo. 

 

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publicado às 10:00


7 comentários

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De Cá coisas minhas a 15.03.2017 às 10:49

E eu se lá estivesse batia palmas.
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De M.J. a 15.03.2017 às 13:51

não apareceu.
deve ter lido isto.
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De Outra a 15.03.2017 às 12:27

hahahahaha muito bom! Era bem feita!
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De M.J. a 15.03.2017 às 13:51

hoje não apareceu. será que faleceu?
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De A rapariga do autocarro a 15.03.2017 às 14:17

Tu dá-lhe com alma!!!
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De Quarentona a 15.03.2017 às 22:26

Ahahahahahah :D
O que eu me ri! Olha, se quiseres, envio-te para aí a "mais querida" que te olha de cima a baixo com olhos em palplus, assim comássim, só se estragava uma casa :D
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De Joana B. a 16.03.2017 às 16:34

queria ser mosca para ver essa cena.

e não tens aí nenhuma que diga "ai tem uns sapatos novos", "muito bem, uma camisola com brilhantes" ou então "olha uma caneta com corações, isso assim é outra coisa", tem sempre de fazer uma observação sobre qualquer coisa e quando fala ao telefone todos tem de ouvir a conversa, ao final do dia estou com a cabeça feita em água...

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