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barrigas de aluguer: sim, não, talvez, depende.

 

justique.

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publicado às 10:49


37 comentários

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De Olivia a 03.08.2017 às 11:13

Nunca.
1. Nunca seria uma - uma gravidez é uma fase complicada... o parto também, só se fosse maluca é que faria disso um negócio, preferia comer pão duro e água das poças todos os dias.
2. Nunca recorreria a uma. Considero os filhos adotivos exatamente iguais aos biológicos, posto isto acho que existem duas opções para ter filhos. E chega.
Dou-te a minha opinião sincera, sem querer ser demasiado dura para com quem pensa nisso.
Repara, nem sequer usei argumentos de ética nem religiosos..
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De M.J. a 03.08.2017 às 11:29

1. e que tem a ver o dinheiro com isto? não pode ser somente um acto de boa vontade? de generosidade? de dar a oportunidade a quem realmente quer e não pode, de ser pai? eu acredito que haja pessoas que sintam essa vontade de ajudar. e mesmo que haja dinheiro envolvido: não é a saúde um negócio? não haveria gente que, em desespero de causa, até compraria um rim para um filho? não iriamos todos pagar aos melhores médicos se eles tivessem a cura para os nossos filhos?

2. mas então qual a diferença? por que é que um filho adotivo é um filho e um filho gerado com o teu adn noutra pessoa não é um filho? por que é que um ato é melhor do que o outro? ou mais válido?

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De Olivia a 03.08.2017 às 11:50

Como te disse, é a minha opinião. Barrigas de aluguer serão certamente boas oportunidades de negócio, engravidar, passar por todas as alterações físicas e psicológicas para no fim dar o bebé a alguém deve ser de uma violência tremenda não vejo ninguém fazer isto só porque sim ou porque são muito boas pessoas... quanto à adoção não entendo que seja mais ou menos válido ou melhor simplesmente sinto que as crianças institucionalizadas precisam de famílias, eu vejo isso porque lá entro, porque as crianças pedem colo, pedem para vir comigo, querem afectos, mimos...
(Estou no telemóvel e escrever aqui é dose..)
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De M.J. a 03.08.2017 às 12:02

debatemos melhor quando estiveres no pc :)

são só opiniões, evidentemente, mas nisto dos filhos alheios temos todos opiniões cerradas, incluindo pessoas que como eu não têm filhos! é um mistério que alguém devia resolver :D

gerar a vida ou cuidar da vida não é muito diferente. cuidar de uma criança sem pais ou gerar uma criança para ter pais...
o que interessa realmente não é o amor?
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De M.J. a 03.08.2017 às 12:28

e há outra coisa olivia... quando falas que não vês ninguém a ser barriga de aluguer por ser apenas boa pessoa... repara: não é mais ou menos o mesmo do que criar uma criança que não se gerou, apenas por boa vontade? por se querer fazer o bem? há tanta gente noutros países que adopta crianças apenas para as explorar - nos EUA havia um historial gigantesco disso. o acto de amor de gerar vida que não se cuida não é igual ao acto de cuidar de uma vida que não se gerou?

são apenas questões para refletir, nada mais. eu gosto de pensar nas outras opiniões e tenho a secreta esperança que alguém goste de questionar as minhas.
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De Olivia a 03.08.2017 às 12:47

Eu compreendo o que dizes, mas deixa me só dizer que engravidar para te dar um filho - mesmo que fosses a minha melhor amiga, a minha irmã era coisa que eu nunca faria, estar grávida, sentir o bebé, vomitar de tudo e mais o resto, engordar 10 quilos em cima do que já tenho... é preciso muito distanciamento para quando o vês sair de ti o dares a alguém porque afinal não é teu...
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De M.J. a 03.08.2017 às 17:15

entendo e acredito. eu não sei se seria capaz.
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De Silent Man a 03.08.2017 às 12:28

Com o enquadramento legal certo e "air tight" no sentido de impedir à cabeça fraudes de parte a parte, acho uma boa alternativa aos pais que, por este motivo ou aquele, não conseguem ser pais. Não discordo nem deixo de discordar, é-me completamente indiferente aquilo que cada um quer fazer da sua vida no que à geração de filhos diz respeito. Só acho que a possibilidade deve ser aberta.

Posto isto, acho que nunca vai ser um assunto pacífico, porque o enquadramento legal nunca vai ser "air tight" e vai haver sempre margem para alguém ganhar isto. Na realidade, estamos em Portugal e o tuguinha pequenininho gosta é de praticar Direito ao analisar a lei à procura da letra onde é possível aldrabar o próximo.

E acho exactamente o mesmo para a maioria dos outros temas polémicos, como a Eutanásia ou o Aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por parte dessas mesmas pessoas. Apesar de nos considerarmos católicos, somos um país cada vez mais laico, por isso discordo sempre dos lóbis da Igreja sobre a lei soberana deste cantinho à beira-mar plantado.

Este comentário tá meio baralhado... Mas acho que dá para perceber
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De M.J. a 03.08.2017 às 12:36

percebi sim.
mas a lei também é aplicada por todos nós. somos nós que a seguimos e moldamos.

não vejo qualquer tipo de mal na mulher que "cede a barriga" receber dinheiro por isso. não vejo mesmo.
tudo o que é novo choca. ninguém vê mal nenhum, por exemplo, nas indemnizações de sangue. se uma pessoa morre num acidente há ações judiciais que demoram anos para ver quanto se recebe por aquela morte. a familia diz "não há dinheiro que pague" e na verdade, não há. mas o dinheiro é a via mais prática para vivermos. e se pode facilitar certas coisas, por que não? tá tudo bem em usarmos dinheiro para nos alimentarmos, divertirmos, curarmos, vivermos, mas já está mal se há uma coisa ou outra que nos bate em principios que não sabemos justificar?

se uma mulher puder gerar uma criança de boa saúde e no fim receber uma compensação monetária por isso, qual é o mal?

(ah! e somos todos muito laicos mas cheios de caruncho do que nos foi inculcado em tempos, do que vimos, de uma educação global de terços, novenas e procissões. tentando não desrespeitar quem é crente, custa-me que a crença de cada um tenha a prepotência de saber qual deve ser a crença de todos. se bem que, há muita gente que também o sendo usa os principios para si mesmo não achando que o resto do mundo os deve usar. esses são os que respeito).
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De Silent Man a 03.08.2017 às 12:54

Nesse caso, estamos de acordo. Ambos achamos que deve haver a oportunidade, que deve ser legal. Eu só acho que se deve trabalhar no enquadramento legal, tanto o genérico da lei, como o particular de cada caso pelos advogados das partes...

Quanto ao teu parentesis, concordo parcialmente, mas deixemos ESSE debate para outro post, para não desvirtuar este.
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De o Bom Idiota a 03.08.2017 às 12:29

sempre!

o corpo é meu. não prejudicando terceiros, porque carga d'água alguém me poderá impedir de fazer com o que quero com o meu corpo? e, note-se, que não estou a falar de vender um rim ou um pulmão. argumentos de ética e moral valem 0, porque não há uma uniformização de ética e moral em nenhuma sociedade, se assim fosse teria sempre de haver unanimidade nas questões polémicas. e como tal, sou terminantemente contra alguém ser impedido de algo porque há luz dos valores éticos de outrem o comportamento é errado.

até digo mais, sou apologista de que as pessoas que são contra o aborto, eutanásia, barrigas de aluguer, etc, deviam ser proibidas de votar em referendos desse tipo, porque só perpetuam esse retrocesso.

se é contra o aborto, óptimo, essa pessoa não aborta.
se é contra a eutanásia, óptimo, essa pessoa não se mata (voluntariamente)
se é contra as barrigas de aluguer, óptimo, essa pessoa não ganha dinheiro a ter bebés dos outros.
se é contra o casamento de homossexuais, óptimo, essa pessoa que case com uma mulher.
se é contra a prostituição, óptimo, essa pessoa não vai para a beira de uma estrada ganhar a vida.

a minha questão é: porque é que essas pessoas do contra têm sempre de tentar impingir aquilo que não gostam aos outros?

ninguém que é a favor do aborto, por exemplo, vai impingir a uma pessoa que é contra a pressão para abortar. isso não acontece. ou então, ninguém que é a favor do casamento entre homossexuais vai impingir estes casamentos a um hetero. mas estas pressões de lobbystas do contra, muitas vezes patrocinadas por catolicismos bacocos é que é mesmo de bradar aos céus.

por isso, barrigas de aluguer, sim, sempre, mesmo eu não querendo isso para mim, como forma de ter um filho - concordando que optaria sempre por adoptar na impossibilidade da minha companheira não poder engravidar - não posso no entanto obrigar a que todos pensem da mesma forma, e como tal, nada me move contra quem recorre a esse meio.
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De Maria Alfacinha a 03.08.2017 às 13:25

Tema interessante.
Não tenho nada a ver com o que cada um faz com o seu corpo ou (por) dinheiro.
É-me indiferente se o fazem ou porque o fazem.
Eu não o faria. Nem seria barriga de aluguer (mas também, se fosse infértil, não iria querer óvulos de outra dentro de mim, ou fertilizações em tubos de ensaio, etc...), nem compraria uma. Mas também é verdade que eu não entendo a fixação que as pessoas têm em perpetuar o seu ADN (ou a tal história do relógio biológico e que a maternidade completa a mulher e blablabla, blablabla) :-)


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De Ricardo_A a 03.08.2017 às 13:49

Completamente de acordo. Por duas razões:

Em primeiro (e a principal) porque a pessoa deve fazer com o seu corpo o que bem entender.

Em segundo porque já, há muito, que ultrapassamos o "aceitar o que Deus nos dá" (isto para quem for crente).

Hoje em dia não morremos de doenças que eram mortais na idade média e não vejo quase ninguém a defender que ninguém deve tomar medicamentos para "aceitar o que Deus nos dá".

Mesmo a inseminação artificial já é contornar "o que Deus nos dá", permitindo que pessoas, que antigamente nunca seriam pais, possam realizar esse sonho. São poucos os que contestam isto.

Então, havendo a possibilidade da "barriga de aluguer", porque razão é que se condena um casal a não ter filhos biológicos. Só porque a mulher, por razões físicas, não os pode ter ? Aí o princípio "o que Deus nos dá" é para valer ? Será que quem defende isso também não toma medicamentos para o coração e deixa-se morre de apendicite, como acontecia na idade média ?

Eu só tenho pena que não tenham legalizado a possibilidade de vender este serviço. É polémico, sim, mas acreditar que não vai haver pagamentos é como acreditar que não há prostituição só porque a lei não o permite.

Qual é a diferença entre vender a barriga voluntariamente durante 9 meses e um mineiro rebentar a saúde toda a trabalhar voluntariamente a 200 metros de profundidade por um salário ?
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De Be a 03.08.2017 às 14:10

Claro que sim. Tal como na maioria dos temas mais controversos, a minha opinião é que cada um sabe de si. Se alguém que por condições médicas nunca poderá ter um filho seu, tiver a oportunidade de o gerar através de outro ventre porque não? No entanto, assumo que eu mais facilmente adoptaria uma criança do que recorreria a este método mas acho que ninguém tem de pensar pela minha cabeça.
Alguém num comentário questiona a parte financeira e eu só pergunto, noutros métodos de procriação, in vitro, etc. não se coloca também essa questão? Muitas são as pessoas que conheço que têm gasto fortunas para conseguir ter um filho.
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De Cristina (Maria) a 03.08.2017 às 14:21

é pouco para uma amostragem, mas até aqui, a visão masculina sobre a questão é bem mais livre, e respeitadora (da liberdade individual).
continuação, MJ
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De M.J. a 03.08.2017 às 15:54

talvgez porque não são eles que parem ;) (é mais fácil achar que se sabe o que sente uma mulher que passa por uma gravidez e fica sem o ser que deu à luz, se nunca tivermos passado por isso nem podermos vir a passar).
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De Corvo a 03.08.2017 às 18:44

Cristina Maria.
"a visão masculina sobre a questão é bem mais livre, e respeitadora (da liberdade individual)."
Porque não são eles que carregam durante nove meses os bebés na barriga.
Tanto quanto eu saiba, até à data não é possível a gestação masculina, mas mesmo que, hipoteticamente fosse possível, nenhum! Nenhum homem no mundo aceitava o sacrifício dos nove meses de carregamento.
E depois, como era? Como se refastelava o senhor no sofá, de cervejola na mão a desfrutar do futebol na TV e a increpar o árbitro?
Não, decididamente, não dá.
Agora, dá é emitir opiniões sobre algo que concerne estritamente à mulher.
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De Cristina (Maria) a 03.08.2017 às 19:45

sobre isso serve como resposta o meu 2.º comentário, Corvo.
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De Cristina (Maria) a 03.08.2017 às 21:39

... e ainda...
os 9 meses não têm de ser "sacrifício";
esse "mundo" não é O mundo.
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De Teresa Almeida a 03.08.2017 às 15:29

Há uns dez anos, convivi com um casal que usou a oferta de uma barriga de aluguer para terem uma criança.
Na época, achei esquisito, foi uma surpresa para mim que uma mulher que não conhecia a outra, mas só a sua história, se oferecesse para gerar uma criança sem contrapartidas.
Depois, acompanhando aquela gravidez e o nascimento da criança, aprendi a aceitar. Sei que não foi fácil nem barato, até por terem de se deslocar a outro país para todos os procedimentos, incluindo o parto. A barriga de aluguer não voltou a ver a criança.
Os Pais viram a vida retomar as «cores» que tinha perdido...

Por ter conhecido tão de perto esta situação, concordo com as barrigas de aluguer, mas não nos casos tão badalados ultimamente de quem «encomenda» quase por não ter mais que fazer.
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De Olivia a 03.08.2017 às 15:41

"Se uma mulher puder gerar uma criança de boa saúde"
E se não tiver saúde? Se não for perfeitinho?
Quem fica com ele????
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De M.J. a 03.08.2017 às 15:53

eu não queria dizer se a criança teria boa saúde mas se a mulher que o vai gerar tem saúde para o efeito. não me expressei bem. queria dizer que uma mulher que disponha da sua saúde, se sujeite a testes médicos e gere uma criança tem direito, na minha opinião, a uma compensação. e se os pais a quiserem dar não vejo mal algum.

quanto a uma criança sem saúde não percebo qual é a dúvida. são os pais. têm os mesmos direitos e deveres que têm os outros pais quando há um problema de saúde no feto que esteja na barriga da mãe biológica.

eu acredito no ser humano integralmente. com os seus defeitos, maldades, egoismos, boas vontades e afins. e acredito que assim sendo, cabe ao ser humano decidir o que fazer com esses defeitos, maldades, egoísmos, boas vontades e afins. não me faz sentido acreditar que é possível que haja pessoas boas ao ponto de amar o outro integralmente, mesmo sem o parir e, ao mesmo tempo, não acreditar que haja alguém que tenha a boa vontade de dispor do seu corpo para gerar a vida que uma outra pessoa não o pode fazer.
tanto mais que, em todos os casos, os interesses são sempre egoísticos.
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De Olivia a 03.08.2017 às 15:59

Isto é bastante complicado. Tal como todas as questões que envolvam a vida humana...

Tu recorrerias a uma barriga de aluguer? Porquê?

Tu serias barriga de aluguer? Porquê?

Acho que a opinião de cada mulher aqui depende muito da resposta a estas perguntas...

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De M.J. a 03.08.2017 às 17:19

não sei Olivia. não sei se recorreria ou seria. só poderia avaliar com seriedade estando na situação de precisar (de ser ou recorrer). mas não é por não saber neste momento que posso achar que sei para os outros todos. (que creio, também não é o teu caso).
a discussão de um problema de uma situação destas não pode ser feita com base nos próprios sentimentos mas na globalidade. é essa a função do estado. se há tantas famílias que precisam por que não aprovar?
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De Olivia a 03.08.2017 às 17:27

Sim é tudo verdade. Mas por favor diz me que não acreditas que uma barriga de aluguer apenas passa alimento e oxigénio ao bebé... as mulheres têm sentimentos, nove meses numa barriga não é nem pode ser o mesmo que nove meses numa incubadora... custam me sempre estes temas e por isso nem falo deles, mas gosto sempre de trocar ideias contigo!
Bjs
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De Inês a 03.08.2017 às 16:56

Mas a pergunta é boa e não me tinha ocorrido confesso. Se houver um problema com a criança, e os pais já não quiserem ficar com ele, como é?
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De M.J. a 03.08.2017 às 17:16

não li a lei mas depreendo que seja a mesma coisa como nos outros casos todos:
se uma mãe grávida não quiser ficar com um filho por que o mesmo tem um problema como é que é?
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De Ricardo_A a 03.08.2017 às 16:31

A opinião da Olivia é bastante ilustrativa do que é a visão colectivista da sociedade (em contraposição com a visão liberal da mesma).

Esta lei PERMITE que alguém seja barriga de aluguer de outra pessoa. Mas não OBRIGA ninguém a ser barriga de aluguer.

Ou seja, é uma lei liberal. Dá a possibilidade, mas não a obrigação. O que significa que a Olivia não é obrigada a nada.

No entanto, a Olivia, apesar de não ser obrigada a nada, não concorda. E ao não concordar com a lei está, implicitamente, a dizer que esta prática deve ser proibida.

A Olivia defende, portanto, a proibição de uma coisa que nem sequer a afecta. Apenas porque não concorda. É um comportamento tipicamente colectivista.

Isto não é uma crítica. É apenas uma constatação. Eu prefiro, claramente, uma sociedade liberal em que sejam as pessoas a decidir por si próprias.
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De M.J. a 03.08.2017 às 17:17

não sei Ricardo.
Acho que a Olivia está a dizer que não seria mãe de aluguer nem recorreria a uma barriga de aluguer. mas, daquilo que li, não me parece que seja contra quem o quiser ser ou recorrer a.

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