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já não me interessa

por M.J., em 18.10.17

não quero saber de quem é a culpa. já não me interessa.

não quero saber o que pensam todos, em rios de tinta gastos. já não me interessa.

não quero saber dos clamores de quem não viu nem sentiu. já não me interessa.

não quero saber dos lamentos pelas mortes de quem não conhece. já não me interessa.

não quero saber de quem manda, quem fica ou sai. já não me interessa.

não quero saber do luto, das bandeirolas e dos sushis. já não me interessa.

não quero saber da arrogância, do aguentem-se, da resiliência e do habituem-se. já não me interessa,

não quero saber da gritaria dos que gritam por empatia que mal sentem. já não me interessa.

não quero saber dos ajuntamentos, das multidões, dos pseudo silêncios, da fotografia. já não me interessa.

 

quero saber das vidas que se perderam.

das ávores que morreram.

das sombras que já não existem.

dos sonhos que se foram e do nada que é nada, totalmente nada no que antes era tudo. 

 

quero saber dos que já tinham tão pouco que o nada é uma afronta.

dos que viveram uma vida em função do amor pela terra e pelos bichos e ficaram sem terra e sem bichos e sem casa e sem lar e sem sonhos e sem esperança.

quero saber dos meus, que partilham comigo o nascer e o pôr do sol, o amor pela serra e pelas árvores, pela humildade, pelo amor do crescimento de uma árvore e de um planta. 

e que morreram.

 

quero lá saber dos vossos sentimentos de sofá, das vossas dores do facebook, da vossa solidariedade de ajuntamento, se os vossos sentimentos, as vossas dores e a vossa solidariedade morrem daqui a duas horas, na novidade de outra dor que nem sentirão.

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oh vai ver ali:

publicado às 13:10


1 comentário

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De David Marinho a 19.10.2017 às 02:50

Completamente isto tudo o que disseste.

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