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madeira

por M.J., em 15.12.17

faz hoje uma semana que aterrei na madeira. 

podia vir falar-vos dos sítios que vi, numa espécie de roteiro, recomendando comidas, hotéis, sítios interessantes e qual a melhor maneira de ver a ilha.

mas disso há aos montes pela internet fora. são posts extremamente úteis mas que não consigo fazer, pela falta de habilidade.

hoje quero escrever, para recordar mais tarde, aquilo que senti naquele fim de semana, demasiado curto, a "escapadinha" em que mais senti pena de voltar.

 

mal aterrei e respirei o ar da ilha fui inundada por uma sensação de pertença.

de repente tinha voado para o meio do atlântico e o cheiro do mar misturava-se com o cheiro da terra, tudo junto, como se me abraçasse a dar as boas vindas.

quando fui a londres na páscoa, a sensação que tive, o tempo todo, foi que jamais poderia pertencer ali, ainda que toda a gente ali pertencesse.

o mundo movia-se numa espécie de máquina oleada, as pessoas sabiam quem eram e onde se dirigiam, todas sabedoras da dimensão do tempo e do espaço da cidade e eu tinha um sentimento de que estava a mais mesmo que, valha-me deus, ali ninguém pareça não caber, na imensidão de gente em todo o lado.

e quando aterrei na madeira, mesmo que sendo sítios completamente distintos e impossíveis de comparar, a primeira sensação que senti foi o contraste com a última viagem.

eu podia pertencer ali.

podia ter uma casa, numa qualquer espaço da ilha, mesmo mais a norte onde o nevoeiro impera e o cinzento corta os dias.

eu podia pertencer ali.

tinha serra e árvores e uma imensidão de água a perder de vista.

tinha um sotaque cantado, gente com roupas coloridas a lembrar os ranchos folclóricos do sítio onde nasci.

tinha o cheiro a qualquer coisa de primitivo, que nos acolhe com uma espécie de solenidade mas, ao mesmo tempo de cumplicidade. 

 

não sei do que gostei mais.

se das curvas por toda a ilha, se dos frutos exóticos que comi, comprados a um senhor na parte norte, se do mar a virar a cada esquina, se das pessoas que, mesmo nos sítios mais recônditos me diziam bom dia.

era como se pudesse entrar em casa, sentar-me à janela e comer um pão com manteiga e uma grande malga de cevada.

era como que se estivesse em casa.

 

foi, na verdade, um regresso a uma casa que não é minha.

mas que senti que era. 

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publicado às 11:10


5 comentários

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De Ana a 15.12.2017 às 11:12

Lindo M.J. Lindo.
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De Maria a 15.12.2017 às 11:48

Por mil e duas razões amo sentir a Madeira.
Sempre que volto, volto a casa.
É exactamente isso que sinto. Apanharia já o primeiro avião se assim o pudesse para abraçar os meus que lá tenho.
Mas ler o que escreveste sobre ela, é sentir, que há pessoas que conseguem sentir o que aquele pedaço de terra no meio do atlântico [me] é.
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De Quarentona a 15.12.2017 às 16:56

Não sei se já foste aos Açores, mas pelo que escreves sobre a Madeira (confirmo tudinho, atenção) dá-me a sensação de que ainda não visitaste nenhuma das 9 ilhas, caso contrário, já estarias a tratar da tua mudança para lá ;))))
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De Joana B. a 18.12.2017 às 15:06

Foi esse o sentimento que tive quando fui aos Açores, fiquei com o sonho de ali ter uma casinha, talvez um dia o realize ou se me sair o euromilhões possa largar o meu emprego e ir para lá passar grandes temporadas.
Fiquei apaixonada pela Ilha de São Miguel e já tenho em mente fazer uma viagem para poder conhecer todas as outras ilhas.
E o sotaque, gosto tanto do sotaque, ao ponto de ficar a ouvir um micaelense a falar sobre uma pedra e a não perceber nada do que ele estava a dizer mas a adorar e a querer ouvi-lo mais.
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De Paula Vasconcelos a 03.01.2018 às 16:49

Ohhhhhhhhhhhhhh... e eu que só li este post agora!! Podia ter dado mais algumas dicas, caramba! Podia até ter dado o tal beijo no coração! (brincadeirinha, não gosto de beijar órgãos!) Mas agora a sério, ainda bem que se sentiu em casa, coisa mais boa de se sentir! Eu, madeirense que sou, fiquei mto sensibilizada com esse seu sentimento de pertença aqui à terrinha, mto honrada, direi. Obrigada! Quando e se quiser voltar, "cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim". Só uma coisita, dizer que "aterrou na madeira" pode dar azo a alguma confusão (há mentes mto confusas, como sabe...), podem imaginar por exemplo, a menina a se espatifar por um madeiral adentro, coisas assim... ou sou só eu e isso... Vá lá, aterrar na Madeira, pode ser? Mto grata e sempre ao dispor! E o que eu gosto de pão com manteiga (caseiro ainda melhor) e cevada, óó...

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