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meditação

por M.J., em 12.10.17

aconselharam-me a meditar. 

a recomendação não é nova e foi sempre feita por profissionais de saúde perante a minha instabilidade mental e certas incapacidades.

nunca consegui.

não é que tenha tentado a ferro e fogo, que tenha lido, pesquisado ou procurado ajuda nessa área. mas fiz alguns passos, do que me mandaram, e não resultou.

 

o problema são as cadeias de pensamentos ou pensamentos redondos.

o meu cérebro está em constante agitação e consigo, ao mesmo tempo, pensar em 7 ou 8 coisas diferentes que acabam todas de uma forma menos bonita.

a meditação pode ajudar, lembram-me e eu faço um esforço por ouvir, por entender e concordar. mesmo que a primeira coisa que recorde seja uma novela da minha infância, da qual não sei o nome, em que uma das personagens andava pela casa vestida de branco e fazia ohummmmmmmmmmmmmmmm.

 

ontem voltei a tentar na teimosia do caramba se não hei-de conseguir controlar o que penso, era só o que mais faltava.

fecho os olhos, concentro-me, ou acho que sim, num objecto.

tento vê-lo na minha mente longe do burburinho das mil coisitas que vagueiam aperreadas mesmo ao lado e fazem força para serem maiores e dominar quem sou. passo os olhos pelos traços do objecto. repito-o mentalmente na necessidade de não deixar fugir a concentração para outra coisa, outra coisita que seja:

perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto, vem-me a frase à cabeça. mais forte do que consigo controlar. perco o objecto, já nem sei qual era. abro os olhos. quem escreveu isto? quem disse isto? a frase em mil saltos. não sei mas sei que devia saber porque o li, uma, duas, cinco, cem vezes. pego no telemóvel. procuro. encontro. começo a ler, percorro mais um dois poemas. ao mesmo tempo surge uma notificação do facebook. alguém faz anos. abro o messenger. deixo uma mensagem de parabéns. penso em quem mais faz anos. lembro que eu fiz 30. questiono se estarei a deixar coisas para trás. pondero numa próxima viagem. talvez a roma. ou era melhor cá dentro? detesto voar, concluo. detesto tudo o que não controlo, concluo também. traço de personalidade, sei que é. personalidade medonha, diz-me outra parte de mim. personalidade incapaz, recorda-me outra. personalidade labirinto, sei. perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto. oh, não devia estar a meditar? qual era o objecto mesmo?

não vale a pena. é uma tarefa inglória. 

 

em concentração absoluta de coisas parvas e desvio da mente prefiro contar. conto números, palavras, carros, matriculas, árvores, riscas das paredes, tapetes, sons e objectos, passos e minutos. 

resulta muito bem. 

é a minha meditação pessoal. 

mais alguém que o faça?

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publicado às 10:00


13 comentários

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De VeraPinto a 12.10.2017 às 10:24

A última vez que tentei meditar, também por recomendação, desisti ao fim de 5 minutos.
Primeiro porque a minha mente não para. Nunca. E estou a ter problemas sérios com isso. Depois porque a posição me fazia doer as costas de forma atroz.
Desisti. Nunca mais tentei.
Vou experimentar contar, pode ser que resulte em apagar esta mente que anda num incêndio louco.
Gosto muito de ti.
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De M.J. a 12.10.2017 às 10:33

Também gosto muito de ti.
Muito mesmo.

(Eu contava no carro, sobretudo, nas idas para o trabalho, para conseguir chegar ao sítio. Era isso na calmaria da mente, ou uma ribanceira ;) ainda hoje sei todas as lombas do caminho, sinais e até traços marcados no chão, em alguns sítios).
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De A rapariga do autocarro a 12.10.2017 às 10:24

Como eu te compreendo, a minha mente também não passa dum cão cheio de pulgas, salta, coça, abana, parado é que nunca.
Abençoadas aulas de Yoga que me vieram dar um bocadinho de "Frontlein". Agora já me consigo concentrar algumas vezes, mas também tenho os dias em que ando mesmo avariada, então com lua cheia, ui, saiam de perto.
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De M.J. a 12.10.2017 às 10:35

gostava mesmo de conseguir concentrar a mente em algo que não fosse externo. é fácil distrair da corente de pensamentos com um estímulo externo. daí a minha quase dependência do telemóvel, pc, tv ou livros. mas gostava mesmo muito de ser capaz de o fazer internamente. por mim.
até agora não dá.
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De A rapariga do autocarro a 12.10.2017 às 10:49

As aulas de yoga começam e acabam sempre com momentos de relaxamento no escuro, cada aluno procura uma posição confortável e relaxa. A minha preferida é deitada de costas com as pernas levantadas e encostadas à parede, acredita que foi a partir desta postura que comecei a conseguir dominar a mente por 5/10 minutos, o que para mim já é enorme. Então quando a professora nos guia verbalmente relaxamento de final de aula é uma sensação de leveza fantástica.
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De Outra a 12.10.2017 às 11:09

Conseguir meditar leva tempo, como tudo. Não vale a pena desistir ao fim de 5 minutos porque ninguém esvazia a mente nesse tempo. Comecei a ter aulas de yoga e a fazer exercícios de meditação guiada há 4 anos. Nas primeiras vezes era impossível, mesmo impossível calar a minha mente barulhenta. Quanto mais eu me focava em afastar os pensamentos mais eles voltavam.
Um dos primeiros ensinamentos é esse. Os pensamentos (todos) vêm à mente. normal. mas temos de aprender a não lutar com eles. Temos de os deixar vir sem nos focarmos neles.
Mas é possível aprender a silenciar a mente. Eu sou a prova disso.
As meditações ideais para começar são as guiadas. Se quiseres mando-te umas no Messenger.

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De Anónimo a 12.10.2017 às 11:39

Eu tenho exactamente a mesma dificuldade. Acho que todos temos em maior ou menor grau. Agora estou a tentar concentrar-me doutra forma: à noite, deitada na cama, enquanto respiro e no ritmo da respiração, vou dizendo mentalmente "inspira, expira". Já consigo fazer isto durante uns 3 ou 4 minutos. Dizem que com a prática se consegue fazer isto muito bem e o tempo que se quiser. Tenho dúvidas, mas vou continuar a tentar, até porque enquanto me concentro nas palavras consigo realmente relaxar.
Beijinhos
Inês
P.S. De início era um bocado enervante (um contrasenso), mas neste momento já consigo relaxar.
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De Gaffe a 12.10.2017 às 11:41

:)
Provavelmente, e sem te aborreceres muito, deverias ler:
http://agaffeeasavenidas.blogs.sapo.pt/a-gaffe-a-meditar-535350
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De Outra a 12.10.2017 às 11:59

Gosto muito de ti, mas discordo. É possível ser-se estupidamente normal e conseguir meditar, e com isso aprender a controlar a ansiedade (quem a tiver, claro), sem exibicionismos, que até aprendi a praticar sempre de olhos fechados.
Eu sempre me "neguei" a experimentar por achar que não era para mim, só que afinal era.
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De Gaffe a 12.10.2017 às 14:18

Não faz mal que discordes!
É bom.
Seja como for, para mim, pensar basta.
:)
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De Outra a 12.10.2017 às 15:54

Interessa é isso. que baste. :)
beijo (e aguardo a carinha nova para o meu tasco)
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De Cristina M. a 12.10.2017 às 19:36

pois... não.
yoga, tai chi, meditação tal e tal: não dá, só me apetece saír dali e acender rapidamente um cigarro.
saudações :-)
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De Violinista a 12.10.2017 às 21:50

Tentei uma vez. O cérebro faz o mesmo, ou pior um pouco.
O mais próximo que tenho, é simplesmente ir tocar, ou ir escrever. A tocar a concentração em meter-dedos-manter-afinação-manter-arco-e-ler-partitura faz com que não haja espaço para muita divagação. A escrever nem tanto. Em ambos os casos, o cérebro não se cala, nunca, mas o que diz ou o que canta coincide com o que se está a fazer, e então anda lá perto.

É que nem para adormecer o consigo calar...

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