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natal

por M.J., em 21.11.17

aprendi a gostar do natal.

depois de uma data de anos de costas voltadas, na rebeldia de uma adolescência e juventude, aliada a uma série de factores que não vêm ao caso, aprendi com o tempo a gostar novamente do natal.

assumo a piroseira.

gosto das luzes, que piscam nas entradas. as brancas, as coloridas, as embaçadas e as brilhantes.

gosto das árvores de natal mesmo as pequeninas, repletas de bolas. prefiro decorações vermelhas e douradas mas também não desgosto dos azuis e até dos rosa néon.

gosto da ideia do pai natal, dos presentes e do azevinho. acho piada a postais de natal, a imagens idílicas e até ao anúncio da coca cola.

deliro com musiquinhas natalícias e vejo filmes da época, uns iguais aos outros, que dizem todos o mesmo mas me comovem.

incluindo o mr bean.

 

gosto de globos de neve, que colecciono à entrada.

gosto de pijamas de natal, meias de natal, pratos de natal e velas de natal. compro muito menos do que compraria porque detesto acumular tralha. mas passo horas, nesta altura, a ver coisinhas e bugigangas absolutamente deliciada.

 

creio que foi a mamã quem me pegou o gosto por estas pirosices. 

a mamã que me jurou a pés juntos, durante seis ou sete anos de vida, que existia o pai natal. a mamã que tinha uma resposta na ponta da língua a todas as minhas objecções: mas afinal como é que ele cabe na chaminé? tem uns pós mágicos. mas afinal como é que ele entra nas casas que não têm chaminés? tem chaves mágicas. mas afinal por que é que há meninos que dizem que ele não existe? porque não veem o telejornal. não o viste ontem na televisão? e eu que sim, ia acreditando, até ao dia em que a ana, fartinha de saber que pai natal só o dela, e mal, num disfarce mal feito num ano anterior, desmascarou tudo e disse-me preto no branco que não existia tal coisa, e eu, no respeito pelas minhas convicções e no facto de ser um palmo maior que ela, dei-lhe uma carga de pancada, as duas enroladas no chão como selvagens, cabelos arrancados e uma alça da mochila rebentada. e a mamã chamada à escola depois, obrigada a contar-me que era verdade, não havia pai natal, era ela, fora sempre ela. e a minha desilusão e choradeira incrível, na incapacidade de aceitar que não só não existia aquilo que dava cor à época, como me tinham mentido tanto, durante tanto tempo.

a mamã que desde o dia um começa a preparar a mesa de natal, uma toalha rendada na mesa que ninguém usa, azevinho e romãs, frutos secos e chocolates, que se vão amealhando até não caber absolutamente nada no dia 24, e o rapaz, a primeira vez que lá jantou, olha lá, quantas pessoas vêm? e eu, somos só nós. e ele só nós? mas há aqui comida para o continente africano inteiro!

 

fiz as minhas próprias tradições de natal, que vamos repetindo ao longo destes cinco anos:

montamos a árvore no dia 1 de dezembro. acompanho com célines dions, mariahs careys, michaels bublés mesmo que os ache a todos ridículos. sacudo o pó da árvore e vou acumulando as lembranças que nela constam e que vão tendo significado por serem dadas por pessoas importantes, mesmo que nada conjugue com nada.

faço um bolo rei - que mais não é que uma tentativa - no dia 8. fica sempre demasiado grande, com demasiada fruta e demora demasiado tempo entre levedar e afins. e acabamos sempre por ir beber um cappuccino e ver as luzes de natal, ao fim da tarde, quando já é escuro e cheira a canela no ar. 

compro pijamas novos todos os anos, que se vão tornando cada vez mais espampanantes. embrulho em papel colorido e coloco debaixo da árvore, numa das tradições que mais prazer me dá. acompanho com chinelos de quarto e meias às riscas, ou às bolas coloridas. e no dia 25, cedinho, vestimo-los como se o pai natal acabasse de chegar e passamos o dia de pijamas novos, ridículos e pirosos, enjoados de chocolates e comida, musiquinhas e filmes de natal, esparramados pela casa, respirando canela, açúcar e azevinho.

e desde que me disseram que o pai natal não existia... nunca tive natais tão doces.

 

vou fazer a árvore dia um.

tem presença de muitas pessoas importantes em decorações desirmanadas e que não conjugam.

e gostava que aqueles de vós que me são importantes fizessem parte nela também.

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publicado às 11:30


14 comentários

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De Anónimo a 21.11.2017 às 11:46

Ooooooooooooohhhhhhhh <3
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De Just_Smile a 21.11.2017 às 11:58

Oh tão giro :) A realidade acabou por ser mais saborosa que a fantasia :)
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De M.J. a 21.11.2017 às 16:20

acaba por ser um privilégio.
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De Terminatora a 21.11.2017 às 12:05

Tão bonito!! Não me lembro como descobri a verdade, para ser sincera. Mas tal como se via nos filmes, também imaginava-o a encolher-se magicamente pela chaminé, caindo de rabo estatelado em cima do fogão Perguntava-me com fazia ele para entrar nos buraquinhos, deliciava-me com o preparar do prato com bolachinhas e o leite, para ele recarregar energias para o resto da viagem. E como chegava ele numa só noite a todas as casas, em todo o mundo? Foi engraçado, o que mais gosto hoje em dia, é estar com meus irmãos e vê-los numa balburdia com as prendas. É sempre uma imensa galhofa. Seja para montar a árvore, seja no dia de abrir as prendas. Esse é o verdadeiro sentido do Natal, amor e partilha.
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De Quarentona a 21.11.2017 às 12:21

Quase, Émejóta, quase que me fizeste gostar do Natal! Mas a minha piroseira prende-se mais com os Santos Populares :P
Mas conta-me lá (e aqui já estou a revelar o quanto sou convencida) de que forma é que poderei fazer parte da tua árvore? :P
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De M.J. a 21.11.2017 às 16:21

escolhes uma coisa qualquer que gostes e que possa adornar a minha árvore ;)
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De Outra a 21.11.2017 às 12:39

Tão bonito :)
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De Silent Man a 21.11.2017 às 14:26

Confesso que fiquei apaixonado por este texto. Foi escrito, tal como todos os outros textos, directamente do coração para os dedos, sem passar pela casa partida do cérebro e não tendo de certeza recebido os dois mil escudos porque se passou lá de todo foi em excesso de velocidade e não lhe tiraram a matrícula. Adorei e dou-te os parabéns!

Lá por casa, esposa amada anda a perguntar-me há duas semanas se pode fazer a árvore de Natal. É daquelas coisas que ela gosta de fazer sozinha ou quase sem ajuda minha e eu adoro fazer-lhe essa vontade. Eu já lhe disse que só em Dezembro. Portanto, provavelmente dia 1 (dia em que eu trabalho...) terei árvore montada lá por casa.

A nossa tradição mais grata passa pelas meias de Natal. Aquelas que se penduram na chaminé que não temos, portanto para tal usamos a estante mais alta da nossa sala. Cada um com a sua. Bebé G. incluído. E esposa amada adora oferecer meias de Natal a todos os recém bebés das pessoas de quem gostamos.

Também eu gosto do Natal. Tenho o hábito de ir comprar tudo ao Amoreiras, desde que comecei a trabalhar. É um shopping mais pequeno e menos confuso que os outros, porque tem menos pessoas por isso pode sempre comprar-se tudo em uma/duas tardes. Sem gastos excessivos, porque também lá há a maioria das lojas dos outros shoppings, mas com algumas lojas mais finas onde perco a cabeça em uma ou duas prendas.

E tenho uma música preferida também, que se não ouço (muitas vezes) no Natal fico triste e passo montes de tempo a ouvir quase diariamente. E que vou ouvir já a seguir.

É esta:
https://www.youtube.com/watch?v=j9jbdgZidu8

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De M.J. a 21.11.2017 às 16:21

gostei tanto mas tanto deste teu pequeno texto
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De Silent Man a 21.11.2017 às 16:28

Tal como tu, por vezes dou rédea solta às falanges e desdenho tudo o que o cérebro me diz. Depois saem destas coisas, quase sem pensar...
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De Silent Man a 22.11.2017 às 14:36

Sou um tipo que tem muita sorte...
Hoje de manhã, enquanto a caminho do trabalho, esposa amada ouve a música de Natal dos Pogues. E liga-me... Para me dizer "olha o que está a dar na Rádio Comercial" (que eu não gosto particularmente e não ouço sem ser no carro dela).
E o meu dia, que até está a ser uma valente cagada, ficou logo mais azul...
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De Anita a 21.11.2017 às 15:53

Como adoro o Natal. Também fazemos a árvore de Natal no dia 1 de dezembro
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De Olívia a 22.11.2017 às 09:22

Que giro. Eu até tinha pensado agarrar em duas ou três moradas do livro secreto e enviar uma coisita nossa... agora vou fazer-me mesmo convidada!
:)
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De Joana B. a 24.11.2017 às 11:01

Por aqui a tradição também é fazer a árvore a 1 de Dezembro, faz-me confusão aquelas pessoas que agora fazem a árvore no inicio de Novembro ou ainda em Outubro só para mostrarem no facebook

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