Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




nível de totozice por secção

por M.J., em 30.04.14

Sempre achei que o pessoal que faz parte de certos e determinados grupos é tótó.

Mas muito tótó. A um nivel daqueles mesmo grande. Elevado à séria.

Gente que veste uma farda e que desfila com ela, de livre e espontânea vontade, igual a muitas outras pessoas, que também a vestem, e circulam pelos sítios com ar de orgulho é tótó.

Só tenho de fazer uma ressalva: é que eu fui tótó, durante muitos anos. Fui assumidamente uma tótó das bandas.

No entanto, não consigo hoje em dia não rir, sempre que vejo uma banda filarmónica com os seus membros a estalar de orgulho numa procissão. Oh pessoas: vocês estão todos vestidos de igual, com roupa nada bonita, diga-se, tocam na sua grande maioria mal, e andam em romarias religiosas. Têm chapéus esquisitos na tola, gravatas no pescoço e sopram para dentro de um instrumento. Usam gravata e caminham todos ao mesmo tempo. E desafinam como a merda, que banda que é banda desafina. Onde está o orgulho?

Ah mas eu tinha. Eu tinha. Um orgulho desmedido. Dia de saída com a banda era sagrado. Fazia amizades, laços quase fraternais. Só faltou mesmo juras de sangue, com o dito a saltar de mão em mão.

 

Pior, pior é a gente dos ranchos folclóricos. Tinha umas amigas que dançavam num. E era vê-las, em pleno verão, aos saltos e cambalhotas, em cima dum palco, vestidas dos pés à cabeça com umas saias esquisitas, a suar por tudo o quanto era lado, enquanto uma gaja muita gorda cantava fininho. Lindo, lindo.

Depois desses estão os tótós dos escuteiros. E das duas uma: ou aquilo é fetiche, ou o pessoal é maluquinho. É que um adulto feito, na sua plenitude, achar interessante passar os dias livres com um bando de putos, vestido com uns calções e umas meias que lhe chegam pelo joelho, é coisa para ferir a alma. É que podia ser tudo muito aceitável, muito bonito. Mas aqueles calçõezinhos e as meias com os lacinhos tira qualquer credibilidade à coisa e faz lembrar determinados prazeres de gente estranha. 

Por fim estão os tipos dos bombeiros. Não os que combatem em incêndios, ou salvam vidas, que cum camadro, atacá-los era esperar uma saraivada de pedras nas trombas. Não. Refiro-me aos que acompanham as bandas e as fanfarras e os ranchos nas procissões, carregando uma bandeira, emproados até ao pescoço com a alegria de ter tal responsabilidade.

 

Gentes vós tendes de ver uma verdadeira procissão com olhos de ver e apreciar o ar orgulhoso destas pessoas, ali assim, a brilhar ao sol.

É só pena que não tenham visto o meu.

Às vezes, havia dias, eu era a mais orgulhosa de todos.

 

 

 

*Nota final: não refiro aqui os tótós dos trajes académicos. É que antigamente um papá ver um filho de preto era motivo de lágrimas de orgulho. Hoje é motivo de lágrimas de preocupação, não vão os ditos entrar no mar amarrados, ou saltar em cima de pedras a cair.

E finarem-se.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:54



foto do autor