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no carnaval tenho dúvidas

por M.J., em 03.03.17

este ano ignorei o carnaval.

fingi mesmo que não existia e estava a correr muito bem até ter dado um salto ao facebook e constatado que se a M.J. não vai ao carnaval, o dito vem ter com ela.

uma consumição.

 

então e como é que ele veio ter contigo, M.J. mai linda, mais fofis, mais querida, mais jeitosa da nossa vida?

pois que através das fotos.

meus senhores: foram dezenas, centenas, milhares de fotos tiradas por papás orgulhosos que brincam à coisa com os rebentos. ele era um sem número de piratas, palhaços, princesas e afins. tudo muito saltitante, colorido e brilhante. tudo com ar luminoso de quem está felicíssimo por perder horas, meses de vida a pensar em disfarces.

ou isso ou dinheiro, muito dinheiro.

 

em conversa com duas amigas, há uns dias, uma dizia que eram essas pequenas coisas que ficam:

o acompanhar a criançada nos desfiles.

o preocupar-se e fazer, com as suas próprias mãos, fatos e fatinhos, piruetas e maquilhagens.

que era isso que permanecia no futuro, como recordação de infância bem vivida e pais bons.

 

gosto muito dela mas não concordo.

o que permanece é a estabilidade. é a segurança. são os valores. o que permanece é o não ter medo do dia a seguir. são os exemplos.

é o correr dos dias numa paz certa e não podre.

 

o que permanece da minha infância são os dias longos da vida aos meus pés. e o que eu gostaria que pudesse permanecer, se o tivesse vivido, era a ausência do medo.

há milhares de adultos traumatizados na vida. com coisas que vêm de trás, lá do fundo, num tempo em que não sendo adultos vivenciaram coisas para adultos. não interessa se jogaram ao carnaval, se lhes foram tiradas fotos vestidos de animais ou se os pais iam com eles aos desfiles. 

porque é a estabilidade, a segurança, os valores e os exemplos que ficam.

e as fotos de piratas, palhaços e princesas só valem a pena se acompanhadas de algo mais. 

 

(e agora umas duas dúvidas - que sei que em alguns lados é assim:

* os professores mandam mesmo os pais comprarem/fazerem as fatiotas de carnaval em casa?

* essas coisas não são feitas nas creches/escolas/afins?

* um pai que não tiver dinheiro e/ou jeito para comprar e/ou fazer uma fatiota é um mau pai?

isso faz-me mesmo lembrar uma senhora que fazia os trabalhos em casa - ela fazia - pelo filho e ficava ofendida quando a professora avaliava por baixo, uma vez que ela sabia mais do que a própria professora.

algo vai mal no mundo).

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publicado às 10:00


2 comentários

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De Olívia a 03.03.2017 às 11:07

Bem sabes que eu não sou cá dessas mariquices e só digo que se dependesse de mim as minhas só vestiam no carnaval aquilo que vão vestindo lá por casa (temos uma caixa com vestidos de princesa que nos vão dando), mas a minha mãe não perdoa e trata do assunto.

Quanto ao facto de ter de se fazer roupas temáticas é verdade, embora aqui só na escola privada, na publica cada qual leva o que tem; existem no entanto escolas em que são eles que fazem as roupas tipo reciclagem etc.

Se os teus filhos não levarem uma fatiota da moda, das duas uma: ou ninguém liga (tipo pessoas como eu) ou então és crucificada em praça publica pelas "supémães".

E é isto!

Por mim, mais importante que todo o fru-fru é mesmo o tempo que passamos a fazer coisas: desenhos, cantigas, passeios, bolos... é a certeza que os pais estão sempre lá.
No carnaval e nos outros dias sem graça como o de hoje...
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De Outra a 03.03.2017 às 11:57

Sabes, na escola do meu informaram que seriam 2 dias temáticos e o outro para o disfarce de casa. Nos dias de casa o puto podia levar um acessório apenas e disseram-nos mesmo que não valia a pena gastar dinheiro em fatos.
Foi o que fiz. Mas porque gosto. gastei 4€ em acessórios e com umas linhas e retalhos fiz o resto.
Apesar disso quero para o meu filho a estabilidade, a segurança e os valores, como dizes. Há dias em que acho que não estou a fazer nada disso como deve ser (deixo as coisas de adultos me consumirem e acabo a ter menos paciência para ele)mas depois sei que é neste colo que ele adormece, porque é aqui que se sente seguro. E é assim que o quero que ele se sinta.

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