Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




novembro

por M.J., em 30.12.15

ah novembro, aqui tão ao lado. novembro foi mês de adequação. de habituação. de assumir as mudanças e vivê-las sem dramas.

 

em novembro:

* falei a sério sobre isto: ninguém é obrigado a perceber a dor incomensurável de uma alma aberta em ferida, de uma ausência de rumo, do fracasso do que somos por uma doença. não é compreensível a todos. também o não é a existência de brancos e pretos, de muçulmanos e cristãos, de velhos e novos, de gays e heteros. há assuntos que simplesmente não são assumíveis por todos. e se não os queremos compreender - que é licito - também não há motivo acharmos que somos mais, maiores, melhores do que quem sofre de um cancro na alma porque entendemos que o cancro na alma não existe.

 

* continuei, de forma mais soft é certo, nos ódios de estimação: qual beleza disto meus senhores? mama leite e já agora o suor dos meus sovacos a escorrer da bicicleta? e dei os meus motivos que, sem perceber o motivo, enervam sempre as pessoas: o nosso legado pode ser aquilo que nós construímos. se também pode ser um filho? pode, claro que pode. se será? ninguém sabe. se é bom decidir parir com base nessa ideia? cada um quem sabe. eu acho, sinceramente, que é só idiota.

19054579_ALvAD.png

 

* revoltei-me contra a gataria que invadia a minha área de leituras: posto isto: alguém sabe como evitar ter na área de leituras as coisas dos gatos? sem deixar que eles fujam sem estar castrados, por exemplo? 

 

* falei sobre mim, mais uma vez, no egocentrismo que é este antro: não gosto. não consigo gostar: fico sempre com a sensação que debaixo daquelas unhas, muito bem feitas, muito bem pintadas, muito bem delineadas há uma camada de merda, muito mal cheirosa, muito escura e mole. muito pior do que a dos outros, dos que sem as unhas arranjadas as limpam, antes de dormir, com lixivia e uma escovinha.

 

* fiz questões pertinentes e continuam actualíssimas: por este andar temos "ai que é desta que fecho o rabo e não volto a abri-lo".

 

* percebi um problema de vizinhança: hoje de manhã, quando ainda em pijama fui à varanda ver o tempo, a moça e o pila torta caminhavam ambos muito juntinhos, em direção ao carro. e pela primeira vez na vida questiono-me como será, afinal, ser dotado de tal problema.

 

* fui ao lidl: quando chegou a minha vez de pagar o homem disse-me boa tarde, entreguei-lhe o queijo e quando ele me perguntou se queria o contribuinte na factura, respondi, instantaneamente, olhe que é.

 

planeei ao pormenor todas as possibilidades mais dramáticas do casamento:  isto claro, se não se enganarem a fazer o vestido, o meu cabelo não cair todo de repente e as minhas mamas descaírem sem motivo algum que não a gravidade. deus, as consumições dramáticas de uma pessoa. e: no corte do bolo o fogo de artificio (outro cliché, bem sei) pegar literalmente fogo ao meu vestido e matar-me.

 

* atendi um telefonema surreal de madrugada: credo. seria um traficante de droga com medo que eu o levasse à policia? uma criança que roubou o telemóvel do pai? um amante com medo que o numero fosse espalhado? quem, meu deus, quem sentiria tamanha necessidade de ligar cinco vezes a alguém e mandar três mensagens de um número que não quer que ninguém saiba?

 

* tentei inspirar pessoas: eis o tema desta semana.

 

* recuperei uma rubrica perdida da relação no fio da navalha: eu não tenho o nome dele gravado no telemóvel como "mor", "morzinho", "fofinho", "coisinho", "bixinho", "lindinho", "xuxuzinho" mas sim o nome que aparece no cartão de cidadão.

 

* tentei de todas as formas possíveis alcançar a fama, a glória e a fortuna com este espaço: acho que é hoje que finalmente atinjo a fama, a glória e duas parcerias que me pagarão o casamento e expliquei a real importância disto: nunca tomei café com esse alguém. nunca o vi. perdi-lhe o rasto, voltei a encontrar noutro blog. descobri que era amigo de outra pessoa extraordinária que comecei a amar também, voltei a perder. parece algo impensável, pequeno, sem sentido, dramático e idiota. parece algo que escapa às pessoas normais. às outras. não quero saber. aconteceu comigo, fez-me mudar, ser diferente, ser melhor. e foi por um blog. ou por dois, vá. ou três, se contarmos com o meu, graças ao qual conheci outros. ou quatro ainda, se pensarmos que foi nesta plataforma que isso aconteceu.

 

* organizei o livro secreto sem pedir autorização aos gurus dos livros (uma falha, bem sei, mil perdões): o objectivo será começar a ler os livros trocados em janeiro. e depois? ah e depois tenho ideias fantásticas para a coisa.

 

* e escrevi sobre ela: e creio, tantas vezes, que ao contrário de outros que amo e não encontro palavras para definir quer o sentimento quer a pessoa, dela sei sempre o que é, sem dúvidas, sem hesitações: a magda é mãe. na mais bonita acepção da palavra que destaco, como colega de profissão do mês:

 

magda.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:09


4 comentários

Imagem de perfil

De Magda L Pais a 30.12.2015 às 11:36

caramba. Lembro-me tanto desse texto que escreveste sobre mim e hoje, ao recordá-lo assim, por escrito, no meu mês deixou-me com a lágrima no olho. Já te disse hoje que gosto muito de ti? e que gosto muito mas muito da nossa seita?
Imagem de perfil

De M.J. a 30.12.2015 às 12:15

bem me parecia que não tinhas lido com a atenção devida no dia em que foi escrito.

ou então isso hoje é sono :D

(também gosto muito de ti. e da nossa seita. muito mesmo).

Comentar post



foto do autor