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o blog e eu

por M.J., em 13.12.16

tenho noção da necessidade premente de termos algum jogo de cintura (também há quem lhe chame manipulação) no relacionamento com o outro.

mais do que isso, tenho noção da minha capacidade para o jogar: existe e é amplamente usada.

apenas se esgota com o tempo.

 

explico: sou estupidamente capaz de cativar o outro no primeiro encontro. independentemente do meu cabelo com brancas, do meu duplo queixo que teima em não desaparecer e do ar imponente que os meus pais me dotaram, sou absolutamente capaz de me moldar à necessidade do primeiro contacto, no dizer de mais ou de menos, no ceder de mais ou de menos, no palavreado, nos gestos, no estar: sou, maior parte das vezes, o que entendo que o outro quer que seja.

é evidente que na melhor das hipóteses sou eu como eu. isso é o ideal e, verdade seja dita, os amigos que tenho - os verdadeiros - são aqueles que permaneceram porque não me moldei noutra paragem qualquer:

apresentei-me a mim percebendo que sendo eu seria bem vinda.

o mesmo aconteceu nos melhores trabalhos que tive: sendo eu enquanto eu na primeira entrevista pude permanecer assim mesmo e a coisa deu-se. 

o problema está quando não o sou. quando o meu jogo de cintura inicial me leva a ceder mais do que o suposto. a rir mais do que o normal. a ter gestos que não são meus. é certo que a minha máscara dura meses mas, com o tempo, vai morrendo e essa, meus senhores, é a minha grande falha:

não adquiri ainda a capacidade de me manter como não sou ao longo do tempo. não me habituei aos doutores constantes, ao sorriso sem sorrir, ao dizer sem dizer, ao ser sem ser durante mais do que uns meses.

 

no entretanto, este blog fez três anos.

três anos em que a parte de mim mais real, mais sem filtros, mais sendo eu (ainda que não sendo) foi exposta ao mundo em palavras escritas.

três anos de uma intensa aprendizagem através do que filtro na escrita.

leio trechos passados e nem sempre me reconheço. mas percebo que este escape do que sou, este ser sem ser, estas palavras que me traduzem mesmo que na incompletude de quem lê, são muito mais eu do que algum dia fui com os outros que não permanecerem após o meu jogo de cintura inicial.

 

em dois mil e dezassete vou manter neste espaço o que sou em palavras. 

se permanecerem aí é óptimo.

mas bem sei que não são vós o que me move por aqui.

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oh vai ver ali:

publicado às 14:15


4 comentários

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De Quarentona a 13.12.2016 às 15:29

Mas é precisamente essa tua genuinidade que te torna tão cativante, aqui e lá fora :))))
Não precisas mudar, eu gosto de ti assim :))))
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De Gaffe a 13.12.2016 às 15:55

O que acabas de dizer, significa apenas que mais vale seres o que realmente és, sem máscaras, e ponto. Nunca entendi e nunca te perdoei a mania de seres outra coisa! Só gosto de ti quando és (e gosto tanto!)
Faz como o cavalo do desfile: "andando, cagando* e sendo aplaudido".


* Pardon my french.
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De Olívia a 13.12.2016 às 21:57

Este blogue é um misto de sentimentos... e foi sem sombra de dúvida uma grande surpresa para mim neste 2016 que agora termina.
Fico feliz que continues por cá, e que "nós" não sejamos aquilo que te move por aqui!!!
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De Maria Araújo a 14.12.2016 às 19:23


Parabéns, MJ.
Gosto de te ler, com ou sem jogo de cintura.


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