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o começo

por M.J., em 31.10.15

não creio que o resto do mundo seja assim mas perco o rumo com muita facilidade.

é sempre da mesma forma. o que antes me fazia rir às gargalhadas torna-se indiferente; um sabor que me acalmava dores e horrores torna-se insípido; uma música que me fazia sentir paz transforma-se num remoinho de sons irritantes que me consomem paciência. quando me apercebo não gosto de onde estou e o que era antes um objectivo torna-se desprovido de qualquer importância.

fico cansada. custa colocar um pé à frente do outro, no seguimento as horas. os dias são grandes de pequenos. em nada sinto consolo ou objectivo. deixo de sentir o sabor do chá: não me aquece a alma como me aquece o peito. afasto com uma barreira impenetrável gente, conhecidos, amigos. afasto-me dos outros porque só me afastando dos outros me afasto de mim. constato tudo o que podia ser e não sou, o que podia ter e não tenho, onde podia estar e não estou. durmo mais horas. como mais ainda que tudo me saiba ao mesmo. 

começa sempre da mesma forma. 

não queria nada que recomeçasse. 

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publicado às 18:05


22 comentários

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De Lady Kina a 01.11.2015 às 09:58

"Sinto instalar-se a depressão. No fundo é como rever um amigo chegado que se ausentara por algum tempo. Com um abraço a recebo e reconheço em cada bocadinho de cérebro que lentamente se vai desintegrando, para ficar a pairar, a pairar, a pairar…
Dentro da cabeça vão se soltando as roldanas, e recomeça o absurdo baloiço de todas as partes, até aos pés. É o chão que vai fugindo de vez em quando nesta espécie de tontura persistente, um vento interno que não deixa poisar-se nada, um profundo inverno, choroso.
Ah este desconsolo sem objecto de desejo!, este marejar constante dentro dos olhos, as palavras custosas, a aridez no rosto, e uma ideia vaga de morte."
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:36

é isso tudo mas isso tudo muito mais bem escrito do que algum dia eu conseguirei escrever.
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De ana a 01.11.2015 às 11:16

Um beijinho e muita força!
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:36

obrigado meu amor.

bem sabemos reconhecer o início.
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De Corvo a 01.11.2015 às 13:19

E eu vejo a depressão instalada. Vejo uma coisa que não existe a atormentar uma existência, a tornar-lhe a vida num sofrimento, a amargurar-lhe os dias.
E tudo voluntariamente, e quando vejo estados de espíritos na mesma situação, interrogo-me porquê e tenho imensa pena.
Ah, e tal, cada um sabe de si e eu sei de mim. Mas não é verdade. Depressão não existe.
Há os problemas, as contrariedades, as expectativas não alcançadas, os sonhos naufragados, os dias tragando as noites e as noites engolindo os dias, e isso o que é? É a vida, simplesmente.
Venham psicólogos e doutorados sobre o assunto desmentirem-me, apresentem-me exemplos e a todos eu digo que é mentira. Depressão não existe.
Existe a fuga, a cobardia, por vezes; o egoísmo e a indolência de se se saber contornar situações prejudiciais por um lado, dramáticas por outro, e metamorfoseia-se a incapacidade, a força interior para se manter à tona catalogando-as de depressão.
Viver é lutar. Lutar é cair e erguer. Caminhar, caminhar sempre. Mesmo por vezes cambaleando pelos escolhos do percurso, caminha-se na mesma. Há-de chegar uma vez em que a estrada se aplaina.
Nunca ninguém disse que a vida era fácil.
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:35

concordemos em discordar.
não quero entrar em contradição de argumentos quanto ao que penso relativamente às suas ideias de idosos e agora de depressão. não iríamos chegar a consenso algum. concordemos por isso em discordar.
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De Corvo a 01.11.2015 às 19:15

OK, Mj. Concordemos.
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De Magda L Pais a 01.11.2015 às 17:38

Caro Corvo.
A depressão existe e tomara que nem o Corvo nem ninguém da sua família saibam o que sofrer dessa doença.
A depressão, infelizmente para quem sofre e infelizmente para as famílias dos doentes, existe e não são apenas frescuras. Essa opinião só pode vir de alguém mal informado e que - felizmente para si - nunca acompanhou de perto um caso de depressão. Um filho ou um neto ou a esposa. Considere-se sortudo por isso, acredite.
Deixe-me dizer-lhe ainda que este comentário é de muito mau gosto.
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De Corvo a 01.11.2015 às 19:51

O quê, Magda? Tomara que eu ou alguém da minha família não passe por contrariedades, ou dramas susceptíveis de me darem a conhecer o que é a tal chamada de depressão?
Meu pai viu morrer duas filhas no espaço de um ano, a bebé por doença e a mais velha, a fazer doze anos num acidente por culpa dele, Como acha que se pode sentir um pai e uma mãe para quem a família era a única razão para viver?
Homem trabalhador e dono de grandes empresas de construção deixou tudo afundar-se no charco quando subitamente, ergueu-se e disse. Não! Fui culpado da morte de uma não o serei de mais três. Voltou ao trabalho e criou os filhos. Nunca mais aquele homem riu nem tirou a gravata preta, mas não se afundou na tal de depressão.
Eu sou filho de pai. Vi morrer amigos, conhecidos, duas irmãs, tias, avós e depois o amor de toda a minha vida, a única mulher que na vida amei. Fiquei triste e reagi à tristeza. Tinha filhas para acabar de criar.
Depressão? Pode ser esse o nome que lhe queiram chamar, para mim é o estado de fraqueza, debilidade, falta de coragem para enfrentar as contrariedades da vida, sei lá.
De mau gosto o meu comentário? Que queria que dissesse a respeito de uma jovem, uma miúda que falo para ela e vejo uma neta minha, e disse, num post aqui há tempos, que já tentara ou pensara em suicídio, como, aliás, confirma no post a seguir a este. que a apoiasse? que me solidarizasse com as suas "depressões"?
Eu não! Fui duro, eu sei, mas estimo-a muito para lhe mentir. Mentir, Ah, coitadinha que sofres tanto é ajudá-la a continuar a ser a vítima do destino.
É uma rapariga inteligente, licenciou-se em direito, coisa que a minha mais velha não foi capaz, portanto que puxe pela inteligência para lutar contra aquilo que sabe a prejudica.
Foi de mau gosto o meu comentário mas foi verdadeiro! Ou vai a Magda, ela, a MJ e a Maria das Palavras considerarem-me um animal sem sentimentos?
Lutem, reajam, ergam-se, batalhem contra as contrariedades e se mesmo assim não conseguirem, - o que duvido bastante porque quem porfia sempre alcança, -mas se mesmo assim não conseguirem, o tempo que passam a lamentarem-se de si próprias passem-no na luta para que possam dizer, tentei.
Qual depressão qual carapuça. Só gostava de saber como sobreviveram os meus avós, e os avós deles e por aí atrás.
Mas se não quiserem compreender e me considerarem um ser abjecto, causar-me-ão imensa pena, sentirei bastante mas nunca me provocarão uma das tais ditas depressões.
Não há nada, absolutamente nada por mais dramático e penoso que seja, que não se ultrapasse na vida.
A minha simpatia e estima para todas. Sinceramente.
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De Magda L Pais a 01.11.2015 às 20:31

não Corvo, não sabe. Não sabe mesmo. Porque foi ao seu pai que aconteceu e porque foi a uma jovem que não é sua filha. E acredite, se fosse mesmo a sua filha ou se fosse a sua neta ou a sua esposa pensaria de outra forma.
Não somos todos iguais e uns reagem às situações adversas de uma maneira e outros doutra. Uns reagem com positivismo, como o seu pai reagiu e outros reagem ficando deprimidos. há que respeitar os outros, aqueles que sofrem de depressão, da mesma forma que respeitamos os que reagem com energia e positivismo.
Era bom, muito bom mesmo, que todos achassem tudo se ultrapassa na vida por pior que seja. Só que não é assim. Não é mesmo.
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De Corvo a 01.11.2015 às 20:55

Mas eu respeito-a. Respeito-a e estimo-a muito. Verdadeiramente!
Mas acho que como amigo é isso que lhe devo dizer: Não é a apoiá-la, a solidarizar-me com ela que lhe demonstro amizade. Isso é incentivá-la a continuar.
Sei que fui duro e grosso mas é mesmo assim. Erga-se.lute e viva. Viva sobretudo que não esta sozinha. Que não pense só nela. Pense nos pais que sofrem com o afundar da filha, pense na familia, pense nos amigos e pense nela. Pense que não é dona de si. Ninguem é dono de si. Devemo-nos sempre aos outros.
É assim mesmo. Falei-lhe como uma rapariga a quem estimo, falei-lhe falo como amigo porque tambem sou pai e sei o sofrimento dum pai.
Não falava diferente a uma filha minha.
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De Magda L Pais a 01.11.2015 às 21:00

mas Corvo... ninguém disse, em momento algum, que se deve dizem Ámen a quem está com uma depressão profunda. Não é essa a questão. A atitude para com alguém com depressão é ajudar de todas as formas a sair do "buraco" e não se inclui nessas formas apoiar a depressão e dizer "oh coitadinha". Não é isso que está aqui em questão.
A questão é que o Corvo, no primeiro comentário, diz que "Depressão não existe". E eu digo-lhe, com todas as letras e mais algumas - existe! A depressão é uma doença real, que faz sofrer a pessoa e os que estão próximos
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De Corvo a 01.11.2015 às 21:46

Seja depressão, então. Para mim depressão não existe. Existe sim um estado de espírito menos agradável, por vezes de uma tristeza imenas, mas nada que co força interior e garra não se possa ultrapassar.
Já me vi tão pequenino, tanta fome, sede e frio, sem emprego, sem dinheiro, sem casa e sem ninguém, e já marido e pai de duas bebés.
E diz-me a minha mulher. Por vezes és insuportável, horrível de aturar mas dás segurança à tua família. Vai em frente que vais ganhar.
Tive apoio, é verdade, mas é o que estou a transmitir à MJ. Vá em frente.
E eu já tinha 37 anos, casado e pai de duas filhas.
E vem uma jovem, licenciada, com pais, tecto, na segurança de um país que é o seu e lhe garante segurança, e sobretudo, com o amor de um rapaz com quem vai casar; vem, dizia, ai que me sinto tão deprimida. Não tem esse direito. Se não quiserem compreender, lamento muito porque acho, sei que na dureza das minhas palavras desejo-lhe todo o bem do mundo. Ouça bem. Não desejo melhor para as minhas filhas.
Se me permite, peço-lhe que faça o favor de aceitar serem estas as minhas ´´ultimas palavras sobre este assunto.
Toda a minha simpatia para todas.
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De Maria das Palavras a 01.11.2015 às 17:43

Corvo, caro corvo. Tão experiente, tão sabido (sem ironia) e a vida ainda não lhe ensinou a respeitar o que não percebe.

Eu também pensava assim, infelizmente a vida ensinou-me melhor. Sei que não vale a pena contrariá-lo - sei bem das minhas convicções em relação à matéria, quando ainda era eu nesse seu lugar alto de onde os outros, que não sabem ser tristes e bravos, são pequenos. Portanto resta-me dizer que gGostava de ter a sua ingenuidade em relação a este assunto - juro que sim.
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De Corvo a 01.11.2015 às 20:00

Maria,; com toda a sinceridade acredito que não foi irônica. Com a mesma sinceridade também não é com ironia que lhe respondo.
Acha que com tanta experiência ainda não aprendi a respeitar o que desconheço. Seja!
E a Maria? Uma jovem, uma miúda, conhece? Tem conhecimentos suficientes para me contraditar?
Não chamo de fraco a ninguém. Chamo de acomodatício perante as contrariedades da vida para baixarem os braços sob o pretexto, deveras conveniente, que atravessam uma grande depressão.

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De Psicogata a 02.11.2015 às 12:23

Corvo, como a Magda disse espero sinceramente que nunca tenha de lidar com uma pessoa deprimida porque digo-lhe é das piores coisas que nos podem acontecer.
Já vi muita gente falar do alto da sua sabedoria a proferir frases como a sua e com as mesmas justificações.
O primeiro erro é assumir que para se ter uma depressão é necessário existir um acontecimento dramático na nossa vida, uma morte, uma grande perda, um percalço que nos atire ao tapete, esse pressuposto é totalmente errado, o ser humano tem uma capacidade de resiliência incrível e é muitas vezes nas maiores dificuldades que encontram a força para seguir em frente.
Acredito mesmo que são as pessoas que mais dificuldades encontram ao longo da vida as mais fortes e as mais sábias.
Uma depressão pode ter vários gatilhos ou nenhum, não precisa de ter uma causa, pode ter várias ou nenhuma, não tem de estar relacionada com um motivo, as coisas não são assim tão simples. Sim, muitas vezes uma depressão é despoletada por uma dificuldade na vida, está muitas vezes relacionada com as expectativas e objetivos que temos e não conseguimos alcançar, muitas vezes está relacionada com o desapontamento, mas pode também estar relacionada com um esgotamento intelectual ou resultar do acumular de muitos anos de luta, do cansaço.
Existem muitos casos de depressões cujos doentes são supostamente pessoas com uma vida perfeitamente normal, muitas vezes boa, em que a primeira pedra que lhes atiram é o típico – Não percebo tens uma vida tão boa!
As vezes a vida normal é o gatilho, às vezes assistir os dias a sucederem-se uns aos outros sem alterações, sem mudanças positivas, pode ser o suficiente para entrar em depressão.
A depressão, espante-se, é mais comum em pessoas inteligentes, especialmente aquelas que aliam inteligência com capacidade de introspeção. Não tem nada a ver com fraqueza ou espírito.
A personalidade interfere é uma verdade, é mais difícil uma pessoa otimista entrar em depressão, mas se entrar acredite que terá mais dificuldades em sair dela do que qualquer outra pessoa, já que se isso acontecer é porque o seu otimismo quebrou.
Deu o exemplo do seu pai, disse que não se afundou na depressão, para mim uma pessoa que nunca mais abandonou a gravata preta e nunca mais sorriu viveu sempre deprimida e nunca ultrapassou a desgraça que a causou. Não se afundou com a depressão, aprendeu a viver com ela e seguiu em frente porque teve uma âncora, a família, que lhe deu um propósito, já que levar toda a família à ruína seria possivelmente um fardo demasiado pesado para carregar.
O primeiro passo para ajudar alguém com depressão não é dizer coitadinho, é mostrar compreensão, dar-lhes carinho e tentar mostra-lhes as coisas boas e positivas da vida, dizer que estamos lá para eles, e que não têm de ser sentir culpa, que há esperança que é no fim do túnel existe luz e que tudo ficará bem, dizer-lhes que são fracos e que a depressão não existe é fazê-los sentir culpa, vergonha e medo, é encurrala-los na sua própria doença e alimenta-la.
Pense duas vezes antes de escrever ou dizer isso a alguém, não imagina o mal que poderá estar a fazer-lhes.
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De Corvo a 02.11.2015 às 16:52

Língua Afiada, boa-tarde.
É fácil depreender que falo para uma senhora conhecedora de causa, seguramente um pessoa licenciada na área de saúde, uma médica. Não vou, portanto, contestar quem sabe o que diz, o meu orgulho não chega à estupidez.
Seja então depressão. Provavelmente exprimi-me mal , mas o conceito é que conta. Eu quis dizer que depressão ou qualquer outro estado de espírito em que a amargura, o desânimo nos assole, pode ser combatido, erradicado pela força da nossa vontade. A senhora acabou mesmo agora de falar na inteligência. Casos há em que as pessoas inteligentes nem se dão conta, embora vivam em permanente depressão.
Apresenta caso conducentes ao espoletar de uma depressão, e eu aceito-os com certeza. Um deles, "intelectual ou resultar do acumular de muitos anos de luta, do cansaço."
E e isso que não compreendo. A MJ é nova, é uma rapariga a desabrochar para a vida. Na verdade e como a vejo, é uma menina.
Tanta depressão porquê? Por milhares de motivos que hipoteticamente possa ter, é uma menina a começar uma vida. Não posso aceitar que se deixe vencer por uma depressão ao ponto de ler, muitas vezes, aqui no seu blog, ideias de suicídio.
Talvez fosse duro de mais, mas enervei-me, revoltei-me contra uma situação que imagino ser de uma filha minha. Porque, por maldição da minha têmpera, não preciso de conviver com uma pessoa para gostar dela.
E ainda o que mais me revolta é que não obstante a sua curta idade, é uma rapariga inteligente e extremamente bem-formada. Sei-o porque podia perfeitamente não publicar os meus comentários ou ser menos educada nas suas respostas.
Concordo com a senhora quando refere o meu pai, que deveria atravessar uma depressão perpétua ao nunca mais rir nem tirar a gravata preta, e mais uma vez não me soube explicar. O que eu queria mostrar era que a depressão não é nunca superior à nossa vontade, que podemos contrariá-la e ir contra os ditames a que ela nos precipita a vida no inferno.
Na verdade, o meu pai nunca mais se encontrou até à sua prematura morte, mas lutou contra ela, amargura ou depressão.
E eu também. A senhora dá a entender que devido ao que aqui publiquei sou um homem que nunca passou por ela, e nem a senhora imagina o quanto está errada.
Há sessenta e dois anos, minha senhora; há sessenta e dois anos que vivo a maior amargura que uma criança, então a fazer treze anos, depois rapaz, a seguir homem e depois velho, há sessenta e dois anos que vivo o inferno da maior amargura, ou depressão, como se lhe quiser chamar. Parcialmente atenuada durante trinta e sete anos que durou o meu casamento, mas nunca esquecida.
Não pretendia contar esta vida ao mundo, mas para provar À MJ o que é uma vida de inferno e sobreviver, eu vou fazê-lo,vou contar. Talvez a MJ reconsidere e pense que por muito mal que se julgue ao encontre, há sempre quem esteja pior e viva. Vou contar para si, MJ, acho que o devo fazer. Pode ser que se cure para sempre. A morte da minha irmã não liquidou só o meu pai. Por arrasto destroçou toda a minha vida.
Hoje não seguramente, mas talvez amanhã ou depois eu conto no meu blog.
Quando o fizer convidarei a senhora, a MJ, a Maria das Palavras e a Magda para verem. As quatro que diretamente interagiram comigo. Depois, sem comentários de nenhuma, apago.
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De Psicogata a 03.11.2015 às 09:43

Bom dia Corvo,

Compreendo a sua revolta, percebi que escreveu o seu comentário com a melhor das intenções em relação à M.J.
Por pior que seja o buraco é sempre possível erguer-nos, e a M.J. conseguirá erguer-se.
Entendo que para si uma vida como a dela que parece perfeitamente normal, sem qualquer tragédia ou mal maior possa despoletar uma depressão, mas tal como referi anteriormente não é necessário existir uma razão, a nossa mente simplesmente é demasiado complicada.
Tive essa reação por que já ouvi muita gente dizer que depressão não existe simplesmente porque tiveram a felicidade de nunca lidarem com ela.
Não sou médica, sou apenas uma pessoa interessada no assunto, que infelizmente já teve de recolher muita informação sobre esta doença.
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De Cristina a 01.11.2015 às 14:12

Cara MJ, conhecer as "manhas" dessa coisa é um passo gigante para dar cabo dela. Toca a dar os passinhos necessários, pois. Com estima, C.
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:35

obrigado. :)
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De Simão a 01.11.2015 às 15:29

Vou oferecer-te um caderno de duas linhas e um GPS daqueles modernos. E uma caixinha de ovos moles, que é remédio santo. E a mim, que não sou gente, nem conhecido, nem amigo, só me afastas se eu quiser e, de momento, namapetece afastar-me...
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:36

ovos moles.... até saudade dos ovos moles sinto :)

(obrigado :) )

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