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o começo

por M.J., em 31.10.15

não creio que o resto do mundo seja assim mas perco o rumo com muita facilidade.

é sempre da mesma forma. o que antes me fazia rir às gargalhadas torna-se indiferente; um sabor que me acalmava dores e horrores torna-se insípido; uma música que me fazia sentir paz transforma-se num remoinho de sons irritantes que me consomem paciência. quando me apercebo não gosto de onde estou e o que era antes um objectivo torna-se desprovido de qualquer importância.

fico cansada. custa colocar um pé à frente do outro, no seguimento as horas. os dias são grandes de pequenos. em nada sinto consolo ou objectivo. deixo de sentir o sabor do chá: não me aquece a alma como me aquece o peito. afasto com uma barreira impenetrável gente, conhecidos, amigos. afasto-me dos outros porque só me afastando dos outros me afasto de mim. constato tudo o que podia ser e não sou, o que podia ter e não tenho, onde podia estar e não estou. durmo mais horas. como mais ainda que tudo me saiba ao mesmo. 

começa sempre da mesma forma. 

não queria nada que recomeçasse. 

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publicado às 18:05


22 comentários

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De Simão a 01.11.2015 às 15:29

Vou oferecer-te um caderno de duas linhas e um GPS daqueles modernos. E uma caixinha de ovos moles, que é remédio santo. E a mim, que não sou gente, nem conhecido, nem amigo, só me afastas se eu quiser e, de momento, namapetece afastar-me...
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De M.J. a 01.11.2015 às 17:36

ovos moles.... até saudade dos ovos moles sinto :)

(obrigado :) )

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