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o começo

por M.J., em 31.10.15

não creio que o resto do mundo seja assim mas perco o rumo com muita facilidade.

é sempre da mesma forma. o que antes me fazia rir às gargalhadas torna-se indiferente; um sabor que me acalmava dores e horrores torna-se insípido; uma música que me fazia sentir paz transforma-se num remoinho de sons irritantes que me consomem paciência. quando me apercebo não gosto de onde estou e o que era antes um objectivo torna-se desprovido de qualquer importância.

fico cansada. custa colocar um pé à frente do outro, no seguimento as horas. os dias são grandes de pequenos. em nada sinto consolo ou objectivo. deixo de sentir o sabor do chá: não me aquece a alma como me aquece o peito. afasto com uma barreira impenetrável gente, conhecidos, amigos. afasto-me dos outros porque só me afastando dos outros me afasto de mim. constato tudo o que podia ser e não sou, o que podia ter e não tenho, onde podia estar e não estou. durmo mais horas. como mais ainda que tudo me saiba ao mesmo. 

começa sempre da mesma forma. 

não queria nada que recomeçasse. 

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publicado às 18:05


22 comentários

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De Magda L Pais a 01.11.2015 às 20:31

não Corvo, não sabe. Não sabe mesmo. Porque foi ao seu pai que aconteceu e porque foi a uma jovem que não é sua filha. E acredite, se fosse mesmo a sua filha ou se fosse a sua neta ou a sua esposa pensaria de outra forma.
Não somos todos iguais e uns reagem às situações adversas de uma maneira e outros doutra. Uns reagem com positivismo, como o seu pai reagiu e outros reagem ficando deprimidos. há que respeitar os outros, aqueles que sofrem de depressão, da mesma forma que respeitamos os que reagem com energia e positivismo.
Era bom, muito bom mesmo, que todos achassem tudo se ultrapassa na vida por pior que seja. Só que não é assim. Não é mesmo.
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De Corvo a 01.11.2015 às 20:55

Mas eu respeito-a. Respeito-a e estimo-a muito. Verdadeiramente!
Mas acho que como amigo é isso que lhe devo dizer: Não é a apoiá-la, a solidarizar-me com ela que lhe demonstro amizade. Isso é incentivá-la a continuar.
Sei que fui duro e grosso mas é mesmo assim. Erga-se.lute e viva. Viva sobretudo que não esta sozinha. Que não pense só nela. Pense nos pais que sofrem com o afundar da filha, pense na familia, pense nos amigos e pense nela. Pense que não é dona de si. Ninguem é dono de si. Devemo-nos sempre aos outros.
É assim mesmo. Falei-lhe como uma rapariga a quem estimo, falei-lhe falo como amigo porque tambem sou pai e sei o sofrimento dum pai.
Não falava diferente a uma filha minha.
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De Magda L Pais a 01.11.2015 às 21:00

mas Corvo... ninguém disse, em momento algum, que se deve dizem Ámen a quem está com uma depressão profunda. Não é essa a questão. A atitude para com alguém com depressão é ajudar de todas as formas a sair do "buraco" e não se inclui nessas formas apoiar a depressão e dizer "oh coitadinha". Não é isso que está aqui em questão.
A questão é que o Corvo, no primeiro comentário, diz que "Depressão não existe". E eu digo-lhe, com todas as letras e mais algumas - existe! A depressão é uma doença real, que faz sofrer a pessoa e os que estão próximos
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De Corvo a 01.11.2015 às 21:46

Seja depressão, então. Para mim depressão não existe. Existe sim um estado de espírito menos agradável, por vezes de uma tristeza imenas, mas nada que co força interior e garra não se possa ultrapassar.
Já me vi tão pequenino, tanta fome, sede e frio, sem emprego, sem dinheiro, sem casa e sem ninguém, e já marido e pai de duas bebés.
E diz-me a minha mulher. Por vezes és insuportável, horrível de aturar mas dás segurança à tua família. Vai em frente que vais ganhar.
Tive apoio, é verdade, mas é o que estou a transmitir à MJ. Vá em frente.
E eu já tinha 37 anos, casado e pai de duas filhas.
E vem uma jovem, licenciada, com pais, tecto, na segurança de um país que é o seu e lhe garante segurança, e sobretudo, com o amor de um rapaz com quem vai casar; vem, dizia, ai que me sinto tão deprimida. Não tem esse direito. Se não quiserem compreender, lamento muito porque acho, sei que na dureza das minhas palavras desejo-lhe todo o bem do mundo. Ouça bem. Não desejo melhor para as minhas filhas.
Se me permite, peço-lhe que faça o favor de aceitar serem estas as minhas ´´ultimas palavras sobre este assunto.
Toda a minha simpatia para todas.

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