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o facebook como publicidade da morte

por M.J., em 14.07.17

a moda das condolências no facebook incomoda-me.

é como um sino que toca no lamento de morte, no aviso da comunidade e toda a gente sai à porta a perguntar o que foi, como foi e de que forma foi. 

é assim mas pior:

partilham-se fotografias do falecido, identificando-o e vão surgindo no mural do mesmo.

se em causa está alguém jovem é pior: de que morreu? pergunta-se nos comentários. tão novo? a vida não vale nada,descansa em paz, as minhas condolências à família, morreu quando? conhecias @fulano? e assim, numa converseta e lamento de palavras escritas que não são bem lamento mas curiosidade mórbida e sensação de fazer algo.

fotos e mais fotos, numa publicidade ao género de eu estive lá, com ele e agora que morreu também estou. 

 

não entendo essa coisa.

não entendo essa necessidade de publicidade, de colocar uma foto que se tenha com o agora corpo identificando-o.

soa-me a "estou aqui e também sou importante". "estou a sofrer tanto como vós". "conheci-o tão bem, olhem a prova". num narcisismo torpe e feio. numa desconsideração por quem parte sem querer. 

morreste mas não és o protagonista da tua morte. 

 

há algum alívio na dor em fazer isso?

partilhar fotografias num mural de facebook de alguém morto demonstra respeito, consideração ou dor?

é empático?

é tributo?

é para quê?

 

juro que não entendo.

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publicado às 18:27


6 comentários

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De Magda L Pais a 14.07.2017 às 18:57

Quase tão mau como isso (ou pior, talvez) é haver quem, ao fim de uns anos do falecido ter passado a falecido, continuar a ir ao mural dele dar-lhe os parabéns, desejar-lhe felicidades e que passe o dia em companhia dos que mais ama.... E sim, são pessoas que sabem (ou deviam saber) que o falecido faleceu uma vez que já foram avisados vezes sem conta do óbito. Nalguns casos pela própria familia

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