Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




o facebook como publicidade da morte

por M.J., em 14.07.17

a moda das condolências no facebook incomoda-me.

é como um sino que toca no lamento de morte, no aviso da comunidade e toda a gente sai à porta a perguntar o que foi, como foi e de que forma foi. 

é assim mas pior:

partilham-se fotografias do falecido, identificando-o e vão surgindo no mural do mesmo.

se em causa está alguém jovem é pior: de que morreu? pergunta-se nos comentários. tão novo? a vida não vale nada,descansa em paz, as minhas condolências à família, morreu quando? conhecias @fulano? e assim, numa converseta e lamento de palavras escritas que não são bem lamento mas curiosidade mórbida e sensação de fazer algo.

fotos e mais fotos, numa publicidade ao género de eu estive lá, com ele e agora que morreu também estou. 

 

não entendo essa coisa.

não entendo essa necessidade de publicidade, de colocar uma foto que se tenha com o agora corpo identificando-o.

soa-me a "estou aqui e também sou importante". "estou a sofrer tanto como vós". "conheci-o tão bem, olhem a prova". num narcisismo torpe e feio. numa desconsideração por quem parte sem querer. 

morreste mas não és o protagonista da tua morte. 

 

há algum alívio na dor em fazer isso?

partilhar fotografias num mural de facebook de alguém morto demonstra respeito, consideração ou dor?

é empático?

é tributo?

é para quê?

 

juro que não entendo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:27


6 comentários

Imagem de perfil

De Sandra Dias a 15.07.2017 às 16:26

Há pessoas que não se tocam, nem têm qualquer tipo de sensibilidade em relação à memória das pessoas que tem e deve ser respeitada. Essas pessoas não devem ter nada na cabeça para agirem dessa forma e terem comportamentos desajustados. Temos de respeitar todos os seres vivos. E haver mais compreensão e consideração pelo próximo sejam amigos, familiares, vizinhos, conhecidos para poder haver um mínimo de civismo que falta em excesso a muitas pessoas ditas humanas, Bom fim de semana, Sandra.

Comentar post