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Os amigos não são para sempre.

por M.J., em 04.02.14

Tenho marcado um jantar para Sábado. Não fosse pelo Diogo e não ia. Não ia pronto. O jantar é com os "amigos" de infância/adolescência, com os respectivos namorados.

Uma palhaçada.

Não só porque o namorado de uma das "amigas" já foi meu, até me ter trocado por ela, mas também porque não me revejo naquelas pessoas. A não ser no Diogo, claro está.

A questão é muito simples: por termos sido amigos ao longo da infância e adolescência, temos de ser amigos até à morte? Mesmo apesar de essas pessoas não nos terem acompanhado nos momentos mais críticos (nem nós a elas), e serem agora qualquer coisa de muito longe daquilo que nos lembramos, na escola e no recreio?

Aquilo que foram não tem nada a ver com o que são. Cada um de nós evoluiu, cresceu (ou não, mas isso não é da minha conta). Transformou-se num adulto. E o facto de termos sido amigos em crianças, de termos partilhado as misérias da aldeia, os campos de terra batida, as aulas em frente ao quadro negro, os calções rasgados, os livros encadernados com papel de embrulho, faz de nós irmãos até à morte?

Não. Não há, como entre mães e filhos, um lançamento de hormonas no corpo da mulher que as obriga a amar a cria até à morte, mesmo quando apanha nas trombas.

Não há nada que os obrigue a ter laços.

No meu caso, só um ressentimentozinho, uma vontade de não ter de ir rir e mostrar o corta palhas, adiantando a minha vida perfeita de pessoa realizada, com família e trabalho.

Já disse que ia e vou. 

Mas caralho, se não vou contrariada.

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publicado às 09:31



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