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para os entendidos

por M.J., em 24.09.14

não sei quantas pessoas encontrarão o sentido da vida. quantas pessoas acordarão felizes, de manhã, por ser manhã e a vida ter um propósito. eu, na maior parte do tempo, não tenho propósito algum. limito-me a pairar entre os dias, vendo-os passar, rejeitando com uma fungadela de nariz, de desprezo, as possibilidades que me apresentam, as opções, para esta merda toda ter sentido.

podia plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. mas não  tenho quintal para a árvore, desisti faz muito tempo da ideia de escrever um livro e ter um filho, para me realizar, é só a maior estupidez à face da terra. podia tentar encontrar nos detalhes o sentido. ir à missa. dizer ao mundo que o que interessa é estar vivo no coração das pessoas. podia simplesmente andar por ai, de carteira de baixo do braço e salto alto e apregoar para mim mesma, pois que interessam os outros, que o sentido está em mim, no que faço, no que sou.

mas não. 

limito-me a olhar o sentido que os outros dão, ou não, à vida que têm. oscilo entre a inveja e a raiva de quem se acomoda à vida tranquila, ao trabalho rotineiro, aos putos entre os joelhos, a pedir atenção. limito-me a observar, quase com ansiedade, a vida de quem não tem tempo para pensar no sentido que dá à própria vida. o que, bem vistas as coisas, é bom.

eu, por mais que procure, não encontro o meu. sei que estou viva. que respiro, que sinto, que o meu coração bate. que obtenho prazer em beber um chá quente, em ouvir uma boa música, em rir com alguém que me ouça, ou que me leia. mas não sinto a garra, a vontade, a bênção de estar viva e sair por esse mundo fora apregoando a vida.

pensando bem, quase ninguém o faz. andamos todos embrenhados numa vida tão pequenina, com problemas tão pequeninos. vibrando com coisinhas. sonhando com coisinhas. vivendo tão coisinhos. e dando conhecer, ao mundo, as pequeninas vitórias. os pequeninos orgulhos. com ar de felicidade.

queria escrever isto com outras palavras. com alegorias e metáforas. com ar de erudição.

não consigo, na pequenez do que sou e não quero. 

tem dias que gostava, como alguém me disse, de entrar numa biblioteca e chorar por saber que jamais conseguiria ler todos aqueles livros.

é que nesse dia teria um objectivo. plano. concreto. palpável.

e válido.

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publicado às 18:33


1 comentário

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De Palomina a 26.09.2014 às 07:35

Olá, bom dia!
Todos somos diferentes, embora iguais, todos pensamos de formas desiguais, embora muitos de nós tenhamos pensamentos idênticos, todos passamos pela vida, embora uns apenas se limitam a existir, enquanto outros se dão ao trabalho de viver...isso VIVER!
Não te conheço (penso), mas as palavras que escreveste foram sentidas, não foram forjadas como na maioria se encontram por aqui na blogosfera.
Podes até não ter grandes ou nenhuns motivos para quereres VIVER, talvez ainda não tenhas encontrado a(s) pessoa (s) certas, o(s) trabalhoo(s) certos para sentires isso...mas desanimar tolera-se (só de vez em quando), mas desistir de viver, não é aceitável de todo, quando sabemos que milhares de pessoas neste mundo lutam para sobreviver, seja por esta ou aquela razão.
Cabe-nos a nós fazer com que as coisas boas ou melhores aconteçam, há que arregaçar as mangas e lutar, nessas lutas podemos suar, chorar de uma forma muito amargurada, mas acredita que valerá a pena e verás que o teu pensamentos que hoje tens modificará.
Talvez, me digas e motivos para lutar? Não os tenho, dizes-me.
Arranja...descobre...e lança a ti própria esse mesmo desafio!

Desculpa, se de alguma forma te aborreci com o comentário, mas se há coisa que me toca, é ver pensamentos como o teu, e infelizmente cada vez são mais a pensar assim.
Vá...atreve-te a viver.

Beijo e um bom fim de semana.

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