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porque o enjoo afinal passa* #1

por M.J., em 09.11.15

*com as pessoas certas, onde não me vejo: as melhores do que eu.

 

não é preciso muita coisa para gostarmos uns dos outros. ultrapassa, evidentemente, festinhas nas orelhas, na barriga e um osso ou uma tigela de leite. entra num campo complexo de ligações onde o amor, normalmente desinteressado, regula dias e horas, pessoas e vidas. 

para mim é preciso uma coisa simples: amo apenas aqueles que me superam.

 

como ela.

que é completa. numa completude que invejo. é mulher integral, devota aos que ama, ao que faz, com quem se cruza. de gostos simples. que vê sempre a tigela mais cheia que do que vazia ainda que já só haja um restinho de vinho, no fundo, que mal dê para molhar os lábios. que ri, alto, muito alto, daquelas gargalhadas que saem do peito e trazem a alma simples toda nelas. que se comove com a tristeza que vê, sem pena, sem caridade mas por compaixão, por dor pelo próximo. que segue a vida com uma réstia de compreensão no olhar, pelos outros, que a mim me falha. despojada do mimo e do egocentrismo que me fazem ser eu. numa vida completa, imensa na ausência de dramas e fatalismos. numa felicidade louca por acordar e estar viva e seguir e andar pela vida como quem leva aos ombros ramos de flores ao invés de molhos de espinhos. como quem vive em livros, empresta livros e ainda paga os portes do empréstimo dos mesmos apenas para se assegurar que o outro também os lerá e tirará deles os dias quentes de felicidade que ela retirou. como quem encontra sempre uma solução para um problema, pequeno ou grande, na palavra certa que acalma o ribombar da tempestade que é a ansiedade na minha vida.

gosto dela por ela, pelo que é. mas não nos iludamos: gosto dela pelo que também é comigo. pelo que é para mim.

e creio, tantas vezes, que ao contrário de outros que amo e não encontro palavras para definir quer o sentimento quer a pessoa, dela sei sempre o que é, sem dúvidas, sem hesitações:

a magda é mãe. na mais bonita acepção da palavra. 

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publicado às 11:21


23 comentários

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De Sarabudja a 09.11.2015 às 11:48

Gosto quando expressas como e quanto gostas.

Há de facto pessoas que por serem genuinamente felizes, adoçam dias e horas dos que as rodeiam.

A tua definição de Mãe é acertadíssima.
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De M.J. a 09.11.2015 às 12:42

eu tenho uma mãe, também, na verdadeira acepção da palavra.
e apesar de jamais vir a conseguir ser uma assim, sei como é sê-lo, por ver nos outros.
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De Sarabudja a 09.11.2015 às 12:48

Esse jamais não é muito definitivo?
Jamais, nunca, sempre são distâncias muito compridas, não ficam ao alcance do que vemos, provavelmente, muito longe do que seremos.
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De M.J. a 10.11.2015 às 11:06

é. mas só consigo ver no futuro o que sou agora. tenho uma incapacidade plena de abstração.
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De Sarabudja a 10.11.2015 às 14:11

Devo lembrar-te, pois que me pareces desorientada, tu Agora não és mãe.
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De M.J. a 10.11.2015 às 14:25

Mas sei o que penso da maioria da vida das mulheres que se tornam mães :)
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De Sarabudja a 11.11.2015 às 10:06

Eu também tenho pensamentos sobre algumas mães, Mães e pessoas que tiveram filhos.
Mais ainda, tenho uma opinião sobre mim como mãe. Nem sempre sou boa. Aliás, falho frequentemente.
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De M.J. a 11.11.2015 às 11:09

é por não querer sentir esse falhanço, também, que torço a ideia ao parimento.
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De Gaffe a 09.11.2015 às 11:58

Odeio-te, MJ.
Odeio-te.
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De M.J. a 09.11.2015 às 12:02

odeias nada.
e ainda que odeies eu gosto de ti. creio até, sem medos, que poderei usar a palavra amor.
tu não és a mãe meu amor. mas és aquela parte do coração que dói, apertada quando não estás. e quando estás não estando.
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De M.J. a 09.11.2015 às 12:05

tu és, no fundo, a parte do meu coração que ainda falta.
(e ia - perdão, vou - escrever isto tudo, num texto, para ti).
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De Magda L Pais a 09.11.2015 às 12:03

Volto quando conseguir articular uma palavra que seja porque deixaste-me sem uma palavra que seja...
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De M.J. a 09.11.2015 às 12:42

desde que voltes.
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De Magda L Pais a 09.11.2015 às 18:23

Eu volto sempre, sabes bem que sim.
Já te disse hoje que gosto de ti? E que gosto de ti porque me ajudas - ainda que nem sempre te apercebas - a ser como sou?
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De M.J. a 10.11.2015 às 11:05

hoje ainda não.
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De Maria das Palavras a 09.11.2015 às 12:35

oh, que maravilha, é tudo isso
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De M.J. a 09.11.2015 às 12:42

(a parte dos livros... é-te familiar?)
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De Neurótika Webb a 09.11.2015 às 13:04

tanto enjoo nestes últimos dias....não estarás grávida?...se calhar de um novo livro, não?
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De M.J. a 10.11.2015 às 11:05

era bom isso do livro... mas não.
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De Paula a 09.11.2015 às 17:42

Lindo!
É bom quando se sabe o porquê das coisas.
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De M.J. a 10.11.2015 às 11:05

isso :)

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