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post com mamas, ovos e bananas

por M.J., em 08.07.16

uma vez escrevi sobre um grupo fit.

pronto, não foi só uma vez. foram várias e nem sempre fui simpática. não é que desgostasse de ver as publicações das moças mas pegava, essencialmente, no exagero. que raio! a pegar em alguma coisa é nos exageros da vida.

pegava, nos meus textos, nas obsessões extremadas das catraias, bastantes delas anorécticas à procura de confirmação de que não fazia mal comer alpista ao pequeno almoço e ter mais ossos do que pele e gozava com isso.

toda a gente sabe que este antro não é dos melhores.

não falo que fosse bonito brincar, gozar, ironizar, sei lá, com a doença dos outros. o objectivo era mais do que esse. quando as pessoas estão completamente introduzidas numa forma de vida esquecem a possibilidade de ver mais além. é aquela coisa do jogar xadrez com pombos e às vezes só vendo a ridicularidade onde caem resulta.

não resultou.

depois de brincar com os comentários que aquelas cabecinhas de ar expunham, as fotos semi-nuas para mostrar ao mundo os seus avanços da fome, as comidas fotografadas na relva para parecerem pratos feitos por chefes os textos foram descobertos e fui inundada por um bando delas, aos pulos, a ameaçar fazer-me uma espera e a obrigar-me a comer batata doce até as minhas orelhas expelirem tubérculos.

não foi bonito, digo já, e confesso que durante uns dias vi a peida a bater palmas porque tenho sempre algum receio da loucura e da obsessão por algo. está mais que visto que as maiores atrocidades foram cometidas por loucos e isto quem tem cu tem medo. 

depois passou, nasceu a seita do arroz e o mundo voltou a rodar.

o que aquelas meninas se esqueciam é que, também elas, no meio do queijo, dos ovos e do esterno em fotos, gozavam com outras pessoas. e não se limitavam a usar palavras. ao contrário de mim, que pegava em palavras para ironizar uma situação pouco saudável (a sério, tanta proteína que aquela gente ingeria satisfaria as necessidades nutricionais de uma tribo completa de áfrica) elas tiravam fotografias a gente com peso a mais e, às vezes distorcendo a cara outras vezes não, deixavam os comentários mais abjectos para qualificar pessoas. e ai de quem que, por qualquer motivo, comentasse que não era bonito. ali vinha logo a moderadora, com alta sapiência moral, dizer que já não se podia brincar, que era tudo um galhofar saudável, que as pessoas eram assim, gordas, porque queriam.

acontece que a mesma moderadora do grupo ficou muito ofendida quando eu brinquei com a fome e os exageros do grupo que ela fundara e "mandou" os ovos todos, a proteína, a batata doce e o queijo em forma de pessoas vir dizer-me o quanto fui desagradável para com elas.

 

o mundo é engraçado.

temos sempre a sensação de que o nosso umbigo tem mais razão do que o umbigo dos outros. construí uma profissão com base nisso e é por esse mesmo facto, por na maioria das vezes acreditar que os umbigos, ainda que diferentes são todos feios, que não enriqueço.

posto isto, engordei um quilo. pode ter sido dos quistos - ou quistozitos como disse a médica - numa patologia comum que nada afecta a minha vida, a não ser sentir que tenho ovos na mama esquerda, inchados ao mundo em certas alturas, a doer como a merda quando lhes toco.

o que dói não tem perigo, disse a mamã, aliviada. 

a médica sorriu e disse que era uma coisita sem importância alguma.

em mim até as doenças são doencitas! e aposto que tenho neles o quilo que engordei. 

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oh vai ver ali:

publicado às 10:00


6 comentários

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De sarabudja a 08.07.2016 às 10:18

Quistozitos é bom, não é?
E as bananas, onde estão?

O humor e as exposições dos outros ao ridículo são tão subjectivas... E tens tido vários exemplos disso, nos últimos dias, neste teu "cantinho". (rematava esta frase com um 'miga e isto era "top"!!!)
Há quem não levante uma pestana quando outros escrevem uma série de ofensas nada veladas, mas se insurgem com um mero vocábulo lançado. Há muito quem bata nos filhos e não tolere que outro os chame a atenção. Há tanta gente que atira adjectivos a outros e se sente ofendida quando esses adjectivos são alvo de reclamação, ainda que não sejam arma de arremesso.
Podem vir cá ou noutro sítio qualquer dizer que sou o que acho que não sou, mas cada vez mais me convenço que há muito quem se insufle com ideias do que não se é. Também por lá ando, mas sei que sou capaz de olhar para outros e sentir empatia, comoção.

Os exageros nunca foram amigos da sensatez, disse-me uma vez uma senhora mais velha que aprendera que ser morna lhe trouxe paz e lhe roubou algum "picante".
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De M.J. a 08.07.2016 às 11:20

as bananas eram só para rimar!
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De Olívia a 08.07.2016 às 11:25

quer dizer... uma pessoa lê este texto uma segunda vez, só para confirmar que não há bananas e tu atreves-te a dizer que era só para rimar... ao menos a consulta trouxe boas notícias. É bom.
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De sarabudja a 08.07.2016 às 12:47

Já eu li, pelo menos, quatro antes de fazer o reparo e vem a dona disto tudo dizer que foi uma liberdade poética...
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De Anónimo a 08.07.2016 às 12:26

isto anda mas é tudo doido.
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De Joana B. a 12.07.2016 às 15:00

espero que fique tudo bem :)

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