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relatos de férias 1

por M.J., em 18.08.14

decidimos passar por guimarães em término de férias fora de casa. podíamos ter planejado ir à praia e tirar fotografias aos meus presuntos na areia, com os pés numa toalha, em jeito bonito de foto do facebook. não o fizemos e andamos antes de teleférico até à penha.

mais ou menos.

porque guimarães não gosta de mim. deve ter razões, eu agora que penso também não gosto de guimarães, mas isso são outras histórias.

quando chegámos estava um monte de gente para entrar no shopping. chovia. e os emigrantes retornados à casa natal, com os seus ares de ai-e-tal-lá-em-frança-não-é-nada-disto, fugiam para o centro comercial, à cata de coisas giras para pôr ao pescoço. quando almoçava uma treta qualquer no shopping deparei-me com o passeio dos horrores com gente de cabelo estranho, roupas esquisitas e um linguarejar que nem é francês, nem português.

no hotel fomos atendidos por um recepcionista gay brasileiro (nada contra gays nem contra recepcionistas nem contra brasileiros) que cumpria com todos os requisitos e tiques de bicheza. muito triste. quando subimos reparámos que o quarto tinha duas camas separadas. o senhor brasileiro pediu desculpa pelo erro mas não havia mais quartos. ficámos naquele com ar de parvos a rogar pragas, que pelos vistos a reserva não serviu de nada.

é certo que o quarto tinha varanda. mas eu tinha vindo de uma varanda com vista para o rio, na paz tranquila da serra e aquela era só um pedaço de betão em cima de uma avenida. além disso, ouvi claramente um casal a fazer sexo, na varanda do lado, com uma senhora histérica que gritava oui, oui, oui em ritmo compassado.

quis fugir, abafava ali, naquele espaço medonho. subimos à penha. acalmei. vi depois, já na cidade, montras e ruelas, castelos e padarias. tudo me fazia lembrar tempos idos, outras gentes, outras vidas que foram minhas e não queria que tivessem sido. 

enfim, decidimos ir ao cinema. chovia. o gps enganou-nos e levou-nos por ruelas parvas até nos dizer "chegou ao seu destino" no meio de um descampado. lá demos com o cinema, horas depois.

o filme valia a pena (os guardiões da galáxia) e não me importa que os críticos do cinema o entendam como pimba da tela. deu para rir, tinha boas cenas e chorei no fim.

já no hotel dormimos cada um em sua cama. e no dia a seguir o pequeno almoço era uma espécie de repasto de crise que nada tinha a ver com "grandioso pequeno almoço continental" (fodasse, nem um iogurtezinho) apregoado no booking.

 

quando me vi em casa, nesse dia, senti-me leve, feliz. até olhar para a varanda e ver que um dos girassóis murchara por inércia da empregada que prometera regar as plantas todos os dias e não o fizera.

agora tenho um único girassol e plantas que, achava eu, eram bonitas, até a mamã lá ter ido e me ter feito ver que as sementes que eu comprara eram de plantas daninhas, iguais aquelas que ela se vê à nora para extinguir no quintal.

tenho pragas em vasos, que reguei com amor, e não sabia.

 

sinceramente.

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publicado às 14:11


2 comentários

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De Nana a 19.08.2014 às 18:10

mais um texto brilhante como sempre! Tb rego fervorosamente as ervas daninhas que me saltam dos vasos, vindas não sei de onde, e os girassois são mesmo a minha flor favorita.,.tenho alguns, de plástico, que já desisti de plantar fosse o que fosse, que até um vaso de salsa consegui assassinar.. =)
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De M.J. a 19.08.2014 às 18:17

ahahahahahahahaha. tenho uma amiga minha que diz que matou uma planta de plástico.
regou-a!

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