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são gases, senhor.

por M.J., em 17.01.17

estranho o histerismo nas relações iniciais. fico desconfortável com demasiadas expressões de companheirismo, trocadilhos, piadas e uma serie de coisas que - à maioria das gentes - é normal.

sou um bicho estranho e nunca o neguei ainda que, com o tempo, me vá moldando, construindo e sobretudo aceitando o outro sem sentir desdém ou irritação: desde que não me metam lá no meio está tudo bem.

no entanto, confesso, nunca entendi essa coisa da empatia inicial por gente que nunca se viu antes de dez minutos. assumo a simpatia, o bom acolher, a educação, o ser-se polido na relação com o outro, o aceitar com entusiasmo até, mas uma série de expressões de afecto forçado provocam-me calafrios nas entranhas.

 

isso são gases,

diz o rapaz quando lhe dou a conhecer esta minha característica, numa espécie de epifania.

podem ser, penso.

é que vistas bem as coisas fico sempre - perante estas demonstrações de quase amizade eterna por alguém que até há dois minutos não se conhecia - com o sobreolho carregado, um ligeiro vinco ao canto dos olhos, uma ruga descomunal na testa e um nariz tão franzido que se poderia dizer que estou com dor de barriga.

dor de barriga pelo espalhafato alheio. 

 

(isso e gente que me cumprimenta e pergunta pela vida depois de anos sem nos vermos. a sério: se acharem que me viram acreditem que aquela não sou eu mas alguém muito parecido). 

 

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publicado às 09:45



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