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sonhos

por M.J., em 28.10.16

tenho sonhado com velhos amigos nos últimos tempos.

aumentou a frequência desde que saí de aveiro. quando dou conta estou acordada, alagada em suor, a ver o quarto numa escuridão intensa com gente a bailar-me perante os olhos, em sorrisos e tristezas, o mesmo ar de há mil anos em pormenores que não recordaria mesmo que quisesse, estando acordada.

é um rol intenso de pessoas ainda que, necessariamente, eu não seja gente de gente. mas há tanta que ficou para trás, afastada deliberadamente ou simplesmente porque a vida assim é, que me espanta a minha capacidade de não carpir com quem estive.

a não ser em sonhos.

desde há umas semanas que há um recorrente: é início de verão e estou sentada no carro de um velho amigo, lado a lado, os dois. existe um silêncio longo quebrado apenas pelo passarinhar de pessoas que entram e saem do edifício em frente, no jantar prometido. sei que é domingo e há traços da minha frequência universitária: a pasta negra dele descansa no banco traseiro e eu tenho uma mochila cor de rosa aos meus pés.

depois, num momento eterno, damos um longo abraço. os braços dele apertam-me ao peito e sinto-me em casa. sei-me envolvida por pai, mãe, irmão e amigo. sou criança pequena ao colo e, ao mesmo tempo, incrivelmente adulta, consciente da bênção que é ter conquistado um amigo que me segura nos tombos, me atura as birras e me leva no crescimento individual a ser mais polida. 

acordo sempre a seguir.

invariavelmente, como num filme.

e estranhamente sei o seguimento do sonho, em pormenores que se densenrolam na banalidades dos momentos, mesmo já acordada: 

é que se trata de uma recordação, das muitas que recalco, que me faz companhia em sonhos para não esquecer quem me trouxe até quem sou.

desculpa meu amigo que te chamo assim. mas tenho tido, nos últimos tempos, absurdas saudades tuas. e há uma certeza renovada de que por mais que os anos passem permanecerás sempre em mim porque te amo na dimensão das amizades eternas.

que as há.

mesmo que não admitamos.

 

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oh vai ver ali:

publicado às 09:30


4 comentários

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De Conta corrente a 28.10.2016 às 10:55

Felizmente que há amizades eternas

;)

Mesmo ausentes.
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De Pequeno caso sério a 28.10.2016 às 20:01

(...)"tenho tido, nos últimos tempos, absurdas saudades tuas. e há uma certeza renovada de que por mais que os anos passem permanecerás sempre em mim porque te amo na dimensão das amizades eternas.
que as há.mesmo que não admitamos."(...)

Não sei se tens noção mas acabaste de me dar um murro no estomago...e um aperto no coração.
Juntamente com isto a vontade de usar estas mesmas palavras para um amigo de quem a vida também me separou. Tivesse eu coragem para o fazer e pedia - tas emprestadas.



Por me teres recordado de tudo isto que teimosamente quero esquecer, não sei se te agradeça , se te bata.



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De M.J. a 31.10.2016 às 13:06

(podes levar emprestado).

não me batas. às vezes o melhor mesmo é enfrentar, olho no olho.
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De Pequeno caso sério a 31.10.2016 às 18:27

Nunca teria coragem .
Às vezes o melhor mesmo é ficar sossegada e esperar que ninguém escreva as palavras que podiam ser nossas de modo a que não relembremos o que pensávamos já
...morto.

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