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e de crianças a cães, e de jornalismo entre aspas a citar raças perigosas e de meio mundo que não gosta de animais a criticar o outro meio mundo que delira com os ditos, apraz-me dizer uma coisa:

 

antes de abaterem os cães, eduquem os donos.

 

a raça mais perigosa de entre todas é o ser humano:

é a única que conheço capaz de maltratar, matar, torturar e provocar sofrimento pelo puro prazer de maltratar, matar, torturar e provocar sofrimento.

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oh vai ver ali:

maluquinhos dos animais

por M.J., em 05.04.17

a mamã sempre me chamou de maluquinha dos animais:

  • apanhava grilos que soltava meia hora depois, por pena de os ter presos;
  • tocava em todos os gatos e cães, por mais carraças, macilentos ou doentes que estivessem;
  • achava que as lagartas eram giras; e,
  • aos dez anos apanhei uma infecção num dedo depois de mordida por um gato sendo que, no medo das represálias ao gato, só o confessei quando a mão triplicou de volume. 

uma tristeza.

 

mesmo assim fui criada num espaço e num tempo em que animais são animais e nunca comparados a pessoas. e é por serem animais que os usamos como companhia, alimentação e fonte de rendimento. em troca alimentamo-los, providenciamos abrigos, levamo-los ao veterinário e não os maltratamos. 

são animais e têm a sua função: um cão serve para fazer companhia, guardar a casa, ajudar com vacas e ovelhas. uma vaca dá leite, bezerros, dinheiro se vendida, ou carne se morta. uma galinha dá ovos, dinheiro e/ou carne. uma minhoca não dá nada. um piolho também não.

fui criada num espaço e num tempo em que os animais são respeitados e amados como animais. e é no respeito da sua função e do que são que se lhes são atribuídos direitos: não passar fome nem sede, não apanhar pancada ou quaisquer outros maus tratos físicos, ter um abrigo e a andar - grande parte - livres com uma casa para onde voltar.

no sítio onde nasci e cresci um cão é um cão e nunca - valha-me deus - um filho.

um gato é um gato e não um irmão.

uma mosca é uma mosca e não uma prima.

uma galinha é uma galinha e não uma mãe.

os animais são animais e esse é lugar deles. não são coisas, não são objetos, não são pessoas.

e é nisso que eu acredito.

 

a tentativa de colocar os animais no mesmo nível das pessoas tem trazido - na minha opinião - um fundamentalismo idiota que aumentou exponencialmente nos últimos tempos.

não me interpretem mal:

  • tanto se me dá como se me deu se as pessoas chamam os cães de filhos e os põem ao mesmo nível dos seres humanos que pariram;
  • ou que achem que um beijinho de um cão que acabou de lamber os tomates tem o mesmo valor do beijo do marido;
  • ou que digam que entre o companheiro e o cão preferem o segundo.

são opções pessoais de cada um.

eu por exemplo, não tenho problema em dizer que gosto mais dos gatos da mamã - que vejo duas vezes por mês - do que do meu vizinho do lado que chama a namorada de puta e arrasta cadeiras de madrugada.

gosto pois.

mas isso não invalida que perceba que o meu vizinho, chato como a merda, é uma pessoa. e que os gatos da mamã são gatos. e que por esse facto, o parvalhão do meu vizinho tem direitos que não se equiparam aos direitos dos gatos da mamã.

 

e por que é que vens com isso agora, M.J.?

simples.

há uns tempos o rui unas - que sigo no facebook e no youtube - colocou um vídeo idiota nas redes sociais, em que dançava de pijama na cozinha enquanto à porta da entrada de vidro, o seu cão - um fila dos açores, cão pastor por excelência - olhava para ele à chuva.

talvez por perceber até que ponto as pessoas conseguem ser idiotas, o unas avisou logo que o cão tinha um abrigo e estava à chuva porque queria mas isso não serviu de nada. meus senhores foi um deus me acuda.

ai o direito dos animais.

ai a crueldade.

ai o desespero.

ai que mau.

ai que devia ser preso por maus tratos.

onde já se viu deixar um cão pastor, de porte médio à chuva por opção?

não senhor! para ser bom dono, boa pessoa, bom ser humano, devia vesti-lo, calça-lo, ensiná-lo a ler e dar-lhe o seu lugar no sofá. não bastou - nem de longe nem de perto - tirá-lo do canil, dar-lhe uma casa, gostar do bicho como se gosta de bichos e ter como restrição que ele não entre sujo dentro de casa.

parece que se não o tratar como uma pessoa, pois meus senhores, não presta!

na volta mais valia até tê-lo deixado no canil para ser abatido. que crueldade! que mau pai ali com o cão pastor à chuva.

 

ah M.J., - dizem vocês nestes meus diálogos imaginários - mas esse histerismo é bom porque chama a atenção dos direitos dos animais. 

só que não.

só que não mesmo e por uma razão muito simples:

descredibiliza uma causa importante: a defesa dos direitos dos animais!

 

porque de repente - reparem - não estamos a lutar contra os maus tratos efectivos, contra gente que os mata de fome, que os abandona só porque sim, que os deixa cheios de parasitas e doenças ao deus dará, que os fecha em varandas minúsculas uma vida, que os faz de saco de pancada.

não senhor. 

de repente estamos a lutar contra o facto de o senhor antónio ou o senhor manuel não tratar o bobi como filho.

esse malvado.

quando é normal que ele não trate uma vez que o bobi não é filho do senhor antónio!

o bobi é o cão do senhor antónio e ele tem direito de o tratar como um cão: alimentá-lo, vaciná-lo, pô-lo na sua casota e proceder ao seu bem estar dentro da ideia de que é um cão e não um bebé.

 

 

quando entramos em fundamentalismos perdemos a credibilidade.

esse ruído idiota afasta o cerne da questão. põe tudo no mesmo saco. põe na linha da frente o que não é importante e faz saltar aos olhos coisitas sem fundamento mas que gastam tempo e açambarcam o resto.

faz com que deixemos de olhar para uma causa como séria e a associemos a uma espécie de circo (circo neste tema também é apropriado), onde se encolhe os ombros e diz: ah, esses são maluquinhos! querem que eu trate o meu tareco como trato o meu dinis maria!

faz com que deixemos de olhar para uma causa séria e a associemos apenas a um bando de fundamentalistas tolitos, aos saltinhos, porque o vizinho não corta a carne do cão quando lha serve na mesa e ele, coitadito, não tem polegares para segurar na faca! ou porque a vizinha do rés do chão esquerdo não amamentou o cachorro e, veja-se o descalabro, amamentou o filho!

e não é nada disso!

a defesa dos direitos dos animais não é nada mas mesmo nada disso!

 

a sério, meus senhores:

um cão é um cão tal como um piolho é um piolho, uma vaca é uma vaca e um porco é um porco: não são objectos, não são coisas, não são pessoas.

se os querem tratar como vossos filhos, primos, irmãos, tios, amigos é uma opção própria.

mas não façam tanto barulho contra aqueles que, não o fazendo, cuidam dos seus animais como animais: com atenção, providenciando ao seu bem-estar e dispensando-lhe tempo e amor. 

 

guardem o fôlego para aqueles que os tratam como coisas sem sentidos e sentimentos, sacos de pancada e desprovidos de qualquer direito. 

 

 

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pessoas que deixam cães lamber-vos na boca, respondei-me a umas simples questões:

sabeis que eles lambem o rabo (que é como quem diz ânus, não confundir com cauda), certo?

e que fazem cocó por lá, correto?

tipo, cocó que é o mesmo que caca, vulgo merda, bosta, fezes. isso.

com coisas do género, lombrigas, e coli e bicharocos desses a passear por lá.

 

sabeis, certo?

que cocó não é chocolate?

e eles - como dizer isto? - lambem aquilo.

às vezes não só o rabo, como o que saiu por lá.

 

então explicai-me:

depois da língua que faz isso lamber a vossa boca, usam a dita para dar beijinhos a outrem assim mesmo, com tempero, ou passam-na por água antes?

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