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e que me lembrei por estes dias:

 

1. a minha inabilidade social.

se antes era coisa que me entristecia, me confundia e me provocava - juro - alguma angústia, na incapacidade de sentir o mesmo do que o outro na relações sociais, na incapacidade de lidar com muitas pessoas, na incapacidade de manter gente, no não perceber como estar no meio de gente, hoje deixei de querer saber. percebi com o tempo - e foi sobretudo o tempo - que há uma ou duas pessoas que vale a pena manter, dispensar tempo e fazer um esforço - mesmo que gigante - para ser, estar e permanecer. 

o resto que for... temos pena, mas foi.

 

2. as expectativas dos outros no geral e, em consequência, as opiniões deles acerca da minha pessoa.

(assumindo que os outros não são aqueles dois ou três que me importam mesmo).

nascida e criada numa aldeia, com a constante voz do "deixa de ser assim, o que é que os outros vão pensar" (basicamente um pouco todos nós nesta aldeia que é portugal) demorei anos - por mais que não admitisse - a não querer saber da opinião da maioria das pessoas.

sim, fiz isto. sim, decidi aquilo. sim, sou assim. sim, acabo por fazer assado.

sim, é isso. 

paciência, não é?

 

 

3. a minha aparência no global.

não que fosse uma das minhas maiores preocupações mas literalmente deixei de me importar com o facto de não ser mais magra, mais loira ou morena, mai na moda ou menos, mais gira ou feia.

é evidente que continuo a assumir que há momentos e momentos. e que faz parte da convivência em sociedade adaptar-me a esses momentos não parecendo - sobretudo não me sentindo - uma maluquinha das pevides. mas esse sentimento é mais por mim do que pelo outro. 

estão na moda as calças de cintura até às mamas, compensando esse pano a mais na barriga com a menos no tornozelo?

que vos façam bom proveito.

a vocês, não a mim.  

 

4. as falhas do meu corpo.

oh, aquela celulite entranhada. oh, aquela estria maluca. oh, aquele dente que era suposto ter um aparelho. oh, aqueles olhos com tanta miopia que podiam servir de testemunha de um corrupto político se me roubassem os óculos. oh, tanta gente elegante nesta festa e eu com ar de serrana! oh!

já não.

(ou pelo menos não noventa por cento das vezes).

muda-se o que se pode, mantém-se o que não se pode e encolhe-se os ombros.

(mas que gostava de ter menos falhas a nível emocional isso é um facto. sobretudo pela minha sanidade).

 

 

5. o não concretizar de objectivos planeados

maníaca pelo controlo tinha todo um plano de vida traçado aos 16. percebi - 14 anos mais tarde -  que os os objectivos concretizados que mais prazer me trouxeram - e trazem - foram os surgidos nas horas diárias e rotineiras, enquanto vivia tentando fazer o melhor possível para cada ocasião. e que todos os que planeei com tanta antecedência, na certeza de que se não fosse assim a vida não faria sentido, não me trouxeram um décimo da realização que eu julgara ser o que comandava quem sou. 

engraçado, não é?

 

 

deve haver muito mais, tenho a certeza.

e se for ler o blog, nos seus primórdios, descubro logo uns vinte.

 

e vossemecês?

deixaram de querer saber de alguma coisa destas com a idade?

ou nem por isso?

 

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oh vai ver ali:

começo com esta!

 

 

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"Claudette era alta, magra e bem conservada para os seus cinquenta e muitos anos."

do livro secreto deste mês - Um castigo exemplar, Júlia Pinheiro

 

 

*(sinto-me sempre tão excluída nestas coisas. é como se fosse novamente a última gorda a ser escolhida nas aulas de educação física ou a miúda das festas de aniversário a que nunca ninguém vinha - nenhuma das opções ocorreu mas achei que podiam ilustrar).  

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isto é uma pergunta curiosa

por M.J., em 31.07.17

raminhos, esse comediante (com ou sem aspas, como quiserem):

gostam, desgostam, conhecem, desconhecem, conseguem rir, não conseguem...

 

contem-me tudo. 

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oh vai ver ali:

ponha a mão no ar

por M.J., em 16.05.17

quem aqui está com uma dor de cabeça tão grande que tem dificuldade em abrir os olhos:

 

 

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se pudessem mudar algo em vós

por M.J., em 15.03.17

desde as orelhas pontiagudas àquele rancorzito amarelo, o que seria?

 

desabafem, vá, não sejam tímidos.

 

eu mudava loguinho a minha insatisfação constante. 

muito antes da minha estria no joelho esquerdo. 

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oh vai ver ali:

continuo sem saber

por M.J., em 23.02.17

tantos anos que passam:

perdoar é esquecer ou deixar de dar importância?

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oh vai ver ali:

desculpem lá se não é igual à vossa.

 

há uns anos atrás quis morrer. reformulo. há uns anos atrás tentei morrer. reformulo ainda. há uns anos atrás quis tanto morrer que tentei que acontecesse.

foi uma decisão minha. não posso dizer se consciente ou não, mas a única que me assaltava o espírito durante dias, meses, quase anos.

não vou dissecar - por não interessar - motivações, planos, maneiras ou acontecimentos. interessa apenas que estava doente. muitíssimo doente. que me doía a alma e os ossos. que me doía a vida de uma forma que não doía aos outros. que me doíam tanto as horas e o respirar e o andar e o ser e o acordar todas as manhãs que nada mais interessava.

doía-me a vida e como só doía a mim, só eu tinha o direito de opinar sobre ela.

só eu tinha o direito, ou não, de a tentar alterar. 

 

no entanto, não deixaram que eu pusesse de lado o dom que é viver.

muitíssimo contra a minha vontade agarraram-me a ferro e fogo e ordenaram-me que prosseguisse. ninguém me perguntou se eu queria permanecer ligada à vida, porque já sabiam a resposta. ninguém se sentou ao meu lado e debateu, friamente, vantagens e desvantagens de prosseguir.

toda a gente olhou para a morte como algo a combater.

como um tabu que não se discute porque não há nada para discutir.

como um direito que eu não tinha ainda que tivesse.

como um opção que não era minha ainda que fosse. 

 

a vida, dizem os entendidos, é um direito intransponível. mas a vida somos nós e nós só podemos ser se quisermos. de que vale uma ligação ao ar que respiramos se o desprezamos? se nos magoa tanto que queremos tudo menos tê-la? com quem direito alguém nos impõe que permaneçamos quando a única coisa que nos interessa é acabar?

 

anos depois permaneço aqui pela tenacidade de quem não deixou que eu fosse.

sei, conscientemente, que devia estar agradecida. tudo o que vivi depois me mostrou que a doença era ultrapassável e que a dor, devidamente tratada, era momentânea. e mesmo assim, mesmo depois de viver tanto e passar por tanto após a vontade de desistir, continuo a achar que ninguém tinha o direito de decidir por mim. 

a ninguém era lícito substituir-se à minha vontade. mesmo que a minha vontade estivesse doente.

mesmo não tendo a percepção total do que me esperava não era lícito que a minha vontade fosse posta de lado por "não ser o melhor para mim".

porque o melhor para mim é aquilo que eu decido acerca do que sou.

porque sou eu que vivo com as minhas decisões. ou não vivo.

porque sou eu que sendo dona dos meus dias e que lidando com as minhas dores, com as minhas felicidades, com as minhas conquistas ou desilusões, com os meus sofrimentos e angústias, sei o que quero para as mudar.

 

se não me tivessem obrigado a permanecer, há uns anos atrás, não seria agora. não vos diria, não escreveria, não sentiria o sol no corpo. não saberia o valor do amor. não saberia da minha capacidade de amar.

teria sido um desperdício, bem sei.

mas seria o MEU desperdício. e só eu tinha direito de decidir sobre isso. 

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 (imagem roubada à gaffe, que a pediu a alguém).

 

quem raio julgam que são aqueles que pensam ter direitos acerca da sobrevivência dos outros?

serão eles, por acaso, a viver o resquício de vida que obrigam a que seja mantida?

 

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e depois o que fica?

por M.J., em 21.02.17

não sei se já vos aconteceu.

a mim uma vez ou outra.

e ontem vi acontecer a alguém de quem gosto:

 

um daqueles eventos, daquelas fatalidades da vida que a transformam de tal modo que nada mais é o que era.

de repente a vida deixa de ser aquela estrada com uma curva ou outra, um buraco maior ou menor, um obstáculo aqui e ali transforma-se num abismo de escarpas íngremes.

há um acontecimento que revira rumos e travessias e quando damos conta sabemos que, inevitavelmente, não seremos jamais iguais ao que éramos.

acontecimentos de segundos. 

que alteram a eternidade do que fica.

 

tenho tanto medo que me aconteça tal.

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oh vai ver ali:

o tempo ensina a que não se levem demasiado a sério.

 

ou estarei enganada e é o oposto?

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