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ponha a mão no ar

por M.J., em 16.05.17

quem aqui está com uma dor de cabeça tão grande que tem dificuldade em abrir os olhos:

 

 

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se pudessem mudar algo em vós

por M.J., em 15.03.17

desde as orelhas pontiagudas àquele rancorzito amarelo, o que seria?

 

desabafem, vá, não sejam tímidos.

 

eu mudava loguinho a minha insatisfação constante. 

muito antes da minha estria no joelho esquerdo. 

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oh vai ver ali:

continuo sem saber

por M.J., em 23.02.17

tantos anos que passam:

perdoar é esquecer ou deixar de dar importância?

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oh vai ver ali:

desculpem lá se não é igual à vossa.

 

há uns anos atrás quis morrer. reformulo. há uns anos atrás tentei morrer. reformulo ainda. há uns anos atrás quis tanto morrer que tentei que acontecesse.

foi uma decisão minha. não posso dizer se consciente ou não, mas a única que me assaltava o espírito durante dias, meses, quase anos.

não vou dissecar - por não interessar - motivações, planos, maneiras ou acontecimentos. interessa apenas que estava doente. muitíssimo doente. que me doía a alma e os ossos. que me doía a vida de uma forma que não doía aos outros. que me doíam tanto as horas e o respirar e o andar e o ser e o acordar todas as manhãs que nada mais interessava.

doía-me a vida e como só doía a mim, só eu tinha o direito de opinar sobre ela.

só eu tinha o direito, ou não, de a tentar alterar. 

 

no entanto, não deixaram que eu pusesse de lado o dom que é viver.

muitíssimo contra a minha vontade agarraram-me a ferro e fogo e ordenaram-me que prosseguisse. ninguém me perguntou se eu queria permanecer ligada à vida, porque já sabiam a resposta. ninguém se sentou ao meu lado e debateu, friamente, vantagens e desvantagens de prosseguir.

toda a gente olhou para a morte como algo a combater.

como um tabu que não se discute porque não há nada para discutir.

como um direito que eu não tinha ainda que tivesse.

como um opção que não era minha ainda que fosse. 

 

a vida, dizem os entendidos, é um direito intransponível. mas a vida somos nós e nós só podemos ser se quisermos. de que vale uma ligação ao ar que respiramos se o desprezamos? se nos magoa tanto que queremos tudo menos tê-la? com quem direito alguém nos impõe que permaneçamos quando a única coisa que nos interessa é acabar?

 

anos depois permaneço aqui pela tenacidade de quem não deixou que eu fosse.

sei, conscientemente, que devia estar agradecida. tudo o que vivi depois me mostrou que a doença era ultrapassável e que a dor, devidamente tratada, era momentânea. e mesmo assim, mesmo depois de viver tanto e passar por tanto após a vontade de desistir, continuo a achar que ninguém tinha o direito de decidir por mim. 

a ninguém era lícito substituir-se à minha vontade. mesmo que a minha vontade estivesse doente.

mesmo não tendo a percepção total do que me esperava não era lícito que a minha vontade fosse posta de lado por "não ser o melhor para mim".

porque o melhor para mim é aquilo que eu decido acerca do que sou.

porque sou eu que vivo com as minhas decisões. ou não vivo.

porque sou eu que sendo dona dos meus dias e que lidando com as minhas dores, com as minhas felicidades, com as minhas conquistas ou desilusões, com os meus sofrimentos e angústias, sei o que quero para as mudar.

 

se não me tivessem obrigado a permanecer, há uns anos atrás, não seria agora. não vos diria, não escreveria, não sentiria o sol no corpo. não saberia o valor do amor. não saberia da minha capacidade de amar.

teria sido um desperdício, bem sei.

mas seria o MEU desperdício. e só eu tinha direito de decidir sobre isso. 

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 (imagem roubada à gaffe, que a pediu a alguém).

 

quem raio julgam que são aqueles que pensam ter direitos acerca da sobrevivência dos outros?

serão eles, por acaso, a viver o resquício de vida que obrigam a que seja mantida?

 

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e depois o que fica?

por M.J., em 21.02.17

não sei se já vos aconteceu.

a mim uma vez ou outra.

e ontem vi acontecer a alguém de quem gosto:

 

um daqueles eventos, daquelas fatalidades da vida que a transformam de tal modo que nada mais é o que era.

de repente a vida deixa de ser aquela estrada com uma curva ou outra, um buraco maior ou menor, um obstáculo aqui e ali transforma-se num abismo de escarpas íngremes.

há um acontecimento que revira rumos e travessias e quando damos conta sabemos que, inevitavelmente, não seremos jamais iguais ao que éramos.

acontecimentos de segundos. 

que alteram a eternidade do que fica.

 

tenho tanto medo que me aconteça tal.

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oh vai ver ali:

o tempo ensina a que não se levem demasiado a sério.

 

ou estarei enganada e é o oposto?

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a ideia de que temos de ser sempre felizes, lutando por isso como um ideal quase inatingível, está tão enraizada que não há um dia que não vejamos fotos, frases e textos inspiracionais, com palavras de ordem e aconselhamento do faz melhor, tu consegues, desafia-te, vai à luta. 

 

é dado adquirido e a fórmula é simples:

numa vida cinzenta as pessoas querem ver cor. querem ver arco-íris e coisas bonitas. querem sentir que lêem, absorvem, conversam, apreendem coisas que as acrescentam, que as levam a caminhar para uma vida melhor.

mesmo que não se saiba muito bem o que é uma vida melhor. 

 

não me compreendam mal.

não vejo nada de errado no facto de nos rodearmos de coisas que nos fazem sentir bem. o que me causa uma certa comichão nos ouvidos, na garganta e debaixo das unhas é a ideia de felicidade inatingível que a maioria dos gurus influenciadores transmite (a comichão também pode ser pela minha pele utópica e pela rinite, mas vamos acreditar que não). e é mesmo inatingivel, ainda que passem a mensagem como sendo perfeitamente possível a cada um chegar lá.

 

é algo que se alimenta a si próprio:

quanto mais inatingível mais deve ser passada a ideia de que todos nós podemos chegar ao estado de constante felicidade orgásmica. e quanto mais este estado for transmitido mais pessoas traz. e quanto mais pessoas trouxer mais inatingível deve ser a ideia. 

 

os estudos estão feitos e - se formos sinceros - todos nós já passámos por isso:

um dia perfeitamente normal, na nossa vida banal, em que, passeando os dedos pelas redes sociais, sentimos uma ligeira pontada de tristeza porque toda a gente é mais feliz do que nós. ainda que essa felicidade seja só visível através de fotografias e frases.

naquele dia, em que nos levantamos na hora de sempre, tomamos banho na hora normal, comemos mais do mesmo, trabalhamos com as mesmas pessoas, jantamos na mesma hora e sentamo-nos no sofá como habitual a descansar do dia, há ali uma foto, uma frase, uma pessoa que nos faz sentir miseráveis:

porque aquilo é que é vida!

aquilo é que é ser feliz.

aquilo é que é uma boa cara, bom corpo, bom sítio, boas férias, boas paisagens, boas mobílias, bons filhos.

é tudo, naquelas fotos, absolutamente bom. maravilhoso. completamente acima da nossa pequenita banalidade. 

 

e a nossa imaginação tem uma capacidade estrondosa de melhorar ainda mais o que se vê, e piorar o que vive.

 

o instagram é perito nisso.

há milhares, milhões de fotos de gente feliz. evidentemente que não se espera que por ali circulem fotos de momentos tristes, de mortos, feridos e cafés sujos. ou beatas no chão e cocós de cão. não é isso.

mas é preciso existir plena consciência de que aquelas fotos não representam - noventa e nove por cento das vezes - a felicidade ou os momentos de absoluta alegria, bem estar, prazer e afins que querem passar. 

aquelas fotos foram escolhidas a dedo. muitas tiradas em estúdios, ou com verdadeiros profissionais. foram retocadas, alteradas, melhoradas. mesmo aquelas que representam o pequeno almoço de uma pessoa banal, antes de ir para o trabalho, são - evidentemente - filtradas. são postas a jeito para que transpareçam uma imagem bonita. há toalhas lavadas e a tralha da mesa posta de lado, onde não caiba na objectiva.

 

não tem mal nenhum.

aliás, temos todos plena consciência disso ainda que #sóquenão. porque inconscientemente esquecemo-nos. porque naquele dia merdoso, naquele dia em que tudo correu mal, elas continuam lá. perfeitas, maravilhosas, a lembrar-nos que podemos ser muito melhores. que podemos fazer muito mais do que fizemos. mesmo que tenhamos feito tudo o que era possível naquele dia tinhoso. 

 

achamos que sabemos esta evidência mas esquecemo-nos.

acreditamos que sim mas não nos lembramos dos verdadeiros influenciadores digitais que, sabendo disto, o usam para seu proveito criando imagens falsas e levando a que pessoas simples se sintam miseráveis. 

(é evidente que é dificil descortinar se a culpa de quem se sente mais triste do que noite é de quem sente isso, por ver imagens de coisas que nunca atingirá, ou de quem as publica, alimentando-se disso mesmo.

creio que será um bacalhau de rabo na boca.)

 

seja como for, é importante não esquecer:

  • mesmo a pessoa que apregoe ser a mais feliz do mundo, que tenha um cão, um marido, dois filhos e uma casa na praia, que passe férias na tailândia, no méxico, nas caraíbas e nas maldivas, tudo de uma vez só;
  • que tenha um emprego de sonho, sem pressão, sem expectativas e ganhando milhares;
  • que tenha mamas firmes, cu de aço e cara de menina... mesmo essa, nas mil fotos que coloca, perdeu horas a escolher as melhores por entre as que melhorou. chorou no mês passado. sentiu culpa. desânimo. tristeza. e desejou ser outra pessoa num dado momento qualquer.

 

não há um sentimento de felicidade eterna por mais que as fotos digam o contrário.

e as vidas banais, que se desenrolam nas horas de sempre, no mesmo de sempre, com as pessoas de sempre, e que aparentam ser cinzentas, sem sal, sem cor, sem vida são muitas das vezes mais equilibradas, mais serenas, mais satisfatórias, do que cinquenta fotos de pernas longas, dentes perfeitos e praias paradisíacas.

 

 

o instagram é apenas o carnaval das vidas felizes.

 

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agora a falar a sério

por M.J., em 10.02.17

quanto acham que conseguia pelo meu rim?

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questões que me atormentam

por M.J., em 09.02.17

um dos problemas de uma pessoa que está em dieta, reeducação alimentar, cuidados com o que come, enfim, essas coisas, é a quantidade de líquidos que é obrigada a beber.

não é só um copinho de água e pronto.

 

nããããããão.

é suposto ingerir água, chás, legumes repletos de água, montes e montes de líquidos.

 

e qual é a questão fundamental?

é que tudo o que entra tem necessariamente de sair.

e com tanto líquido a entrar é muito líquido a sair.

 

meus senhores, é um abuso!

ninguém consegue fazer nada o dia todo se andar de vinte em vinte minutos a baixar as calças numa sanita.

é ridículo!

às vezes estou numa discussão acesa e percebo que tenho que dar o braço a torcer porque enfim, não é chique dizer "ah espera, não te esqueças que eu estou a ganhar mas temos de fazer uma pausa para ir ali libertar líquidos".

 

deus!

o corpo humano ainda é muito atrasado.

já fomos à lua.

temos internet.

conseguimos pegar em partes do corpo de uns e colar noutros, fazendo uma espécie de pessoa nova.

e nunca ninguém se debruçou a sério sobre a problemática da urina?

nunca ninguém se lembrou, por exemplo, de criar um reservatório que transforme a urina em pó? 

 

ah esperam, não se esqueçam da resposta, mas tenho de ir ali à casa de banho!

 

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é verdade meus senhores, é verdade.

no ano de dois mil e troca o passo M.J. foi trocada pelo cristo ressuscitado.

viu que a sua rival era virgem e tinha sido mãe.

percebeu que contra si estava a cruz e a coroa de espinhos.

 

em dois mil e troca o passo M.J., que saía com um moço de uma ternura que só visto e uns enormes olhos amendoados percebeu que a sua relação - que é sempre uma relação mesmo que as partes a não assumam - estava condenada a romarias e procissões, a coros celestiais e mãos no peito.

 

ainda hoje M.J. ri disso.

é que podemos concorrer com uma ou um que nos apareça no sapato.

mas com o filho de deus, nascido de uma virgem e vivendo ao Alto a coisa já pia mais fino. 

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