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comentários

por M.J., em 23.06.17

aprovei todos os comentários do post de ontem.

mal tinha acabado de o escrever foi destacado. numa questão de minutos. percebo que é uma tema quente, que dá que falar e os comentários que se seguiram não foram algo que já não estivesse à espera:

continuamos em grande parte preconceituosos, racistas, xenófobos e afins sendo que há quem o demonstre, orgulhosamente, aos sete ventos  em blog alheio. 

 

aprovei os comentários para tentar perceber quem somos e quem nos rodeia.

isto foi o que li:

que defender os mais básicos princípios de direito é ter peninha;

que todos os terrenos que estão por limpar são de pessoas que ganham reformas de cem euros;

que quem recebe o rendimento social de inserção é gente que nunca fez nada na vida;

que o estado social serve para proteger toda uma e só categoria de pessoas a que chamam de gentalha; e cambada.

 

e tantas outras pérolas.

 

creio que sei quem serão estas pessoas.

são as mesmas que se queixando de um tempo de liberdade e pedindo o regresso de um salazar renascido, usam a liberdade de expressão para chamar cabrões aos governantes.

são as mesmas que fogem, sempre que podem, ao pagamento de impostos, mas que dizem depois, muito orgulhosamente, eu posso falar porque pago os meus impostos.

são as mesmas que escarafuncham as cmtvs da vida e dizem que ajudaram tudo e todos porque ligaram para os 760 enquanto estavam encostados à janela a espiolhar a vida dos vizinhos.

são os mesmos que não sabem, nem que lho enfiem pela garganta, o que significa o principio da dignidade da vida humana e o que é preciso fazer para o salvaguardar, mesmo que digam aos gritos avés marias aos domingos.

são os mesmos que vão a fátima a pé, comendo pão e água e espalhando palavras de fé, enquanto pelo caminho olham com nojo as putas da estrada, porque essas não são filhas de deus.

são os mesmos que acham que se eu estou mal o meu vizinho não tem nada que estar bem. ou ainda, eu estou mal mas aqueles estão piores.

são os mesmos que se defendem de um alegado ataque de falta de educação respondendo "vai para a puta que te pariu mais a tua mãe que não te deu educação".

são os mesmos que não conseguiriam assumir uma crítica nem que lhe dessem o euromilhões em troca.

são os mesmos que respondem a qualquer argumentação com "pois, mas" mesmo que o "pois" seja concordar mas o "mas" venha dizer tudo ao contrário:

- as pessoas são todas iguais, indepentemente da cor, raça ou sexo.

- pois mas os ciganos e quem recebe o rendimento mínimo são gentalha.

 

são os meus desprezíveis da vida.

e têm todo esse direito de o ser.

podem escrever, gritar, aplaudir ao mundo quem são e o quanto os outros estão errados:

podemos sempre perceber com eles quem não queremos ser.

 

podem apontar as minhas falhas - e se as tenho, meus senhores, se as tenho, tendo nascido e vivido numa aldeia do mais rural possível, onde um negro aparecia uma vez de cinco em cinco anos e trazia olhares às janelas fechadas - de revelar as contradições de quem fui e quem sou:

relembram-se de mim própria.

 

podem ser racistas, xenófos, mesquinhos, pequeninos, sexistas e o raio que os parta:

lembram-nos que o ser humano não é superior e precisamos de continuar a educar. 

 

 

e no fim, eu posso despreza-los, sentir nojo e asco e saber - isto é certinho - que por mais que avancem, nunca chegarão muito longe:

nunca vamos longe quando a humanidade nos escapa. 

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quando eu estive às portas da morte, houve alguém que me entendeu:

 

 

1.PNG

 

só por isso, acabou de ganhar... dois bagacinhos em cartão. 

e nem foi preciso ligar para o 760.

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deu discussão! (quase porrada)