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dúvidas

por M.J., em 07.08.17

às vezes sento-me em frente ao pc, quieta, parada na espera de escrever qualquer coisa.

não há inspiração que venha.

as teclas não se mexem sozinhas numa ideia fantástica, num desabafo, num alívio de palavras.

 

às vezes, simplesmente, não há grande coisa acerca do que escrever, mesmo que pudesse relatar as coisitas do fim de semana, o livro acabado, o rodrigo leão & scott matthew ao vivo, o almoço em família, o cão louco que numa corrida desenfreada me fez cair, o café num sítio do passado, a caminhada no choupal, assim, estas coisas não por esta ordem mas a manterem-me segura à terra.

 

não há muito que escrever e tenho medo:

e se um dia já estiver tudo escrito e não houver nada a acrescentar?

e se de repente perceber que nada do que diga, ou faça, ou seja, ou escreva é novo?

nada traz a excitação do que era, nada acrescenta novidade e confetis, serpentinas e fogos de artificio, flores viçosas e expectativas?

é possível viver-se toda uma vida que foi, entretanto, vivida e tudo o que resta são os resquícios do que foi outrora?

é possível permanecermos na caminhada em direcção ao nada, sentindo que levamos esse nada nos pés?

ou que o rasto que fazemos é tão ténue que não se nota?

 

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ele há dúvidas...

por M.J., em 04.08.17

acordei esta noite com uma dúvida existencial que me fez arrepiar os cabelos da nuca:

tipo, do género, que é feito dos il divo?

cantaram até rebentar?

foram comprados, cada um, por uma senhora de meia idade que os tem em casa como bibelots, a cantar sempre que tocam à campainha?

desapareceram no meio de uma multidão em menopausa, queimados por afrontamentos?

 

alguém sabe?

alguém?

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oh vai ver ali:

ai santa maria das causas perdidas

por M.J., em 04.04.17

parece-me um sacrilégio continuar à luta com a comida, nos termos em que o faço nos últimos dias.

é incrível que fique a sentir-me culpada depois de comer quando há milhões de pessoas a morrer de fome.

que pondere se passo ou não um bocadito de fome, quando há pessoas que não têm a mínima opção. que olhe para a comida como uma espécie de vicio quando há gente que dava dois dedos para poder viciar-se.

é ridículo.

é um assunto sério.

dá-me vontade de cozer a boca.

 

mais alguém passa pelo mesmo?

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oh vai ver ali:

pito e frango do campo

por M.J., em 20.02.17

ontem meus senhores, estive dez minutos a tentar perceber uma indignação.

eu, que por norma, percebo as indignações, as reivindicações do mundo, fiquei de boca aberta, sem perceber se aquilo era verdade ou uma cena muito parva para os apanhados.

percebi ao fim daquele tempo todo que era verdade e ia-se-me caindo tudo.

 

explico.

uma senhora, muito chateada, clamava ao mundo, ofendidíssima, o engano, a burla que fora sujeita, por ter comprado um frango do campo, a três euros e qualquer coisa o quilo, e o mesmo ter tido uma alimentação de 70% de cereais.

 

portanto, meus senhores, aquela pessoa queria que o pito tivesse sido alimentado a bifes!

que tivesse tomado um pequeno almoço de bacon com ovos, seus primos, dado umas corridas à volta do campo para fortalecer as coxas, almoçado umas cinco batatas doces com queijo, feito três horas de ginásio à tarde e comido brócolos ao jantar.

cereais é que não! milho? está tudo tolo! mas onde é que pitos comem milho!?

a minha avó, por exemplo, sempre criou porcos para os dar como alimento às galinhas!

 

juro, mas juro que não entendo a visão distorcida da maioria das pessoas que, nascida e criada numa cidade, não sabe o que raio é viver numa aldeia e criar animais. é que há de tudo.

há quem ache que:

  • os animais na província (acima de lisboa é província, né?) são criados por parolos que não sabem ler e que, romanticamente, se deitam com eles na própria cama;
  • os animais na província são praticamente pessoas.
  • na província é muito fácil e barato criar animais porque há espaço. basicamente, eles até se alimentam sozinhos.
  • na província os frangos do campo são lançados à solta na serra, com uma faca do mato no bolso, e alimentam-se de minhocas e dos restos das carcaças que os tigres deixam por lá.

 

três palavras:

ma-tem-se!

 

por acaso, o frango do campo daquela marca em concreto - de que a senhora clamava indignações - é criado, efectivamente, ao ar livre. tanto mais que as normas de certificação de frango do campo exigem que os mesmos tenham uma alimentação específica e um determinado espaço para se movimentarem (em nada igual aos frangos do aviário).

demoram é mais tempo a crescer e é por isso que são mais caros.

evidentemente que as alminhas que nunca foram uma aldeia - e acham que o leite vem do frigorífico - não conseguem perceber isso e reclamam por dar três euros por um galo que demora meses a deixar de ser pito.

uma consumição!

 

 

e é por isso meus senhores, que eu, M.J. maria, nascida e criada no meio do nada, tenho a solução para estes vossos anseios:

ide viver para a aldeia.

há milhares de metros quadrados ao abandono e a preço de saldo. podem ser fundamentalistas o quanto quiserem na alimentação. podem chocar os próprios ovos para fazer galinhas e alimentar porcos que transformam em bacon. podem andar ao sol a regar milho e ir correr atrás dos pitos, antes do jantar, para os fazer para a ceia. claro que, no vosso caso, olham para o pito, pensam com muita força para ele se transformar em carne e ele suicida-se, depena-se a si próprio, limpa-se de entranhas e desloca-se até a uma covete de esferovite, emplastificando-se e estando fresquíssimo para vossa alimentação.

é assim mesmo.

 

no vosso caso, evidentemente, não vão precisar de o apanhar, pô-lo dentro do funil para o efeito e cortar-lhe a cabeça enquanto esperam que não esperneie muito.

não vão ficar salpicados com o sangue nem empurrar com força as patas para baixo.

não vão pegar numa panela de água a ferver e pôr-lhe em cima, enquanto sentem o maravilhoso cheiro nauseabundo a animais mortos e cocó que sai das penas.

e no fim,também não o vão abrir ao meio, pensando se começam por cortar a pele do rabo e puxar por lá as tripas ou se o abrem mesmo, arrancando entranhas com precisão.

 

sim, é esta a beleza do campo e de matar animais para se comer.

mas faz-se porque é necessário. porque se comemos carne, lamento muito informar mas ela não vem do supermercado. e quando vem, a um euro e meio o quilo, é depois de passar por condições muito piores do que aqueles que são criados por gente na aldeia, e que os mata assim de forma rudimentar*

 

não percebo o que vai na cabeça da maioria das pessoas.

é normal que, quando nunca vivenciamos uma situação, a olhemos da maneira que somos. mas daí a achar que o pito não deve comer cereais... então come o quê? outro pito?

 

oh gente do catano!

 

*(não digo que os frangos do campo criados em larga escala são mortos pela ti maria, depois do jantar. mas sei que têm uma vida muito melhor do que os de aviário e que a sua criação é muito mais dispendiosa).

 

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agora a falar a sério

por M.J., em 10.02.17

quanto acham que conseguia pelo meu rim?

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mudanças

por M.J., em 06.02.17

tenho uma amiga que soube que ia mudar de vida num dia de manhã.

acordou, feliz e contente pensando no quão estáveis eram os seus dias, e quando foi dormir, à noite, tinha aos ombros uma reviravolta gigante de casa, trabalho, vida, cidade, amigos e família.

tudo aquilo que faz a vida de uma pessoa.

assim, toma lá, dá cá, ou mais dá cá, arranja-te no toma lá.

 

acontece!

a questão é que - apesar disso - em nenhum dia a minha amiga se queixou, como eu me queixaria, dos infortúnios da vida.

não a vi pôr as mãos à cabeça, rogar pragas às decisões ou lamuriar-se por entre as reviravoltas de mudança.

a minha amiga pegou as coisas de frente, deu-lhe os nomes certos, sem subterfúgios, traçou planos, decidiu o que não queria e alterou, em duas penadas só, um mundo de coisas que fazem sentido a quem é.

 

uma heroína, é o que é. 

ou uma pessoa emocionalmente saudável, sopra-me o rapaz, baixinho, como quem chama a atenção.

 

bem sei mas nunca serei assim.

a cada percalço dou comigo a bater com a cabeça nas paredes e a rogar pragas a tudo. 

questiono-me, numa espécie de deus é mau e feio, o porquê eu.

demoro dias a absorver o impacto e mais dias a levantar-me da queda. tantos dias que quando me ergo já não havia nada para erguer.

ela ergueu-se ainda mal caíra!

 

sou uma idiota chapada.

a minha amiga não.

e um dia hei-de perceber por que motivo pessoas muito melhores do que eu são minhas amigas. 

 

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pessoas que deixam cães lamber-vos na boca, respondei-me a umas simples questões:

sabeis que eles lambem o rabo (que é como quem diz ânus, não confundir com cauda), certo?

e que fazem cocó por lá, correto?

tipo, cocó que é o mesmo que caca, vulgo merda, bosta, fezes. isso.

com coisas do género, lombrigas, e coli e bicharocos desses a passear por lá.

 

sabeis, certo?

que cocó não é chocolate?

e eles - como dizer isto? - lambem aquilo.

às vezes não só o rabo, como o que saiu por lá.

 

então explicai-me:

depois da língua que faz isso lamber a vossa boca, usam a dita para dar beijinhos a outrem assim mesmo, com tempero, ou passam-na por água antes?

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não faz nem dez minutos.

no caixote do lixo, aberto ao mundo ou a quem o quisesse ver, estava uma garrafa de iogurte liquido e papel de alumínio amarfanhado.

 

quem raio vai tomar o pequeno almoço na cagadeira?

é por uma questão de ligação direta?

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falta de vergonha

por M.J., em 04.01.17

e coragem.

é tudo a mesma coisa?

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um fulano que eu nunca vi mais gordo, feio que nem dois alhos, pediu-me em amizade no facebook. analisando o perfil do homem deparo-me que todo ele é direccionado à demonstração de.... tupperwares!

 

esta é destas profissões em homens que se assemelha às mulheres trolhas, não é?

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